domingo, 5 de fevereiro de 2012

De Porto Alegre a Colônia do Sacramento de carro

Em dezembro de 2011, viajamos de Porto Alegre até Colônia do Sacramento de carro. Foi uma ótima experiência. A viagem é muito tranquila.

Antes, porém, de pegar a estrada, é preciso prestar atenção a alguns detalhes. Dois mais importantes deles são:

- Providenciar a Carta Verde, um seguro obrigatório para os vizinhos Uruguai e Argentina. O que fizemos custou R$ 124,81 para 11 dias. Fizemos com a Porto Seguro.

- Se o carro que atravessará a fronteira é de alguém que não estará junto, também é preciso pegar uma procuração. No nosso caso, o carro era da minha mãe. Ela foi ao cartório de Vacaria e lá fez uma procuração. Usamos o modelo disponível no blog http://viajandodecarro.com/ e deu tudo certo. 

Minha mãe fez a declaração em Vacaria, no Rio Grande do Sul. Não sabíamos, mas este documento só pode ser legalizado no consulado mais próximo da cidade em que foi autenticado. Assim, tivemos de ir ao consulado do Uruguai em Porto Alegre. A legalização é feita de um dia para outro e custa R$ 76, que precisam ser depositados no banco Santander. Em Porto Alegre, há uma agência a duas quadras do consulado. Quem tem carro financiado deve se informar, pois também é necessário providenciar algum tipo de documento.

Com esses dois documentos em mãos, estávamos prontos para nossa aventura.

Começamos a viagem em uma terça de manhã, saindo de Porto Alegre antes das 7h30.


Combinamos seguir direto até Pelotas pela BR-116, cerca de 350km. Durante o trajeto, fui lendo o Guia O Viajante Rio Grande do Sul, de Zizo Asnis, e vi que São Lourenço do Sul seria mais apropriado para uma parada do que Pelotas – de Porto Alegre a Jaguarão São Lourenço do Sul dá 200km. Trata-se de uma cidade pequena, à beira da Lagoa dos Patos, e onde é possível comer o inesquecível pastel do Terrasse Schultz. Foi o que fizemos.



Ah, sim, importante mencionar que até atravessar a fronteira do Uruguai, pagamos R$ 37,40 de pedágio, que começam logo após a saída de Porto Alegre até chegar a Jaguarão.

De Pelotas (na verdade, de São Lourenço do Sul), seguimos em direção a Jaguarão – voltaríamos pelo Chuí. São 200km pela BR-116.

Quando chegamos a Jaguarão era meio-dia. Resolvemos abastecer o carro e aproveitamos para comer um hambúrguer no Posto Shell, que é superarrumado e tem atendentes bem atenciosos. 

Depois de atravessar a ponte de Jaguarão, paramos rapidamente nas lojas da fronteira, mas acabamos não achando nada interessante para comprar.


Por volta das 13h, entramos no Uruguai, na cidade de Rio Branco, que faz divisa com Jaguarão. Pegamos a rota 18, para seguir para Treinta y Tres. Logo depois de passarmos a fronteira, tentamos localizar onde ficava a aduana. É uma construção simples, que se não tivéssemos cuidado, teríamos passado batido. Sorte que paramos. O policial controlou nossos passaportes e documento do carro e seguimos adiante. Nem olhou para a Carta Verde, mas pediu para conferir a licença do carro.

Andamos mais 130km até Treinta y Tres, onde visitamos um conhecido, o Fernando. Ele estava nos esperando com água gelada. Chegamos pontualmente às 16h. Ficamos meia hora e pegamos a estrada novamente, pois havíamos reservado hotel em Montevidéu. A viagem foi bastante tranquila, grandes retas na rota 8, quase 300km. Ao chegar à cidade, também não tivemos problemas de nos localizarmos, pois Montevidéu tem grandes avenidas, o que facilita bastante.

Da fronteira até Montevidéu, pagamos dois pedágios, somando R$ 10. (Atualização: em janeiro de 2015, os pedágios custam 65 pesos uruguaios cada, o equivalente a R$ 8,50)

Às 20h30, estávamos instalados no Intercity (U$ 85) e fomos jantar em um restaurante pertinho dali, o La Otra.

Na manhã seguinte, partimos para Colônia. Pagamos mais dois pedágios, R$ 10 ao todo. Antes de partir, abastecemos novamente. Durante toda a viagem, de ida e volta, creio que pagamos mais ou menos R$ 500 de gasolina. O nosso carro era um Celta 1.0, bem econômico.







De Montevidéu a Colônia do Sacramento, pegamos a rota 1. Saímos às 8h30 e chegamos às 11h30. Viagem tranquila. Passeamos por Colônia, comemos empanadas e às 14h, pegamos o barco para irmos para Buenos Aires, onde passaríamos o ano-novo. Deixamos o carro no estacionamento do Buquebus por três dias (R$ 35).

Depois de dias ótimos em Buenos Aires, voltamos de Buquebus para Colônia, pegamos o carro e seguimos para Montevidéu. Pagamos mais dois pedágios até lá, R$ 10 ao todo. Dormimos três noites em Montevidéu – uma no hotel Ibis (U$ 81, sem café) e duas no Intercity (U$ 190, com café incluído).


A cidade é interessante, apesar de algumas partes serem meio abandonadas. A beira-rio é muito agradável e há praias pertinho do centro e do bairro onde ficamos, Pocitos. O pôr do sol é lindo! E os uruguaios são muito simpáticos. E falam rápido! Difícil entendê-los, devo dizer.


Em um dos dias em Montevidéu, aproveitamos para conhecer algumas vinícolas: Bouza, Pisano e Juanico. Na Bouza, além da visita guiada, almoçamos. A degustação foi realizada durante o almoço. Pedimos dois tipos diferentes de degustação – uma custou R$ 30 e a outra, com vinhos melhores, R$ 55. No total, nosso almoço custou R$ 203, muito bem investidos. A comida estava deliciosa. E os pães do couvert são inesquecíveis.


Na Pisano e na Juanico, fizemos visitas mais personalizadas.



Dos lugares que conhecemos em Montevidéu, recomendamos o Francis e o La Fonda del Puertito, ótimo para comer lula à doré. 

Abaixo algumas cenas de Montevidéu.







A próxima parada na viagem seria Punta del Este.

Difícil conseguir hotel com bom preço nessa época. Assim, olhando na internet, acabei descobrindo uma guesthouse e foi lá que ficamos. R$ 85 a noite. Trata-se do apartamento do inglês Brad e da argentina Martina, casal simpático que aluga dois quartos. Tirando o box pequenininho para tomar banho, o lugar é muito bom.

No caminho entre Montevidéu, passamos pela vinícola Alto de La Ballena e também pela fábrica de doce de leite Lapataia. Duas visitas muito agradáveis. Sem esquecer os pedágios, mais R$ 10 por dois deles.

Também passamos pela Casapueblo, lugar lindo criado pelo artista Carlos Páez Vilaró.




Na manhã de quinta-feira, nosso passeio estava chegando ao fim, pegamos a rota 10 e depois a 9 em direção ao Chuí, cerca de 220km. Pagamos os últimos R$ 5 de pedágio. Antes de atravessar a fronteira, carimbamos nossos passaportes e passamos no free shop.



Estávamos novamente no Rio Grande do Sul. Seguimos pela RS-471 até quase Rio Grande, onde pegamos a RS-473 para retornarmos à BR-101. Passamos pela reserva do Taim, lugar lindo, cheio de capivaras, bonito de ver. O almoço foi na pequena Santa Vitória do Palmar.

Do Chuí até Porto Alegre, percorremos mais 520km. Nesse trecho, pegamos mais quatro pedágios: R$ 31,20. Chegamos a Porto Alegre no final da tarde, por volta das 18h30. Esta viagem foi mais cansativa que a ida.


Dicas:
- Fizemos a viagem em 10 dias, sendo que três foram em Buenos Aires. Em uma próxima, me dedicaria apenas ao Uruguai, ficaria uma noite em Colônia, mais uma em Montevidéu e pelo menos umas três em Punta del Este.
- Também tentaria reservar um tempo para conhecer a região Sul do Rio Grande do Sul. Acabamos não entrando em Pelotas. Também não conseguimos dar uma parada na praia, que ficava bem pertinho da RS-471.
- Levar alguns pesos uruguaios, pelo menos para os pedágios.
- Comprar água e algum lanchinho para o trecho que será percorrido no Uruguai.
- Abastecer ainda no Brasil, antes de pegar a estrada. Não há muitos postos no caminho.
- Informar-se sobre o nome das rotas que terá que percorrer. As estradas são bem sinalizadas, mas é sempre bom ter noção de onde se está indo.
- Quando for fazer compras em restaurantes e supermercados, uma boa opção é pagar com cartão de créditos. Estrangeiros não pagam alguns impostos quando pagam com cartão de crédito, o que dá uma diferença de quase 20% na fatura. Claro que ainda pagamos os 6,38% de IOF, mas no final acaba compensando assim mesmo.