sexta-feira, 27 de março de 2026

Livro novo e dor de garganta

 Eu não sei explicar bem o porquê, mas tenho uma quedinha por dias nublados. Obviamente, eu adoro os dias de sol, mas sinto uma tranquilidade nos dias em que amanhece meio escuro, o que é uma sorte, dado que aqui acontecem muitos dias escuros durante meses. Eu me dei conta disso nesta semana ao olhar com um olhar alegre a chuvinha que havia começado a cair logo depois de chegar ao trabalho.

Eu comecei a ler um livro (So, I met this guy), escrito por uma autora que eu sei que tem mais ou menos a minha idade (Alexandra Potter). As protagonistas têm 26 e 49 anos. É curioso ver como a de 49 é tratada quase como uma anciã em algumas cenas. Eu entendo que 26 é praticamente a metade da idade e tudo que significa ter 26 anos na vida. Bom, também estou sabendo como é ter quase 50, com meus calorões, o corpo que se transforma dia a dia e minha memória deixando um pouco a desejar.

Estava desde dezembro sem ficar com dor de garganta. No verão brasileiro, ficamos meio impactados pelo ar-condicionado frio e pelo calor lá fora. Tinha ficado bem até agora, apesar do inverno. Isso até segunda-feira. "Do nada", o T. sempre ri quando falo isso, minha garganta começou a doer. Em questão de duas horas, eu estava mal. E assim foi até ontem, tentando ignorar. Ontem, eu fui para o trabalho, ao chegar lá, sem voz, minhas colegas me mandaram para casa imediatamente. E aí percebi o quanto estava mal, precisando simplesmente dormir. Foi o que fiz a tarde toda. Precisei cancelar todos os meus compromissos da noite, o que é sempre ruim, pois nem sempre consigo encontrar outros horários para repô-los.


quinta-feira, 12 de março de 2026

Pensamentos soltos

Mesmo depois de todos esses anos aqui na Alemanha e de tantos anos aprendendo alemão, tenho um leve momento de deslumbramento toda vez que me pego assistindo a uma palestra, cercada de alemães. Eu não sei explicar, mas fico fascinada por estar no meio de tantas pessoas que falam, entendem e têm como língua materna um idioma tão diverso do meu. Fico fascinada com essa coisa de falarmos diferentes línguas no planeta. Também fico assim quando vejo um grupo de estrangeiros no trem, por exemplo, falando alguma língua que não conheço e de que não faço a menor ideia de qual seja. Uma grande viagem, não?

De uns dias para cá, sei lá por quê, resolvi que queria aprender mais sobre ayurveda. Estou fazendo um pequeno curso de introdução que encontrei na web. Estou gostando. Eu queria alterar um pouco minha alimentação. Estou achando interessante. Vamos ver a que isso tudo me levará.

Nas últimas duas semanas, têm feito dias lindos de primavera. As flores já tomam conta dos gramados, das sacadas e de alguns logradouros públicos. A primavera, para mim, é como se fosse sempre uma nova chance de renascer, de começar de novo, de tentar fazer tudo de uma maneira melhor. Seria quase como aquela sensação que temos quando se inicia o ano. No meu caso, ela é muito mais forte na chegada da primavera.

A partir deste mês, eu poderei trabalhar um dia de casa. É tão boa a ideia de não precisar levantar cedo e me deslocar em pelo menos um dia da semana. Naturalmente, já tenho altos planos de como aproveitar as duas horas que vou ganhar.

Sigo firme no meu curso de algoritimos. Estou começando um novo módulo, o quarto de cinco. Devagarinho, devagarinho, mas um pouco mais de conhecimento a cada semana.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

2026: o que eu gostaria?

Eu gostaria de melhorar meu italiano, não apenas com o curso semanal, mas com um intensivo na Itália

Eu gostaria de viajar ao Brasil e passar uma semana na Lapinha com a minha mãe e com a minha irmã. Ou talvez em alguma praia

Eu gostaria de aproveitar melhor meus dias e não viver na pressa

Eu gostaria de ver filmes

Eu gostaria de ler livros

Eu gostaria de fazer viagens curtas, de três quatro dias a lugares perto

Eu gostaria de terminar o curso de algoritmos

Eu gostaria de me alimentar melhor, de aprender a cozinhar pratos gostosos, de convidar amigos para comer em casa

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

2025

 2025 foi um ano tranquilo, pelo menos é esta a sensação que deixou. É engraçado pensar assim, dado que foi repleto de decisões importantes, de grandes mudanças. Troquei de emprego, de casa, de cidade. Ainda assim, foi tudo sem estresse, da maneira que tinha que ser, com desejo grande de mudar. 

2025 teve várias viagens, o que é algo que faz o ano ser positivo. Conheci três capitais novas: Viena, Copenhague e Bratislava. Fui duas vezes ao Brasil, sendo que a segunda vez por cinco semanas! Acho que nunca tinha tirado cinco semanas de férias. Passei o Natal com a minha família, algo de que nem me lembro quando foi a última vez.

A mãe veio nos visitar para ajudar na mudança e foi conosco para Copenhague. Foi ótimo. Também passou o aniversário de 82 anos aqui. 

Em 2025, segui fazendo terapia, o que tem me ajudado muito a analisar umas coisas que me incomodam há muitos anos.

Sigo aprendendo italiano, que está cada vez mais complicado. E estou fazendo minhas aulas de inglês para não me esquecer de vez.

Também investi algum tempo nas minhas aulas de programação em 2025, mas ainda estou longe de saber alguma coisa, infelizmente. Quem dera tivesse mais tempo. 

quinta-feira, 4 de setembro de 2025

Setembro 2025

A vida parece ter tomado uma velocidade tao alta nos últimos meses, que eu nunca mais tive tempo para dedicar ao blog ou a ler blogs amigos. Nao que agora tenha muito tempo sobrando no momento, mas acho que vou me alegrar no futuro se tiver este post para ler.

2025 tem sido um ano muito bom.

Também tem sido um ano de mudancas. Mudei de cidade, de casa, de emprego. Um mundo de novidades. Ainda estou me acostumando a todas elas.

O novo trabalho é diferente, mas igual. Trabalhar em biblioteca acaba sendo meio parecido, eu acho. Quando nao mudamos de profissao, acho que mudar apenas de local de trabalho acaba acarretando poucas mudancas de verdade. Nao estou mais trabalhando com livros impressos, como fazia em Heidelberg. Agora, estou mais dedicada a livros e recursos eletrônicos. Estou gostando. Ainda estou aprendendo, é claro.

Passei a ter duas cidades: a em que trabalho e a em que vivo. Gosto das duas. Karlsruhe é uma cidade maior que Heidelberg, tem mais coisas para fazer, mais lojas, mais museus, mais tudo. Porém, fico aqui apenas nas horas de trabalho. Já vim algumas vezes no fim de semana, mas ainda nao consegui ver tudo que gostaria.

Aliás, em algumas semanas, tenho a impressao de que estou apenas cumprindo pontos da minha agenda. Isso é algo que gostaria de melhorar, para ter uma sensacao de estar aproveitando a vida também durante a semana e nao apenas quando estou de folga ou de férias.

Estamos conseguindo cozinhar bastante em casa e nos alimentar melhor. Isso me deixa sempre feliz. Também estamos ajustando bem as idas à academia. Aliás, estou indo à academia que eu sempre sonhava frequentar.

Chegamos novamente a setembro, meu mês preferido.

Hoje vou cortar meu cabelo. Encontrei, muito por acaso, um salao que tem uma brasileira. Faz quase um ano que nao corto o cabelo. Está enorme!

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

Anotações curtas

Viagens:

 

Eu não fiz uma conta superprecisa, mas calculei que no ano passado dormi pelo menos 90 noites em hotéis, albergues ou visitando amigos. Praticamente três meses de viagens. Quando comecei a contar, não achei que seriam tantos dias.

 

Ano passado estive em 11 países: Alemanha, Áustria, Estados Unidos (escala), México, França, Bélgica, Países Baixos, Itália, Brasil, Argentina (apenas atravessei a fronteira para ir ao parque das cataratas) e Suíça. Tirando o México, todos países em que eu já havia estado. Neste ano, gostaria de visitar alguns novos. Vamos ver como será.

 

Planos tenho muitos, mas provavelmente começarei com o Brasil mesmo.

 

Cabelo:

 

Depois de várias tentativas frustradas, estou conseguindo lavar meu cabelo a cada dois dias. Por muitos anos da minha vida, se eu fizesse isso, ficaria com o cabelo oleoso assim que pisasse para fora de casa. Agora, há dias e dias, mas, no geral, está dando certo.

 

Aliás, meu cabelo está enorme – especialmente em comparação com os últimos dois anos, quando ainda estava bem curtinho após ter caído completamente.

 

Estou pensando em deixar crescer até eu não aguentar mais. Vamos ver como ele se comporta. Agora, os cachos aparecem quando não uso o secador. Parece ter mais volume, mas na frente ainda é mais ralo. Como era antes de cair. Eu tive um momento de esperança quando ele começou a crescer, mas não demorou a ficar parecido com o que era antes.

 

Mudança:

 

Um pouco inspirada pelo meu mapa solar, neste ano, ou melhor, já no final do ano passado, resolvi arriscar um pouco. Resultado: haverá muitas mudanças em 2025.

 

Estudos:

 

Nem eu mesmo acredito quando vejo que o curso de Data Librarian que fiz em Colônia já passou. Foram nove meses que demoraram para passar, mas que ao mesmo tempo passaram voando. O curso terminou em setembro. Desde então, tenho me dedicado a aprender sobre vários outros assuntos ligados à tecnologia. Atualmente, estou terminando um curso de banco de dados. Estou bem empolgada, apesar da falta de tempo para me dedicar como gostaria.

quinta-feira, 19 de setembro de 2024

Olá, mundo!

 Estou há tanto sem escrever aqui ou sem visitar os blogs amigos, mas sempre penso no blog e sinto falta. Aconteceu tanta coisa nos últimos meses. Tirei férias tantas vezes, fiz várias viagens, vários passeios, até um tour de bike. 

Estou me preparando para mais duas semanas de férias. Esse montao de férias é ainda da época em que estive doente. É tao bom ser rica em dias de férias. Bom, depois dessas duas semanas nao serei mais, mas posso dizer que foi maravilhoso tirar praticamente 10 semanas de férias.

Amanhä é meu aniversário. Eu amo fazer aniversário. Nao só porque se ganha presentes e votos de felicidade, mas porque é realmente um privilégio completar mais um ano, estar por aqui por mais um ano. Quero estar ainda por tantos.

Comecei a fazer um curso de html5 e css3. Eu já havia aprendido isso em 2008, mas esqueci quase tudo. Estou adorando. A motivacao para aprender de novo foi o curso de Data Librarian que fiz. Aprendi a programar - um pouquinho - em python e resolvi resgatar o que eu já sabia de linguagem de representacao de dados na web. Estou feliz. 

quarta-feira, 12 de junho de 2024

Fui ali, mas já voltei

 Apenas para dizer que este blog ainda existe, um rápido post. :-) 

Estive de férias. Duas vezes. Duas semanas em abril e depois duas semanas em maio. 

As duas semanas em abril foram perfeitas, aproveitamos muito. Meu irmao e minha cunhadas vieram para estes lados e fizemos um tour por quatro capitais: Paris, Bruxelas, Amsterdä e Roma. Foi tao bom. Sinto saudades até, apesar de ter sido há pouco.

As duas semanas em maio acabaram virando apenas 9 dias. Quase no dia da viagem, eu comecei a me sentir estranha, aparacerem vários pontos vermelhos no meu corpo. Quando já estava prestes a jogar colchäo, lencóis e afins pela janela quase, achando que tinha trazido percevejos das férias, fui ao hospital e descobri que estava com... pasmem... catapora! 

Resultado: tive que adiar a viagem ao Brasil. Namorado e 7 pessoas da família embarcaram e eu fiquei vendo Friends em casa até deixar de ser contagiosa. :-) Nem foi tao ruim, mas eu preferia ter ido com eles, obviamente. Bom, T. se virou direitinho. Viva as aulas de português e seu empenho em aprender. Acho que eles até curtiram mais o Rio sem a minha companhia medrosa.

Passamos dias maravilhosos em Florianópolis, revi amigas. Foi ótimo. Só muito curta a viagem.

As criancas adoraram especialmente as praias e os restaurantes a quilo. Quando chegamos no Galeao para voltar pra Alemanha, precisava ver a alegria dos pequenos quando confirmei que havia mesmo um quilo na praca de alimentacao. :-) Bom, confesso que eu também sinto falta de um restaurante por peso.

Uma novidade pós-viagem é que comecei a fazer terapia. Fiz duas sessoes até agora e estou feliz por ter comecado. 

Também voltei à academia, Nem sempre quero ir, mas fico feliz quando consigo.  

sexta-feira, 1 de março de 2024

Piscamos e já estamos em março!

Em dezembro, no começo do mês, eu comecei um post que nunca publiquei. Fiquei com pena de apagar. Entao começo este post com estes três parágrafos: 

Hoje de manhä, quando estava no bonde, tocou uma música que me deixou alegre. Eu raramente ando ouvindo música, mas hoje estava precisando. Foi bom.

Ontem eu consegui ir de bicicleta para o trabalho, mas hoje resolvi vir de bonde porque há previsao de chuva. No verao, a chuva nao me assusta, mas no inverno já tem o frio. Se tiver chuva ainda, é um pouco demais. 

Amanhä teremos a festa de Natal no trabalho. Quase ninguém da biblioteca vai. Acho meio triste, mas confesso que até eu mesma estou com preguica de ir.  

***

Agora já é março!

Que quase já nem lembro o que fiz nos dois primeiros meses. Janeiro parece que passou voando. Tínhamos tantos compromissos bons. 
Fomos a uma festa de aniversário de "80 anos", ou melhor dizendo, de duas pessoas que completavam 40 anos. Dancei como há muito nao fazia. Foi maravilhoso! T. foi dormir e eu fiquei com uma meia dúzia dancando sucessos alemaes dos anos 80. Algumas coisas eu conhecia. Outras foram belas surpresas. Quando cansei, fui para uma salinha ao lado da pista, onde um grupo de mulheres conversava animadamente. Fiquei por ali mais uma meia horinha. Foi uma noite bem feliz.

Também fizemos uma viagem à Áustria para comprar umas cadeiras. Quando vimos as tais cadeiras em um café, nos apaixonamos. Depois descobrimos que elas eram vendidas somente na Áustria. Planejamos que iríamos buscá-las. Demorou um tempinho, mas em janeiro fomos lá. Aproveitamos para passear por duas cidades no caminho. 

Feveiro foi um mês mais pesado. Respiro fundo agora, pensando como as coisas estao melhores. Eu precisei fazer dois exames. Um deles, deu um resultado ruim. Fiquei muito apreensiva durante semanas, até fazer um segundo exame, que apresentou um resultado melhor. 

Março foi um mês bastante esperado, pois temos uma viagem, um casamento, depois um fim de semana num pequeno paraíso (que reservamos em janeiro de 2023!). A primavera está chegando, o que sempre me faz tao bem. Perspectiva de dias menos frios e mais longos. 
 


terça-feira, 5 de dezembro de 2023

Pequenos comentários

No curso de italiano, de vez em quando, escutamos algumas músicas. Uma delas foi “L'isola che non c'è”, de Edoardo Bennato, música que ouvi hoje no rádio agora há pouco e me lembrei das últimas férias. Estava ao balcão de uma padaria em Pádua, esperando para comprar um café e um croissant, quando ela começou a tocar. Eu fiquei contente por tê-la reconhecido.

Com os dias ficando cada vez mais frios, estou pensando em trabalhar alguns dias de casa. Hoje, um colega do setor de TI reinstalou o acesso em meu novo computador. Mencionei que a minha câmera estava estragada. Ele pediu para olhar e chegamos à conclusão de que estava simplesmente fechada. Eu ri. Uma coisa tão boba. Eu já estava prestes a encomendar uma câmera externa.

 

No ano passado, a mãe estava aqui. Eu estava doente e não sinto saudades disso, mas sinto falta de passearmos juntas por aqui. Antes de eu passar pela minha cirurgia, fomos algumas vezes a diferentes mercados de natal.

 

Já faz tanto tempo que lojas e casas estão enfeitadas, que parece que o natal já está logo ali. Dezembro ainda nem começou. Amanha já podemos abrir nossos calendários do advento. Penso em comprar um nos próximos dias, quando passam a ser vendidos com um bom desconto.

 

Hoje li que uma atriz de Barrados no Baile está com um câncer incurável. Há alguns anos, ela teve câncer de mama. Ler esse tipo de notícia me dá um aperto no coração. Ninguém consegue prever o futuro, eu não sei se ficarei doente de novo, mas sinto uma angústia.

sábado, 4 de novembro de 2023

Uma viagem ao frio

Estou no Brasil faz três dias. Depois de quase 30 horas de viagem, cheguei à casa da minha mãe. No dia em que peguei o avião na Alemanha, ela me escreveu contando que estava com covid, havia feito o teste uns minutos antes. Fiquei em um dilema, sobre ir para um hotel nos primeiros dias ou vir direto para casa. Afinal, ela precisava de alguém para lhe cuidar.

Acabei vindo para casa. Estamos as duas de máscara, conversando de longe. Comprei máscaras, álcool em gel, luvas descartáveis e testes. No primeiro teste, a marquinha estava bem forte. No de hoje, ainda aparece, mas bem mais fraca. Eu continuo ilesa e espero que continue assim. 

***

Eu planejei essa viagem lá por agosto. Gostaria de fazer uma pequena viagem com a minha mãe. Inicialmente, havia pensado no Uruguai, mas ela não estava muito bem e acabei não programando nada. No final, foi até melhor. Se ela melhorar até a semana que vem e se eu não estiver infectada, pensamos em ir a Gramado. Vamos ver se vai dar. 

Nesta semana, vou à médica aqui. Quero fazer todos os exames de sangue possíveis, tudo que na Alemanha é tão difícil.

Eu tinha planos de visitar algumas amigas, mas cancelei tudo. Acho que desta vez ficarei mesmo somente por aqui.

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O gato da minha mãe é totalmente dedicado a ela. Fico impressionada. Quando tínhamos a Mima, sempre que eu ou a minha irmã vínhamos para cá, ela simplesmente ignorava a minha mãe e só ficara ao nosso redor. Agora, o Fafá é que faz isso, mas com ela. Não está nem aí para quem chega. Afinal, no resto do tempo são só os dois em casa. 

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Está um frio danado aqui. Quando perguntei pra minha mãe, ela me disse: está quente... Agora estou aqui com os pés gelados. Tomara que melhore.


Às vezes, parece ser melhor ser alienada

Escrevi os primeiros dois parágrafos faz um tempão, acho que um mês:

O mundo está sempre em uma convulsão louca, mas há momentos em que parece que piora. Confesso que estou preferindo viver de forma alienada, dentro do possível. Não que em algum momento eu tenha tomado conhecimento mais aprofundado sobre temas de política global. Acesso diariamente pelo menos seis jornais diferentes, do Brasil e da Alemanha, mas o que obtenho são apenas informações superficiais, que já me deixam muito nervosa.

***

Estive de férias por duas semanas. Voltei bem descansada ao trabalho. Na primeira semana, fui para o norte da Itália. Viajei de trem, via Munique e Innsbruck. Que viagem linda de trem. Há momentos em que parece que você está dentro de um daqueles filmes bem feitos de turismo, com montanhas ao fundo, casas bonitas com flores nas janelas, vaquinhas pastando no verde.

quinta-feira, 21 de setembro de 2023

Elucubracoes sobre uma muda de roupa

Hoje estou vestindo a mesma roupa de cinco anos e pouco atrás, a mesma que usei para a entrevista de emprego na biblioteca. É quase como uma roupa de ir à missa. Simples, mas na qual me sinto bem. Nada aperta, não é quente e não é tão fresca. Ou seja, boa para um dia de aniversário.

Ao perceber minha escolha, pensei em várias coisas.

Primeiro: em cinco anos não comprei nada que substituísse essa dupla de calça e blusa. A calça comprei no dia da entrevista, umas horas antes. A blusa ganhei de uma ex-sogra. Ela havia recebido um presente de uma loja cara no Rio que só vendia tamanhos pequenos. Como não conseguiu encontrar nada para ela, me deu a roupa para trocar por algo para mim. Eu não sou muito consumista, tenho poucas roupas, mas todas bem simples. Se fosse convidada para algo mais chique hoje, provavelmente não teria algo mais requintado para usar. De qualquer forma, diria que meu guarda-roupa é adequado ao meu (baixo) nível de cuidados com as roupas.

Segundo: constatar que minha “roupa de ir à missa” está em ótimo estado e já tem cinco anos e meio me ligou o alerta. Aquela coisa de guardar as loucas bonitas para as visitas, sabem? Por que deixo essa roupa para usar somente quando acho que a situação é especial? Quando ela, na verdade, não tem nada de tão especial assim. Hoje de manhã quase fui na direção do jeans com camiseta, mas depois de segundos de indecisão, considerei que poderia usar as duas peças. Afinal, hoje é um dia especial.

Terceiro: tive um momento de felicidade ao perceber que, apesar de tudo que passei, minhas roupas sempre me servem.

quarta-feira, 30 de agosto de 2023

Diversos

Hoje fui ao dermatologista, minha primeira vez aqui. Bom, a consulta foi relâmpago como a de qualquer outro médico. Eles parecem sempre estar com muita pressa, mesmo que nao haja mais pacientes a serem atendidos. Dois médicos olharam todas as pintas e marcas do meu corpo. Chegaram à conclusao de quem nao há nada de errado na pele. Apesar disso, quiseram fotografar uma mancha no pé. Ela já está ali há pelo menos 20 anos. Daqui a dois anos, quando eu voltar para novo controle, usam a foto para ver se houve modificacao.

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Coloquei recentemente dois lembretes na minha mesa do trabalho: 

    1. Lembre-se de tomar água!

    2. Faça tudo mais devagar, com mais atençao. 

Esse segundo ponto tem sido minha meta nas últimas semanas. Fazer tudo mais devagar. Pra que a pressa?! Eu costumo andar rápido na rua, trabalhar rápido, limpar a casa rápido. Comecei a me questionar para quê? Grande parte das coisas posso fazer mais devagar, olhando ao redor talvez, respirando. 

***

Há algumas semanas, o gramado aqui do trabalho parecia ter morrido. Dava para ver a terra preta, como se tivesse sido incendiada. Agora, depois de um mês de chuva, tudo já está verdinho de novo.

***

Outros hábitos que gostaria de desenvolver seriam:

- comer uma fruta pelo menos todos os dias

- passar protetor solar no rosto e nas mäos mais de uma vez por dia. Passo pela manhä e acho que deveria passar pelo menos depois do almöco

- aprender algumas palavras novas todos os dias, em qualquer idioma

 

sexta-feira, 11 de agosto de 2023

Com trilha sonora

Eu adoro ouvir rádio. Foi o primeiro objeto que comprei ao me mudar para a Alemanha em 2018. Não sei por que demorei tanto para comprar um para o trabalho. O bibliotecário anterior tinha um. No último dia, ele me disse: vou lhe deixar a chaleira elétrica, mas levarei o rádio. Nos últimos cinco anos, ouço música na internet, com fones. Mês passado, porém, tomei a decisão de comprar um radinho, que não usa pilhas, mas tem uma bateria recarregável via cabo usb. Ah, a modernidade. Agora, posso ouvir música, notícias e comerciais sem precisar de fones. Tao libertador. 

*** 

Uma vizinha do T. fez aniversário nesta semana. 65 anos. E decidiu comemorar com 65 horas de programação. Eu achei a ideia genial. Não são 65 horas ininterruptas, mas 65 horas divididas em vários eventos. Estou feliz por ter chegado a sexta-feira e poder ir a Baden-Baden para comemorar um pouco com o grupo. Hoje, haverá um churrasquinho. Amanha, uma visita a uma emissora de tv e rádio, a SWR, e mais tarde, cinema ao ar livre. O presente planejado pelos vizinhos compreende 12 encontros, cada mês um vizinho fará algo com ela. Em setembro, iremos a um winebar juntos.

Aliás, presentear experiências é uma prática bem comum aqui. Dado que todo mundo tem ou pode comprar praticamente tudo que quer, presentear coisas não faz muito sentido. Ultimamente tentamos dar presentes que nos incluem também, passar um tempo com a pessoa. Ano passado, fomos a um musical com os pais do T. Neste ano, fomos ao cinema com o sobrinho do meio. Todos ficamos bem felizes. 

*** 

Parece que o verão resolveu voltar por mais um pouco. A partir de hoje, depois de quatro semanas de chuva, será um pouco mais quentinho. Ainda bem! Eu terei uma semana de férias no final do mês e estou superanimada. Feliz porque fará calor. 

*** 

Meu cabelo está crescendo... e encaracolando. Estou achando lindo!

segunda-feira, 24 de julho de 2023

Vida de trabalhadora :)

A diferença para uma pessoa “normal” e uma que teve câncer é que a primeira não vai pensar que está tendo uma metástase a cada dor diferente que sentir. 

Eu voltei a trabalhar em tempo integral desde segunda-feira. Nas oito semanas anteriores, fui aumentando meu tempo gradualmente. Comecei com três horas e meia por três dias na primeira semana até chegar a seis horas por cinco dias na oitava semana. Foi bom ter feito assim, pois meu corpo foi se acostumando gradualmente ao ficar sentada, ao olhar o computador por horas, às idas e vindas de bike até o trabalho. Também foi um período necessário para me lembrar quais eram os comandos que usava para realizar algum tipo de tarefa – alguns estavam bem escondidos na minha memória. 

Nesse período, recebemos um ventilador para tentar combater o calorão que estamos vivendo. Confesso que depois de tantos anos no Rio nem acho tão quente assim, mas há dias que são mais difíceis. De qualquer forma, eu adoro o verão. Eu gostaria de fazer comentários/avaliações no Google sobre os lugares que visitei nas últimas semanas, mas não estou conseguindo encontrar o tempo para isso.

Outra novidade é que comprei um rádio. Gosto de ouvir música enquanto trabalho e usar fones acho tão desagradável.  

Desde que voltei a trabalhar em tempo integral e desde que faço ginástica e musculação duas vezes por semana, meus fins de tarde têm ficado meio curtos. Noto que estou indo dormir mais tarde do que gostaria também. 

Eu durmo rápido, para minha sorte, mas nem sempre tenho vontade de sair da cama tão cedo. Tenho acordado sempre às 6h45, mas talvez pudesse dormir até as 7h30 sem problemas. Eu só preciso estar no trabalho às 9h, mas sempre chego às 8h30, porque simplesmente não tenho mais nada para fazer em casa e vou para o trabalho.

Estou planejando três viagens ao mesmo tempo. Isso para mim é a pura felicidade.

segunda-feira, 26 de junho de 2023

Festa de verão

No último domingo, fizemos uma festinha aqui no prédio. Temos um grupo de WhatsApp e por ali trocamos avisos, pedimos ajudas (para alguém esperar por um pacote, receber flores, emprestar algo) e organizamos esses encontros de tempos em tempos.

Uma particularidade do meu prédio* é que nos mudamos todos no mesmo dia. O prédio é de 1890, mas foi comprado por uma instituição ligada à prefeitura e totalmente reformado internamente. A fachada é a mesma, mas dentro renovaram bem. No meu apartamento, ainda há as portas e janelas originais, que dão um ar bonito à construção. 

Quando a reforma ficou pronta, viemos todos juntos. Imagina a quantidade de caixas de papelão que havia no lixo! Levamos semanas para que a lixeira pudesse ser usada de forma regular. 

Já houve umas quatro ou cinco festinhas e mercados de pulgas. Eu participei até agora somente de duas, pois nas outras não estava em casa. Com exceção de quatro moradores, eu incluída, todos têm entre 25 e 30 anos. No ano passado, um casal teve o primeiro bebê. Por enquanto, a única criança por aqui.

Os encontros são bem animados e tranquilos ao mesmo tempo. Eu acho uma ótima oportunidade para conhecer um pouco mais dos vizinhos, falar dos nossos problemas comuns enquanto inquilinos e passar umas horas agradáveis em nosso pátio. 


* Meu prédio não é o único no terreno. Ele fica no pátio interno, mas há também um de frente para a rua e ainda mais dois apartamentos em cima de uma marcenaria que ocupa o térreo. Ao todo, são 14 apartamentos pequenos - ontem, havia pessoas de 10 apartamentos e mais uma funcionária da marcenaria. Do meu prédio, dos seis, estávamos em cinco, mas a sexta moradora nos deu um oi antes de sair com o namorado. 


quarta-feira, 21 de junho de 2023

Ah, o verão

Esperamos tanto tempo pelo verão. Aí ele chega e ficamos esgotados pelo calor, querendo que ele não seja tão forte e longo. Às vezes, fico pensando como aguentei o verão no Rio por tantos anos. Aqui, quando a temperatura chega a 27, 28 graus, já estou no meu limite. Uma amiga brasileira me visitou na última semana e me disse que o calor é diferente. Aqui é seco, o que torna mais difícil. 

Tirando os desconfortos, eu gosto do verão. Fico feliz ao sair de casa de mangas curtas. 

Por sorte, já tenho um ventilador em casa. Lembro que no ano passado, ele foi fundamental. 

***

Sinto calafrios só de pensar nos cinco malucos que estão dentro desse submarino que desapareceu ao fazer uma excursão até o Titanic. Entrar em um submarino é algo que não tenho a menor vontade. 

***

Depois de Lindau, fizemos mais duas viagens! Isso me mantém viva. Fomos a Basel e fizemos um tour de bike ao longo do Kinzig. Basel foi a primeira cidade suíça que visitei. Gostei bastante da atmosfera da cidade, mas nos sentimos bem pobres. A Suíça é bem cara para quem mora na Alemanha. De qualquer forma, comemos bem, passeamos bastante e até fizemos umas comprinhas. Um dos lugares que visitamos foi a fronteira tríplice - Alemanha, Suíça e Franca.

Duas semanas depois, aproveitando outro feriadão, fizemos nosso primeiro tour de bike depois da doença. Eu estava um pouco insegura e curiosa para saber como meu corpo reagiria. Deu tudo certo! Que viagem gostosa e experiência boa. Passamos por cidades tão bonitas. 

***

Ir e vir de bicicleta é uma coisa que me alegra sempre. Eu me sinto livre. Já faz três semanas que tenho usado minha bike para ir à biblioteca.

terça-feira, 16 de maio de 2023

Lindau

Como tinha ainda uma semana livre antes de voltar ao trabalho, resolvi fazer o que mais gosto: viajar. Planejei, reservei e... os funcionários da empresa de trens alemã resolveram fazer uma greve. Lá fui eu cancelar o hotel e ficar frustrada. No final, algum órgão jurídico decidiu que não poderia haver greve. Reservei o hotel novamente, mais caro. 

Com minha passagem de 49 euros (o Deutschland-Ticket), peguei na segunda-feira cedo um trem em direção ao Sul. Fiz duas baldeações e quatro horas depois estava chegando ao Bodensee, o Lago de Constança, que marca a fronteira entre a Alemanha, a Áustria e a Suíça. A cidade escolhida foi Lindau, que se divide em duas partes, sendo uma delas uma ilha. 

Eu estou hospedada nessa parte na ilha. Que lugar bacana! Como é bom estar num lugar à beira d'água. Há tanta que até parece o mar. Isso me faz um bem que nem eu mesma sabia. 

sexta-feira, 5 de maio de 2023

Diário do câncer 19 - Reha

Estou em uma clínica de reabilitação, o que para nós, brasileiros, soa um pouco mais dramático do que realmente é. Aqui na Alemanha ninguém se "assusta" quando alguém fala que está indo para uma Reha, nome popular para essa fase após um longo período de licença médica. Existe um nome mais complicado em alemão: Anschlussheilbehandlung, que é o correto de se usar, mas todos conhecem por Reha. 

Ir para uma Reha, ou uma clínica de reabilitação, é um direito de todos que passaram mais de seis semanas de licença médica. É uma forma que o Estado encontrou para ajudar na reabilitação de pessoas que estiveram doentes por um longo tempo. O objetivo nada mais é do que preparar a pessoa para a volta ao trabalho, oferecendo acesso a diferentes tipos de esporte, fisioterapia, acompanhamento médico e psicológico e por aí vai.

Normalmente, fica-se três semanas na Reha. Pode-se prorrogar, mas tudo depende da disponibilidade. Na clínica em que estou é superdifícil conseguir uma vaga.

Quando estava na metade do tratamento, eu estava muito em dúvida se viria ou não. Para quê? Quero ir logo trabalhar, era meu pensamento. Conversei com algumas colegas alemãs do trabalho, um conhecido que havia ido para uma clínica e aos poucos fui mudando minha opinião. Por que não? Um tempo para mim, em um ambiente diferente, com atividades diversas. 

Foi uma decisão acertada. 

Cheguei no dia 18 de abril, uma semana após ter voltado da viagem ao Brasil.

Como escrevi em outro post, a clínica em que estou é focada em pacientes que tiverem câncer de mama. São 46 mulheres, com idades entre 20 e poucos até 60 anos. Pacientes jovens, segundo uma classificação usada em clínicas de tratamento de tumores. Na cidade vizinha, há outra clínica para pacientes em geral. Sou grata por ter conseguido vir para cá, pois somos todas parecidas. A troca é muito boa. 

Devo dizer que tive um pouco de azar, pois logo depois que cheguei do Brasil, peguei uma gripe. Quando cheguei à clínica, não estava tão mal, mas depois piorei. A segunda semana foi praticamente perdida, infelizmente. 

Apesar disso, considero que está sendo um tempo muito bom para mim. 

Os primeiros dias foram bem lentos, com poucos compromissos. No segundo dia, tive uma consulta com uma médica muito boa. Como eu gostaria que todas as médicas fossem assim. Ali ainda estava razoavelmente bem. Fiz mais dois dias de atividades e meu corpo disse: chega! Foram cinco dias de febre alta, na cama, suando, tossindo, limpando o nariz a cada segundo. 

Desde o final da semana passada, estou melhor. Aos poucos, fui retomando as atividades. Nesta semana, a terceira (já?!), tive dias cheios. Foi bom! 

Todos os dias, às 18h, recebemos a programação do dia seguinte. Ontem, por exemplo, que foi um dia cheio, tive exame de sangue, um atendimento individual na fisioterapia (para aprender a massagear a cicatriz), treino na academia, esporte em grupo (foi step, quase como nos anos '90), Nordic Walking, palestra sobre direitos que temos depois da doença e yoga.

Entre uma atividade e outra, temos tempo para relaxar, dormir, sentar-se ao sol (quando ele aparece), conversar com as outras pacientes. 

Existe também uma sala com computadores, nos quais podemos fazer exercícios de memória, e uma sala para arteterapia com todo tipo de material para desenhar, pintar etc. A clínica é relativamente nova, as instalações são bonitas, tudo é muito bem cuidado. Também há uma pequena estante com livros diversos e muitos quebra-cabeças. 

No período em que estava doente, li dois livros e montei um quebra-cabeças de mil peças. Foi bom para me distrair. 

O tempo durante as três semanas não foi dos melhores. Como eu estava recolhida, nem liguei muito, mas ontem fez um dia lindo e vi o quando é bom quando o sol aparece. Devagarinho, os dias têm ficado mais quentes. Isso me deixa bem mais animada. 

Ah, um ponto negativo foi que a psicóloga também ficou doente. Então, praticamente não tivemos atendimento psicológico, o que todas acharam bem ruim. 
 No centrinho de Bad Überkingen, onde fica a clínica
 Vista da janela do meu quarto, nos primeiros dias
Nos arredores da clínica, durante uma caminhada
 Os brotos nas macieiras
 Na floresta, aqui perto da clínica
 No parque da cidade, no centro, em Bad Überkingen
 Quebra-cabeça coletivo
 Opções de quebra-cabeças
 O quarto
 O outro lado do quarto :-)
 Presentinhos que estavam no cofre, deixados pela paciente que se hospedou aqui antes
 A fachada da clínica
 A vista da janela hoje de manhã

Livro novo e dor de garganta

 Eu não sei explicar bem o porquê, mas tenho uma quedinha por dias nublados. Obviamente, eu adoro os dias de sol, mas sinto uma tranquilidad...