quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Ruídos

O canto solitário de um passarinho em uma árvore próxima à janela do escritório me leva de volta aos anos 1980, quando visitávamos o sítio dos avós.

Músicas também têm esse poder de fazer a mente viajar por décadas.

Levam-me de volta ao passado, mas fato é que eu não tenho vontade de voltar lá. Só assim, por alguns segundos.

Hoje li um texto interessante sobre idade, motivado por uma montagem em que a Vera Fischer aparecia em uma foto atual, aos 63 anos e sem qualquer produção, e em outra realizada em condições de estúdio há muitos anos.

Concordo com a Cora Rónai, autora do texto. Estou de saco cheio dessa história de não podermos mais ter a idade que temos, com tudo o que isso acarreta. Nunca entendi pessoas que mentem a idade. Acho tão sem propósito. Como se desse para ocultar de nós mesmos o passar dos anos. Eu sou feliz com a minha idade, não tenho a menor vontade de voltar no tempo. Até me dá um certo cansaço pensar em ter que viver de novo as fases que já vivi, mesmo as excelentes. A alternativa para não envelhecer é a morte. Já senti muitas vezes vontade de dizer para algumas pessoas de 20 e poucos anos que se lamentam por estarem velhas: se mate, então! Isso é meio radical, mas é que cansa essa conversa de querer parar no tempo.

Eu sinto no meu corpo o passar do tempo, mas isso me serve para ver o quanto estou bem. Não o contrário.

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