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Por um futuro melhor

Se por um lado estou cansada de fazer aula de alemão. Por outro, ter esta oportunidade de conhecer pessoas com histórias de vida tão diversas é um privilégio. Já havia sido nas outras oportunidades, mas meus colegas nunca tinham tido histórias de vida tão, digamos, atuais. Muitos da turma são refugiados que vieram para a Alemanha em busca de um futuro melhor. Há ainda os que vêm à Alemanha somente porque os pais estão pagando, mas isso mudou.

Na minha primeira experiência na Alemanha, há 19 anos, o cenário era muito diferente. Claro que influencia o fato de eu ter feito um curso supercaro na época, no Goethe-Institut em Frankfurt. Minhas colegas eram todas esposas de algum estrangeiro que estava no país para fazer algo temporariamente - um jornalista do Le Monde, um militar norte-americano, um inglês metido à besta que nem me lembro mais o que fazia, um funcionário de uma multinacional. O curso de alemão era um passatempo para muitas ali.

Agora, o cenário é outro. Aprender alemão defi…

A Páscoa

Enquanto cozinho um arroz para complementar meu jantar, resolvi escrever um post. Não tenho um tema específico para tratar hoje. Talvez possa contar que fui mais um vez a Colônia. Desta vez com um casal de amigos e o filho pequeno. Foi bem legal passar um tempo com eles.

Depois de anos pensando ter/ser uma família (no final, foi pegadinha do malandro), voltei a ser a amiga que acompanha a família das amigas. Este tem sido meu papel desde que saí de casa aos 17 anos. Acho que me encaixo com facilidade nas famílias dos outros. Gosto deste meu posto.

Escondi uns coelhos de páscoa ontem de manhã para o pequeno encontrar. Ele achou estranho só ter coelhos nas coisas dele.
T.: - Por que será que só havia coelhos nas minhas coisas?
Mãe: - Porque as outras pessoas aqui são adultos...
T.: - Então por que a tia Rafa não ganhou?

Morremos de rir. E aproveite para dizer:
- Isso mesmo, T. Só a mamãe e o papai são adultos aqui.

Minha tia Onira

Hoje morreu a minha tia e madrinha Onira. Estou aqui longe, sem nem saber o que fazer.

Lamento pela minha mãe, que deve estar com o coração partido. Sempre foram muito próximas. Acho que nos últimos anos a tia era a pessoa com quem ela falava diariamente e a quem via várias vezes durante a semana. Além de ser a irmã mais velha. Perder um irmão, imagino, dever ser algo bem doloroso.

Desde que me entendo por gente, a tia sempre esteve presente. Antes mesmo de eu ter alguma lembrança, eu costumava ficar em sua casa enquanto a minha mãe ia para a faculdade. Mais tarde, passava sempre uns dias das férias por lá. A tia sempre teve poucos recursos, mas lembro que quando íamos ao supermercado, ela sempre comprava uma balinha de caramelo para mim. Eu ficava feliz da vida. Era ainda na época pré-sacolinhas de plástico e me lembro que a tia sempre levava a própria sacola, que nas minhas lembranças era feita de napa.

Na adolescência, durante uns três ou quatro anos, eu costumava ir uma vez por se…

Curtinhas

Os dias de calorzinho foram bons, mas parece que amanhã poderá até nevar... Ainda estamos no inverno. É justo.

Hoje, depois do trabalho, dei uma passadinha na dm. Para quem nunca veio à Alemanha: por aqui existem duas grandes redes de drogaria, a dm e a Rossmann (algo como Wallgreens nos EUA e Shoppers no Canadá), onde se pode encontrar praticamente tudo que uma pessoa precisa para viver. De verdade. Há quem goste mais da dm, há quem prefira a Rossmann. Eu gosto das duas, mas tendo a ir mais à dm.

Sempre que a gente entra na dm/Rossmann, não consegue sair sem comprar alguma coisa. Hoje não foi diferente, mas eu tinha uma lista. Bom, comprei duas coisinhas a mais, mas estava precisando!!!

Nas primeiras semanas aqui, ainda sem acesso à internet, resolvi comprar um rádio. Foi a melhor decisão do ano. É realmente a melhor companhia. Sempre fico pensando como gostaria de ter trabalhado em uma rádio. Quem sabe ainda dá tempo.

As aulas têm sido interessantes. Neste mês, um dos professores re…

Equilíbrio

Desde que cheguei à Alemanha, tenho tomado semanalmente um comprimido de vitamina D. Nas primeiras semanas, a dose era cavalar: 50.000ui. A partir da nona semana, 7.000ui. Foi uma estratégia da minha médica para dar uma força nas taxas que andavam meio baixas. Toda terça-feira, às 20h, minha agenda me manda uma mensagem avisando.

Também tenho tomado direitinho a reposição de vitamina B12. Esta, uma vez por dia, ao acordar. A dose também é bem alta, mas como meu corpo não absorve sozinho a quantidade necessária, não tem jeito. A minha deficiência de B12 tem relação direta com o fato de eu ter ficado quase duas décadas sem comer carne vermelha. Não que eu tenha voltado a comer, mas agora consigo comer carne moída de vez em quando e (um pouquinho de) churrasco quando vou na casa do meu padrinho.

As duas vitaminas afetam diretamente o sistema nervoso. Por isso é bom que estejam equilibradas.

Eu cheguei a Münster em uma terça-feira, ou seja, estou aqui há 10 semanas. Minha rotina se altero…

Viagens, pássaros, brotos e cinema

Para alguém que gosta de fazer mil planos, só poder planejar o futuro bem próximo é algo meio angustiante. Hoje decidi sobre os próximos dois meses na Alemanha. Saber onde estarei e o que estarei fazendo nos próximos 60 dias (quase 80, de fato) me traz alguma tranquilidade. Minha rotina não deve se alterar muito, o que é bom e ruim.

Novidade (empolgante) é que há uma pequena viagem prevista para o começo de maio. Eu até me impressiono com a sensação que isso me causa, há uma reação não apenas emocional, mas física. É como se uma dose de energia fosse injetada no meu corpo. Taí, viajar é a minha "droga". Eu fico realmente eletrizada.

O frio parece que foi embora, por enquanto. É bom poder andar nas ruas sem ter que esconder as mãos e o rosto do vento que parecer cortar a pele. O que mais me impressionou nos últimos dias foi o canto dos pássaros. Ou eu estava surda até agora ou eles realmente só chegaram a Münster nos últimos dois dias. Estão superempolgados (acabaram de chega…

Curso de alemão

Eu já perdi as contas de quantos cursos de alemão frequentei até hoje. Às vezes sinto vergonha de dizer há quanto tempo aprendo alemão, mas fazer o quê... Faz bastante tempo mesmo.

Comecei ainda no século passado, em 1999. Posso dizer que falo alemão desde 2000, mas dominar a língua... Acho que somente em umas três vidas. E olha lá!

Nesses 18 anos, posso dizer que em uns 10 usei o alemão em algum momento. Em muitos deles, me submeti a cursos. Sempre aprendo alguma coisa nova e sempre percebo o quanto esqueci ou não usei outras tantas.

Admiro (invejo e, às vezes, sinto raiva de) quem consegue dizer sem medo que domina uma língua estrangeira. Assim sem receios. Eu sempre fico meio insegura para dizer que falo esta ou aquela língua. 

Sinto-me segura quando digo que falo português, mas logo me lembro dos textos que tive que ler no doutorado e não entendi patavinas... Todos em português, obviamente.

Sigo em frente nesta talvez última tentativa de me sentir confortável com este idioma bonito, l…