segunda-feira, 15 de maio de 2017

Detalhes do dia a dia



Hoje de manhã fui comprar um café na padaria do supermercado que fica aqui ao lado do alojamento estudantil - um dos pequenos luxos que me permito - e comentei com a atendente que os biscoitos que vêm junto ao café são deliciosos. Em seguida perguntei se eram vendidos. Ela falou que não, que são usados apenas para acompanhar o café e perguntou se eu queria mais alguns. Falei que poderia ter mais um. Ela pegou uma mão cheia e colocou no topo da tampa do meu café. Saí de lá feliz.

Para espantar a solidão dos domingos, ontem fui assistir ao concerto do dia das mães, que foi realizado na Bürgerhaus, que fica aqui pertinho. Saí de casa e em três minutos já estava lá, sentada em meio a senhores e senhorinhas formalmente vestidos. Havia também famílias, mas em maior número eram os casais de idosos. Muitos deles com seus andadores. Cerca de 400 pessoas se programaram para assistir à apresentação no domingo chuvoso. Foi bem bonito. O maestro era muito engraçado. Fiquei feliz por ter ido.

Algo que acho muito legal aqui é que os idosos são bastante ativos, mesmo aqueles com algumas limitações. É bastante comum vê-los com seus andadores (onde podem guardar seus pertences e usar como banco se necessário) por todos os lados. Claro que ter um sistema de transporte que os respeita deve ajudar.

Como em qualquer cidade grande, sempre há mil coisas ocorrendo aqui em Stuttgart. Aqui mesmo em Möhringen, meu pequeno bairro, há muitas associações com programação variada, desde espetáculos até aulas de ginástica, yoga, clubes de leitura... As bibliotecas também oferecem sempre um programação rica e variada. Eu mesma já fui a pelo menos quatro palestras interessantes sobre tecnologia. O Rio, como cidade grande, também oferece muitas coisas, mas aqui acho mais fácil ir, talvez por ser tão fácil se deslocar pela cidade, talvez por me sentir segura.

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Mais cedo li o relato de uma moça, mãe e pesquisadora, que resolveu fazer um experimento no Tinder. É assustador como mulheres que tiveram filhos e agora são solteiras são tratadas por homens. Não acho que tenhamos piorado, pois o machismo sempre existiu. Duro é ver que não há perspectiva de isso terminar, que homens de 20 e poucos conseguem ter discurso de homens das cavernas.

Há também uma enorme falta de empatia entre mulheres, o que acho ainda mais chocante, mas não me surpreendente.

Acabei me lembrando de um episódio que vivi há uns 10 anos. Há muito tempo eu sei que não era por mal, mas logo que comecei a namorar com o C. era comum meu nome ser trocado pelo da ex. Óbvio que eu não gostava disso e isso rendeu algumas chateações, depois superadas. Pior que isso, porém, logo depois de um desses episódios, foi ir a um almoço familiar e ter que ouvir uma amiga da família contar a história de uma moça que se chateava porque a família continuava adorando a ex de alguém e que ela não estava nem aí, pois iria continuar falando sobre ela e usando o nome quando bem entendesse etc. Pode parecer nada, mas lembro de achar aquilo um tanto gratuito. Foi uma falta de empatia com a moça citada e comigo, pois era meio óbvio que minha questão havia sido assunto entre quem comentou e alguém da família.

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