segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Quando nos achamos melhores do que os mais vividos

Com café com leite, dispenso o açúcar. Quando tomo um espresso, preciso invariavelmente adoça-lo. Podendo escolher, só atravesso a rua onde há um sinal, e em 90% dos casos quando está vermelho para os carros. Não como filé mignon, mas adoro um bife de fígado.

Para qualquer outra pessoa, talvez esses hábitos pareçam ridículas manias. Não para mim. Os mantenho há anos. E cada vez estou mais acostumada a eles.

Não conheço ninguém que não tenha manias, comportamentos extravagantes ou costumes inusitados. Assim como nunca encontrei alguém tão evoluído que nunca tenha feito algum comentário maldoso sobre os hábitos dos outros.

Com a idade, nossos comportamentos “esquisitos” tendem a ficar ainda mais inevitáveis.

Fiquei pensando sobre isso, dias atrás, ao me deparar com pelo menos três situações. Apesar de contarem com protagonistas diferentes, todas tinham algo em comum: um alguém mais jovem implicando com o algum comportamento de alguém mais velho.

Aí fiquei me perguntando: Quando é que pessoas mais velhas perdem o direito de ter vontade própria, de decidir como querem viver suas vidas? Quando é que seus hábitos de anos passam a ser vistos como excentricidades? Quando é que começamos a achar que somos tão mais equilibrados, sensatos e coerentes, a ponto de querer determinar o que os outros devem fazer ou, até mesmo, achar certo?

As respostas, obviamente, eu ainda não encontrei.

Só sei que precisamos ficar atentos ao nosso comportamento, para não começarmos a pensar que somos donos da razão.