quinta-feira, 15 de julho de 2021

Um pouco de tudo

Acho que passei de nível na minha carreira como ciclista. Perdi o medo da chuva. Agora, para nao ir e vir de bike tem que estar chovendo canivetes. Se for uma chuva média, nao vejo mais problemas. Claro que o grande incentivador disso foi ter cancelado o cartao do transporte público. Aliás, hoje estava pensando que já faz quatro meses que fiz isso e tive uma economia de 260 euros. Nada mal, né? Desde entao, usei o transporte público uma vez, mas com o tíquete da viagem que faria a Baden-Baden. Claro que morar perto do trabalho e da estacao ferroviária também ajuda, assim como minha grande sorte de até agora nao ter chovido nem um dia ao ir para o trabalho. Na volta, já tive que colocar a roupa de chuva, mas na ida, nunca.

Uma das coisas mais legais da minha máquina de lavar é que posso programar para ela comecar a lavar mais tarde. Isso é uma ajuda e tanto, pois coloco a roupa na máquina de manha, ela lava uma hora antes de eu chegar em casa e nao fica o dia todo molhada dentro da máquina. Quando chego, está pronta e evito descer e subir até a salinha onde estao todas as máquinas dos apartamentos do prédio, que fica no térreo.

Já o mesmo recurso na máquina de lavar louca ainda nao vi motivo para usar. 

Eu acumulo pontos toda vez que compro em determinadas lojas alemas. Estava com quatro mil pontos e resolvi trocar por algumas coisas que estava querendo comprar. Troquei meus pontos por três produtos: um suporte para celular para acoplar à bicicleta; uma luz com sensor de presenca para o banheiro - pois acho horrível a claridade quando preciso ir ao banheiro de madrugada; e uma balanca. T. ficou triste com a minha decisao de ter uma balanca. Apesar de ele ter uma balanca velha no banheiro, ele viu isso como um retrocesso para alguém que estava tentando ser menos brasileira na pressao que a sociedade impoe em relacao ao corpo. Perdi a luta.

Nesta semana fiz a segunda dose da vacina. Quer dizer, tomei uma segunda vacina. Na primera vez foi astrazeneca; na segunda, BionTech Pfizer. Meu corpo se incomodou um pouco das duas vezes, mas nada pior do que eu já tenha passado na minha vida.

Desde que moro na Alemanha, os veroes tinham sido bem secos. Este ano, nao. Está chovendo horrores em diversos estados, com desabamentos, mortes e perdas enormes. Em Heidelberg, o rio Neckar está bem alto, mas ainda nao teve consequências piores. Só o cancelamento de shows que ocorreriam à beira do rio, o que depois de um ano e meio de cancelamentos de eventos nem surpreende mais. 

Tomara que até agosto melhore, pois gostaria muito de aproveitar minha semaninha de férias com sol. 

Temos duas pequenas viagens programadas e isso me dá uma alegria enorme. Tudo aqui na Alemanha, pois sem ter necessidade, nao tenho a menor vontade de deixar o país. Iremos conhecer (mais eu) duas novas regioes, estou bem animada. 

domingo, 20 de junho de 2021

Vivências da quarentena

 É ótimo fazer uma quarentena sem estar doente e tendo tido tempo para planejá-la. Também é fácil ficar em isolamento quando sabemos que é temporário e que há pessoas nos esperando lá fora. Outro ponto: tendo o suficiente para fazer durante o tempo. 

Estou trabalhando remotamente, com reuniões, minhas tarefas usuais, materiais para estudar. Além disso, tenho o suficiente para ler, para cozinhar, para me exercitar, quebra-cabeça para montar, cursos para finalmente terminar. 

Ainda faltam três dias para eu poder sair de casa.

Ontem fiz focaccia pela primeira vez. Ficou bem gostosa. Eu fiquei bem orgulhosa de mim, pois fazer algo na cozinha é sempre uma pequena conquista para quem nunca se sentiu estimulada a cozinhar. 

Outra conquista da quarentena foi fazer exercícios físicos todos os dias - até aqui. Quando morei em Stuttgart há alguns anos encontrei uma professora no YouTube. Na época fiz um ou outro exercício. Quando voltei do Brasil agora, me lembrei dela - Gabi Fastner. Tinha exatamente uma série de 14 dias. Mais de uma até, mas escolhi a que diz 14 dias até a primavera. Hoje vou fazer a 11a aula estou me sentindo tão bem por estar me movimentando.

Hoje quebrei um pequeno porta-velas. Foi uma das poucas coisas que quebrei nesses três anos de Alemanha. Para ser sincera, não me lembro de ter quebrado qualquer outra coisa. 

Ah, mas o que fiz de mais tolo nesses dias de quarentena foi colocar fogo em uma esponja e num paninho de enxugar a pia sem querer. Bom, quem faria isso por querer. Liguei a boca errada do fogão e não vi. A esponja e o pano estavam em cima dessa boca. Só percebi quando o alarme de incêndio começou a berrar! Levei o maior susto. Fiquei alguns minutos depois sentada no sofá em choque. A sala e cozinha ficaram com muita fumaça - o que dispara o alarme. 

Tirando isso, o mais tem corrido bem. 

sábado, 12 de junho de 2021

Quarentena

 Até então, eu não tinha sentido muito as limitações impostas pela pandemia. Claro que senti falta de ir a restaurantes, cinema e afins, mas, de modo geral, como segui indo ao trabalho e podendo encontrar o T., foi até moleza encarar as restrições. 

Agora na volta do Brasil, está sendo a primeira vez neste ano e meio de pandemia que estou realmente com minha liberdade limitada. Pelo menos durante esses 14 dias depois da chegada de volta à Alemanha. Apesar do teste negativo obrigatório para poder entrar no avião e depois no país, o governo impõe 14 dias de quarentena a quem vem de países com variantes do vírus, como é o caso do Brasil. 

Durante esses 14 dias não posso sair do apartamento, nem para levar o lixo para fora, nem ir à caixa de correspondências. Para vir do aeroporto para casa, porém, pude pegar um trem. T. não poderia ir me buscar porque se fosse, teria ele também que fazer quarentena.

Antes de embarcar ao Brasil, preenchi um formulário com os dados da minha viagem mais informações de onde faria a quarentena. Logo em seguida, recebi um e-mail da prefeitura de Heidelberg com informações básicas sobre a quarentena. E o valor da multa, caso viole a regra: 25 mil euros. 

Havia feito um verdadeiro rancho antes da viagem. Um dia antes da minha chegada, T. comprou legumes, verduras e frutas. Tirando o que estraga mais rápido, teria comida para mais de um mês, eu acho. 

T. me fez uma pequena surpresa ao deixar também flores, livros sobre um tema que preciso estudar, dois quebra-cabeças e uma farinha para fazer um pão de batata. Esse tipo de coisa me deixa feliz, pois eu adoro surpresas e acho que ele é uma das primeiras pessoas que me faz surpresas. 

Como poderei trabalhar durante esse período, não precisarei gastar meus dias de férias fechada em casa. Além disso, com o trabalho, o tempo para fazer outras coisas acaba não sendo tão grande. 

Comecei logo no primeiro dia a fazer uma série de exercícios físicos. Curiosamente, sem perceber, escolhi um curso no YouTube que dura 14 dias. Assim, não posso em dar o direito de pular algum dias. 

Planos que mudam

 Quando maio começou, estávamos cheios de planos. Uma semana de férias, depois teríamos ainda dois feriadões. Na segunda-feira pós-férias fiz uma listinha das plantinhas que iria comprar para colocar nas minhas novas jardineiras na janela. Bom, a lista ainda está aqui, para ser comprada daqui a uns 15 dias...

Naquele mesmo dia, minha mãe me escreveu pedindo se eu poderia ir porque ela não estava bem. Ela não pediria se não fosse sério, ainda mais depois de ter encarado quase um ano e meio fechada em casa, sem poder ver ninguém ou seguir com as atividades a que estava acostumada. 

Em três dias, comprei a passagem, marquei o teste PCR para poder viajar, conversei com meus chefes, consegui uma brecha para fazer a vacina contra o coronavírus, me informei sobre o que deveria fazer tanto para ir quanto ao voltar, fiz compras para a quarentena. E no resto do tempo até a hora de entrar na área de embarque aproveitei todo o tempo com o T. 

Não é o melhor momento para viajar, mas foi bom ter ido, ver como estava tudo de perto. Duas semanas passaram voando. Agora a mãe já está bem melhor.

E ainda pude conhecer o Fafá, meu irmãozinho felino mais fofo do mundo! Que falta que ele me faz. 

terça-feira, 4 de maio de 2021

Mapa astral 1

 Há alguns dias, fiz mais um mapa astral.

Devo dizer que cada vez mais acho que por muito tempo tive uma visão errada de mim em certos pontos. Apesar de até isso ser meio contestável. Sempre me achei muito cética, objetiva, nada emocional. 

Nos últimos cinco anos, a cada dia me dou conta de que sou superpassional, superemotiva e, muitas vezes, nada objetiva. 

Não, isso tudo não está no meu mapa. Estou quase fugindo do assunto. 

É que sempre achei que nunca levaria um mapa astral a sério e que sempre foi uma coincidência depois da leitura do mapa, mesmo que depois de anos, algumas coisas ditas se tornaram realmente fatos. 

Por exemplo, o primeiro mapa foi feito, suponho, antes de 1998, quando meu pai ainda era vivo. A moça que fez era namorada de uma colega do curso de jornalismo. Lembro de ter me marcado ela ter dito que meu relacionamento com minha mãe tinha/teria um peso importante na minha vida. Por muitos anos, eu não suportava conversar com minha mãe, por ela ter modos de ver a vida muito antiquados. Isso mudou completamente quando meu pai morreu. O relacionamento com minha mãe passou por uma grande transformação. Apesar de, não posso negar, ainda achar que ela não tinha razão naquelas questões que me incomodavam quando eu era adolescente, mas hoje entendo que a criação ultrapassada que ela teve a fizeram ser do jeito que é.

O segundo mapa fiz muitos anos depois, já morava no Rio há muitos anos e estava meio sem saber se terminaria meu doutorado. Estava numa fase cheia de incertezas em 2015 - mal sabia que 2016 seria um ano difícil de verdade! Lembro de ela ter me dito que, sim, terminaria meu doutorado. A tese teria muitas imagens, o que na época não fazia o menos sentido. No final, diria que um pouco menos da metade da tese foi feita de imagens e gráficos. Até coloquei a senhora que fez o mapa nos agradecimentos. 

Curiosamente, ela me perguntou sobre meu relacionamento. Falei que era bom. "Em time que está ganhando, não se mexe", ela respondeu. Fico aqui imaginando o que pode ter sentido ou visto no mapa. Meu tão perfeito namorado teve um caso com uma mulher casada meses depois (!). 

O mais engraçado desse segundo mapa foi que mal em sentei para ouvir a leitura e ela me perguntou: "para onde você está indo? Para qual país?". Porque as estrelas mostravam que eu iria morar em outro lugar, distante, mas com uma língua macia. Falei: "Só consigo pensar na Alemanha". Afinal, trabalhava com alemães, já tinha morado na Alemanha... "Não, Alemanha, não. Um lugar com uma língua mais amável." Até agora me pergunto quando chegará esse momento desse país com língua macia. :-)

Desta vez, a querida Babi foi obejtiva. Ela reafirmou que não fui feita para morar perto do lugar em que nasci, mais cedo ou mais tarde iria para o mundo. Bom, nunca neguei meu destino. Desde os 13, 14 anos já sonhava em ir morar em algum lugar distante. A vida só me permitiu isso bem mais tarde, mas estou bem feliz onde estou. E isso está lá no mapa. Acho isso muito louco, pois Babi nunca tinha me visto na vida. E isso me deixou tão feliz. 




terça-feira, 27 de abril de 2021

De bike

Estamos chegando ao fim de abril e me sinto orgulhosa por ter ido ao trabalho, até agora, todos os dias de bicicleta. Tomei a decisao ainda em fevereiro de cancelar meu cartao do transporte público. Por sorte, o clima ajudou. Apesar de ter havido até neve enquanto eu estava no trabalho, na hora e ir e voltar, o tempo estava seco. Frio, muitas vezes, mas seco. 

Ano passado, de abril até setembro, consegui ir praticamente todos os dias de bike pro trabalho. E eram 16km ao todo, ida e volta. Agora, sao apenas 4km. Por isso também a decisao do cancelamento do cartao - e uma economia de 65 euros mensais. Nao há desculpas para nao ir de bicicleta. O percurso dura menos de 10 minutos. Se eu precisar pegar o bonde, a passagem custa 2 euros. Também tomei a decisao para me incentivar a me mexer um pouco mais.

***

No fim de semana, o primeiro com temperaturas realmente amenas, decidimos fazer dois passeios mais longos de bicicleta. T. trouxe a bike e percorremos ao todo 90km. No sábado, fomos em direcao ao norte. Estava um dia lindo. Para chegar às cidades vizinhas, vamos por ciclovias instaladas normalmente em meio a plantacoes. Passamos por Ladenburg e em uma outra pequena cidade até chegarmos a Weinheim, nosso destino. Lá, pudemos comprar algo para comer, sentadinhos no centro da cidadezinha bonita. Depois voltamos por Schriesheim e Dossenheim. 

No domingo, fomos a Leimen, Wiesloch, Walldorf e depois Schwtzingen. Estava mais frio, mas nao menos bonito. Foi maravilhoso poder sair um pouco da rotina, do ficar só em casa. O legal dos passeios de bike é que o contato com outras pessoas é mínimo. Só mesmo quando precisamos comprar algo. Acho um meio seguro de passear.

terça-feira, 13 de abril de 2021

Estado de ânimo que se altera a cada instante

Em vários momentos diferentes, penso que gostaria de escrever um post. Só que nem sempre dá naquele instante, aí deixo pra depois e acabo esquecendo o que tinha de tao importante para registrar. 

Neste momento nao tenho nada de importante para dizer, mas gosto tanto quanto os blogs que sigo dao sinal de vida, que resolvi dar um por aqui também. 

Os dias nao têm sido fáceis. Grande novidade, né? Parece que esse martírio nao tem fim. Nao bastasse agora a cada par de dias saber de alguém que está doente por causa do vírus, no sábado perdi uma grande amiga, que teve outras complicacoes de saúde, ficou em coma por quatro meses e agora, como escreveu a nora, descansou. Toda vez que leio uma homenagem a ela, fico novamente tao desolada. Eu nao consigo acreditar que na próxima vez que nossa turminha do mestrado se reunir, seremos apenas cinco. Eu nao consigo acreditar que ela morreu. Parece que a ouco dizendo em tom conspiratório: "Isso aí, Rafinha, é tudo intriga da oposicao". 

Eu ando me sentindo angustiada demais e ansiosa demais. Comprei dois livros indicados nos comentários de um post da Lud. O primeiro, sobre depressao, fui obrigada a abandonar. Quando o autor comecou a contar como as pessoas se matavam, achei melhor parar de ler. Nao que eu esteja a esse ponto, mas ler sobre isso acho que me causaria uma angústia ainda maior. O segundo, sobre ansiedade, é mais "leve", mas acabei lendo outros dois livros enquanto o estou lendo. Aliás, um que gostei muito foi o de Alexandra Gurgel sobre odiar o próprio corpo. Vivemos mesmo numa sociedade doente.

Ainda nao consegui decidir sobre quando vou me dar uma semana de férias. Eu queria sair um pouco da rotina e nao simplesmente ficar em casa sem fazer nada. Talvez no comeco de maio, vamos ver. Abril já está quase no meio... Ano passado fizemos alguns tours de bike em maio e foi tao bom. Quem poderia imaginar que neste ano a situacao estaria pior do que há um ano.

Enquanto estava escrevendo este post, recebi uma mensagem de uma amiga brasileira. Ela conseguiu um emprego em uma biblioteca! É como se eu tivesse recebido um choque de ânimo. Estou sentindo uma alegria sem tamanho. Incrível como uma notícia boa pode ser transformadora. 


Livro novo e dor de garganta

 Eu não sei explicar bem o porquê, mas tenho uma quedinha por dias nublados. Obviamente, eu adoro os dias de sol, mas sinto uma tranquilidad...