segunda-feira, 28 de junho de 2010

Correspondências

As colunas de Eliane Brum são sempre inspiradoras. Desde que as descobri, toda segunda-feira acesso ao site da revista Época. Não perco uma.

***

A de hoje trata sobre cartas de amor. Não aquelas escritas por jovens apaixonados, mas as escritas para amigos, namorados, filhos, parentes. Eliane conta sobre o belo presente preparado para os 80 anos do pai. Cada pessoa próxima dele recebeu a incumbência de lhe escrever uma carta de amor. Achei tão legal essa ideia, que até gostaria de copiar.

***

Tempos atrás coloquei aqui uma lista de tarefas que precisava realizar. Lá estava responder à carta do Fábio. Eu, ‘escrevedora’ de cartas que sempre fui, atualmente só tenho um correspondente. O Fábio é um primo emprestado do Claudio. Criatura pura, mas não boba, o que se revela a cada carta recebida.

Sempre fui de escrever cartas. Quando criança, escrevia para minha prima Carla, três anos mais velha. Ela tinha uma letra gordinha, bonita, que um dia eu gostaria de ter igual. No início dos anos 1990, sem ter amigos que eventualmente tivessem mudado de cidade – meus amigos de infância só começaram a sair de Esmeralda muitos e muitos anos depois –, a opção que eu tinha era a de pegar endereços de outros adolescentes no caderno “teen” (essa palavra nem existia na época) da Zero Hora.

Troquei dezenas de cartas com a Kátia de Porto Alegre, com um menino de Antonio Prado e com outro de Santa Barbara do Sul, fora algumas cartas únicas com correspondentes passageiros.

Todos os dias durante as férias – e nas épocas de aulas também – eu caminhava até o correio para ver se tinha chegado alguma carta. Eu não tinha paciência para esperar até as quatro e meia quando o César, o carteiro, vinha buscar o malote que chegava no ônibus das cinco e passava lá por casa. A rodoviária era praticamente do lado da minha casa.

Quando eu fui embora, escrevia para meus amigos que também tinham ido embora. Minha mãe também mantinha ativa minha caixa de correio.

Tudo começou a mudar quando o inovador e-mail passou a fazer parte de nossas vidas. Nem tudo foi assim tão rápido, é verdade, pois nem todos os amigos tinham e-mail. Eu mesma só fui ter um hotmail em 1999.

Da metade dos anos 2000 para cá, todos criaram suas contas de e-mail. Cartas viraram coisa do passado e manter-se atualizada sobre se os amigos estão bem e o que estão fazendo também. Alguns podem dizer que Orkut e facebook estão aí para isso, mas quantos amigos – daqueles amigos de verdade – ficam grudados nessas ferramentas da vida moderna? Dos meus, não muitos.

Na última carta do Fábio, ele me contou todo animado que tem um e-mail. Fiz de conta que não li, não quero nem saber e espero que ele nunca imagine que eu também tenho uma conta de e-mail, pois isso, com certeza, seria o fim da alegria de pelo menos uma vez por mês receber na caixa de correio – aquela de madeira lá no térreo – não aquelas inúmeras contas disso e daquilo, mas uma cartinha com notícias inéditas e escritas com toda atenção somente para mim.

3 comentários:

Megui disse...

Estava esperando por este post. Aliás deu até vontade de escrever um tb porque na minha mãe tem uma caixa com cartas que recebi desde os 10 anos de idade. Eu tinha até pen-pal de vários países e como minha mãe morava na Alemanha e eu sempre tive amigo em tudo qto é canto, eu jamais saía de casa sem meu bloco de cartas. Ia escrevendo até na fila do banco.

Le Vin au Blog disse...

Espero pelo seu post agora. :)

Le Vin au Blog disse...

Eu tenho uns 80% das cartas que recebi em toda a minha vida.