domingo, 15 de novembro de 2015

Trovões

Acabei de ouvir um trovão ao longe. Estava aqui na sala de casa lendo um texto sobre busca e recuperação da informação, entretida, e na minha imaginação lá fora devia estar um dia bonito. Agora tirei dois segundos para olhar para fora e percebi que o tempo fechou. As colinas ao final da vistas estão esbranquiçadas pela neblina. A chuva vem chegando aos poucos, de mansinho. Como estou aqui fechada e gosto de chuva, sinto um conforto com essa garoinha fina. Os trovões prosseguem avisando que vem mais coisa por aí.

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A vida em geral é repleta de tragédias. Nós temos nossas pequenas tragédias íntimas, mas volta e meia somos surpreendidas por tragédias maiores, que ganham as capas de jornais.

Há duas semanas, vilarejos inteiros foram cobertos por uma lama tóxica em Minas Gerais. Infelizmente não conheci a região antes e agora suponho que nunca mais o faça, pois o que sobrou lá é apenas um grande vale cimentado pela lama, pois, como li num depoimento, esta lama é tão cheia de química, que vira um coisa dura, imperfurável, irrecuperável, que mata toda forma de vida por onde passa.

Na sexta-feira passada, mais de 120 pessoas foram mortas em Paris por desequilibrados influenciados por pensamentos que, a meu ver, tem mais a ver com o demônio do que com Deus. A crença cega em uma religião criada pelos homens nunca levou a bons resultados. Não faltam exemplos na história da humanidade para confirmar isso.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Ruídos

O canto solitário de um passarinho em uma árvore próxima à janela do escritório me leva de volta aos anos 1980, quando visitávamos o sítio dos avós.

Músicas também têm esse poder de fazer a mente viajar por décadas.

Levam-me de volta ao passado, mas fato é que eu não tenho vontade de voltar lá. Só assim, por alguns segundos.

Hoje li um texto interessante sobre idade, motivado por uma montagem em que a Vera Fischer aparecia em uma foto atual, aos 63 anos e sem qualquer produção, e em outra realizada em condições de estúdio há muitos anos.

Concordo com a Cora Rónai, autora do texto. Estou de saco cheio dessa história de não podermos mais ter a idade que temos, com tudo o que isso acarreta. Nunca entendi pessoas que mentem a idade. Acho tão sem propósito. Como se desse para ocultar de nós mesmos o passar dos anos. Eu sou feliz com a minha idade, não tenho a menor vontade de voltar no tempo. Até me dá um certo cansaço pensar em ter que viver de novo as fases que já vivi, mesmo as excelentes. A alternativa para não envelhecer é a morte. Já senti muitas vezes vontade de dizer para algumas pessoas de 20 e poucos anos que se lamentam por estarem velhas: se mate, então! Isso é meio radical, mas é que cansa essa conversa de querer parar no tempo.

Eu sinto no meu corpo o passar do tempo, mas isso me serve para ver o quanto estou bem. Não o contrário.