domingo, 19 de março de 2017

Quando é que não estamos sozinhos de verdade nesta vida?

Vai fazer um que escrevi um post com este mesmo título. No ano passado, eu esperava por uma resposta, que demorou, mas veio. Mais que isso, eu estava com uma desconfiança, que também demorou para se confirmar, mas se confirmou.

Eu ia escrever que minha vida nunca mais foi a mesma depois desses dois episódios, mas a verdade é que eu continuei sendo a mesma pessoa e a pergunta do título não poderia ser mais verdadeira agora.

Eu estou na Alemanha, feliz por estar aqui, realizando um objetivo sempre sonhado, mas eu me sinto muito sozinha. Aí me lembro que mesmo quando estamos cercamos por pessoas podemos ter esse sentimento e me acalmo um pouco.

Sempre que estive sozinha, me senti bem, morei muitos anos apenas na minha companhia, mas agora parece mais difícil.

quinta-feira, 16 de março de 2017

Mais do que alemão

Em um curso de alemão com pessoas de tantas nacionalidades aprende-se muito mais do que o idioma.

Por duas vezes fiquei pensando como o coreano é uma língua diferente das nossas desse lado do mundo. Para a colega da Coreia do Sul, palavras como Intellektuell ou Tabu não tem uma compreensão fácil, coisa que para nós são bem similares ao nosso idioma materno.

Ontem o colega iraniano me contou que não tinha estudado muito para a prova pois havia ido a uma festa de iranianos para comemorar a última terça-feira do ano. Afinal, no Irã o ano começa apenas no primeiro dia de primavera, que será na próxima terça-feira. Aí ele me explicou que no passado era assim no mundo inteiro. Por isso setembro se chama set-embro, pois é o sétimo mês do ano. September, Oktober, November, Dezember... faz todo sentido. Ele mesmo, que nasceu em setembro, tem duas datas no passaporte, uma baseada no calendário persa e outro no nosso.

Para a colega russa, jovenzinha, doce e ingênua, Stuttgart é uma cidade perigosa. Ela não tem coragem de fazer exercício na rua por medo. No final, feliz dela que não tem noção do que é viver em uma cidade realmente perigosa.

Hoje a aula de alemão chega ao fim. Teremos a prova. Já revisei o conteúdo tantas vezes, que não tenho mais forças para continuar estudando. Também acho que se deve estudar durante o período todo. Achar que vai aprender algo novo nos últimos momentos me parece bobagem. Claro que uma última olhadinha no que já se sabe pode ajudar, mas sinceramente se uma expressão não entrou na minha cabeça até agora, é melhor simplesmente torcer para que não caia na prova.

segunda-feira, 13 de março de 2017

Pessoas (mais) velhas

Há alguns dias na aula de alemão nossa tarefa era analisar algumas imagens e formar frases sobre o que víamos. Havia uma mulher, um homem, uma garota e um menino. Foi interessante observar que a mulher foi a única chamada de velha, mas mais que isso foi curioso ver como podemos ser bem preconceituosos com quem tem mais idade do que nós.

A minha turma de alemão é formada por estudantes com idade média de 23 anos. Praticamente todos estão fazendo a primeira graduação. Os que são mais velhos, e tem 26, 27 anos, estão no mestrado. Eu sou um ponto fora da curva.

A professora, que tem mais ou menos a minha idade, ficou também impressionada. Brincamos que depois dos 30 as pessoas já poderiam morrer, pois estão velhas demais para qualquer coisa. Ou mentir a idade. Rimos.

Isso nunca vai mudar. Eu me lembro de quando tinha 18, 19 anos e de achar todo mundo com mais de 20 anos supervelho. Aos 23 anos fui chamada de velha por meninas de 19. Sim, tudo retorna. :) Mesmo há poucos anos no mestrado, um conhecido se casou com uma "mulher mais velha", que depois eu viria até a conhecer. Ele tinha uns 26 e ela uns 30. Pois é... Beeem mais velha na fala das minhas jovens colegas da época. Eu já tinha 33.

Ao viver agora essa experiência de fazer um semestre da graduação fora, mesmo não querendo, me coloco em uma situação nem sempre tão agradável. Eu me sinto velha perto desses jovens. Claro que, até pela idade, consigo racionalizar rapidinho e escolher pensar que estou fazendo algo que nem todo mundo teria coragem, e que estou feliz com minha decisão.

Como tudo, as vivências nos fazem crescer. É fácil se apegar a uma vida (que a gente pensa) segura, como a minha há um ano. Porém, a mesma vida nos mostra que segurança não existe e talvez valha mais a pena se jogar no desconhecido por querer do que um dia ser surpreendido por uma mudança não desejada.

domingo, 12 de março de 2017

Ah, a primavera

Perto do lugar em que estou morando há uma igreja, cujos sinos tocam sem parar neste momento. Achei que fossem 10 horas da manhã, mas acabei de dar uma olhadinha na torre do campanário e percebi que faltam ainda 10 minutos. Imagino que deva haver uma missa daqui a 10 minutos. Os sinos aqui, como lá, em Esmeralda, chamam para a celebração.

Esmeralda, aliás, veio a minha mente outras vezes nesta semana. Fazia um bom tempo que eu não "vivia" mais essa troca do inverno para a primavera. Lembrei-se do quão legal isso pode ser. A janela do meu quarto lá em Esmeralda dava para uma macieira, que perdia todas as folhas no inverno. Por alguns anos eu tentava acompanhar a floração, mas em algum momento eu me distraía e quando menos esperava as folhas já estavam lá.

Aqui, no caminho para o curso de alemão, há várias árvores e arbustos sem folhas. Algumas já exibem brotinhos. Tenho acompanhado algumas em especial. Pena que so tenho mais uma semana de aula e depois só irei uma vez por semana para aqueles lados. E provavelmente minha cabeça estará tão ocupada com leituras e tarefas, que não me lembrarei mais de apreciar essa transformação.

As fotos com o celular não ficam muito boas. A câmera foca tudo menos os brotos...

Nos fins de semana, tenho conseguido fazer uma caminhada em uma área meio rural aqui perto do apartamento. É um lugar tão sereno. Hoje também vou. Só estou esperando a temperatura subir um pouquinho mais, pois, apesar do sol, lá fora está um gelo.

Nos quartos ao lado, meus colegas de apartamento ainda dormem.

 




terça-feira, 7 de março de 2017

Leveza, pelo menos por um instante

Hoje fui invadida por um sentimento tão bom.

Não sei se foram os brotinhos que começaram a aparecer nas árvores e arbustos (que observo com atenção especial), a prova de alemão que não foi muito difícil, a conversa boa com o professor de biblioteconomia da HdM ou o simples fato de estar realizando (finalmente) o sonho de fazer um intercâmbio, mas o dia está terminando de forma diferente dos outros dias.

Hoje acredito até que a dor, que se instalou em mim há quase um ano, vai passar.

O dia foi cheio de emoções. Começou com um café de boas-vindas na Hochschule der Medien. Conheci a Mariana, minha buddy, ou seja, a pessoa na universidade que se voluntariou para me ajudar com as coisas do dia a dia na Alemanha. Descobri que ela também é jornalista.

Depois fui conversar com o professor responsável pelos alunos estrangeiros. Seremos só eu e um francês neste semestre como alunos estrangeiros. Talvez façamos uma disciplina juntos. Eu tinha feito uma tabela com meus desejos. A maioria poderei cursar. Duas ainda dependerá dos professores, mas estou feliz por já ter uma ideia da minha programação no semestre.

Nem tive muito tempo de comer ou pensar antes de correr para a aula de alemão. Hoje ainda tínhamos prova! Quando cheguei, meu colega iraniano me olhou de forma desesperada. Ele é ótimo falando e se expressando em alemão, mas a parte escrita não é muito seu forte. Somos o oposto. Eu posso escrever muito melhor do que falar. Acabamos ajudando um ao outro.

No final da aula, minha barriga roncava tanto! Sai rápido da aula e resolvi me proporcionar um jantar. Escolhi um pequeno italiano perto de "casa". Eu era a única pessoa no pequeno restaurante. A comida estava deliciosa.

Para fechar o dia, tarefas de casa, um pouco de leitura do livro que peguei na biblioteca pública e descansar, pois amanhã o dia será novamente cheio.

:)

domingo, 5 de março de 2017

Redondezas

Hoje aproveitei o tempo bom, com sol e céu azul, para conhecer um pouco os arredores de Möhringen. Ao passar de metrô durante a semana eu havia observado que as pessoas caminhavam em uma área meio rural aqui perto. Pensei em fazer ali minhas caminhadas também. Tenho um plano de correr a meia maratona de Stuttgart em junho. Vamos ver se consigo. Lugar para treinar já tenho, agora basta me organizar.
Por ser domingo, havia muitas pessoas passeando por ali. É um lugar amplo e tranquilo. Caminhei até o bairro vizinho, que se chama Vaihingen, onde fiquei na semana passada. Aproveitei para tomar um suco e um café no único lugar aberto aos domingos. Foi muito bom. Eu havia planejado voltar de metrô, mas o clima estava tão bom, que decidi voltar pelo mesmo caminho. Foi uma escolha acertada. A volta parece que passa mais rápido. :)
Um bom início de domingo, que seguirá com estudo. 







sexta-feira, 3 de março de 2017

Trocos precisos

Sinto falta do Claudio, mas não muita do Rio ou do antigo trabalho. Também faz apenas um mês que isso ficou para trás.

Eu me sinto bem aqui na Alemanha, com horários certinhos, trocos precisos e regras claras. Gosto da aula de alemão começar sempre no horário certo, de a pausa não se estender mais do que os 15 minutos acordados, de as pessoas esperarem o sinal verde para atravessar a rua (praticamente todas fazem isso), de receber meu troco certo, sem ter que sempre perder alguns centavos.

Ainda continua bastante frio. Estou de camiseta neste momento, mas ao olhar pela janela, vejo as pessoas bem encasacadas. O celular me diz que faz 6 graus lá fora, mas à tarde tudo melhora, chegando a 15 graus!

Neste fim de semana pretendo ir a um evento na biblioteca, sobre Open Data. Vamos ver o quanto entenderei. Agora que já tenho registro na cidade, posso fazer meu cadastro na biblioteca e isso me deixa bem animada, pois o acervo é fantástico.

A professora de alemão briga diariamente conosco, pois não conseguimos decorar os respectivas preposições dos verbos. É realmente uma tragédia. :) Por isso, vou dar mais um revisada agora.