sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

A vida acontece quando você está fazendo planos

Eu ouvi essa frase em uma música um dia desses e ela combina com muitas de nós. Comigo, pelo menos. Eu vivo fazendo planos. Nem sempre me dou conta de que os dias estão passando com o levantar cedo-tomar banho-tomar café-ir para o trabalho-trabalhar 8h-voltar cansada para casa-cozinhar-comer-tomar banho-ler-dormir. E olha que poder fazer tudo isso hoje em dia é meio que um privilégio. Entre uma tarefa e outra, faço planos para os momentos em que não estou nessa rotina. Por isso, talvez, vez ou outra ler ou ouvir essa frase é bom, pois parece que me faz despertar de um modo meio automatizado, meio zumbi.

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Eu nunca mais fui ao cinema. É uma pena, mas a pandemia trouxe junto uma insegurança de ir ao cinema. Eu até fui no verão de 2020. Fui a única na sala. Foi estranho, mas foi bom. 

Aliás, vi pouquíssimos filmes neste ano. Eu não vejo tv há anos e aqui nem sei o que passa na tv. Durante alguns meses neste ano, assinamos o disney+ e vimos tudo que gostaríamos. Quando percebemos que estávamos vendo algo por obrigação, resolvi cancelar o serviço. Depois, assinei o Amazon Prime por alguns meses, mas como vimos apenas uns dois filmes e encomendei pouca coisa, também cancelei. 

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O inverno chegou na última semana. Ainda estou indo de bike pro trabalho, mas todo dia analiso a situação da rua para decidir se vou a pé, de bonde ou de bike. Por enquanto ainda não teve neve que suje as ruas a ponto de ficar perigoso. O problema nem é a neve, mas quando a água congela sobre as vidas e fica escorregadio. Isso é ruim para caminhar e para andar de bike. Eu nunca tive essa experiência antes com a bicicleta, por isso estou um pouco apreensiva, mas acho que com um pouco de prática vai ficar tudo bem. O frio não é o problema, pois as roupas certas resolvem. Hoje comprei uma luva nova, já que a minha atual começou a rasgar e não é impermeável. 

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Se a pandemia um dia terminar, vou receber bastante visitas aqui. Algumas já compraram as passagens. Tomara que dê certo. Agora, por exemplo, é um péssimo momento para vir. 

quarta-feira, 27 de outubro de 2021

Outono

Parece que depois de muitos anos, fiz as pazes com os Paralamas. Havia uma época em que nao podia mais ouvir, mas dia desses me peguei cantarolando Lanterna dos afogados. Depois disso, ouvi várias vezes as músicas de que mais gosto. 

O outono chegou com tudo agora. No início, sinto uma pequena tristeza. Mais pela perspectiva de meses de frio e escuridao, menos pela estacao em si, que acho bem agradável. As árvores já estao amareladas. Logo as folhas comecarao a cair. Aí, sim, o negócio fica sério. Pelo menos logo haverá já mercados de Natal, o que deixa o friozinho mais aceitável. No final das contas, eu acho legal poder aproveitar cada estacao com tudo que se tem direito. 

Ontem encontrei uma amiga que teve um bebê. Um bebezao! T. é muito fofinho. Foi ótimo encontrá-la depois de tantos meses. A última vez que havíamos feito algo juntas foi em fevereiro de 2020, pré-pandemia. No verao, nos encontramos pro acaso na rua, mas eu estava cheia de pressa naquela dia. 

Já estou com saudades de fazer um tour de bike. O último foi muito bom, no meu aniversário. Conheci finalmente Rothenburg ob der Tauber, a cidade com mais ar "alemao" da Alemanha, pelo menos de acordo com os estereótipos. Ainda é uma cidade murada e toda bem conservada. Depois passeamos por outras bonitas, como Wertheim, Tauberbischofsheim, Lauda e Bad Mergentheim, onde fomos a uma estacao termal e foi ótimo. 

Para o aniversário do T. planejamos uma outra pequena viagem, já que na segunda-feira é feriado. Desta vez, vamos conhecer Bad Wildbad, onde também tem uma fonte termal, que é algo perfeito nos dias frios. Eu estou pensando se agendo massagens também.

Em novembro, teremos pelo menos duas outras viagens de fim de semana. Isso me faz um bem danado. 

A pandemia parece nao querer dar trégua de jeito algum. De qualquer forma, estou cheia de planos para 2022. Tomara que consigam sair do papel. 

Ler as notícias do Brasil causam uma gastura. Eu me pergunto como alguém ainda pode apoiar alguém tao perverso como essa bosta que ocupa a presidência. Sinceramente! 

quarta-feira, 29 de setembro de 2021

Gatilho?

Ontem o marido de uma amiga conclui o doutorado, passou pela banca. Eu fiquei superfeliz por ele, pois a data foi marcada com antecedência e parece que demorou uma eternidade chegar. Hoje de manha, vi que ela me mandou um vídeo com o momento da concessao do título. Foi bem legal. 

Depois, quando já estava no trabalho, lembrei da minha própria defesa, da presenca da minha amiga Angela, que partiu neste ano, da época do final do doutorado. Pensei no recém-formado doutor e imaginei que hoje deve ter amanhecido aliviado. 

Repentinamente senti algo tao ruim. 

Logo em seguida, fiquei me perguntando se esse é o tao famoso gatilho que muitas vezes já vi mencionado no twitter, mas nunca consegui entender bem. 

Apesar de pensar em uma situacao totalmente positiva e que me deixa feliz, a defesa de doutorado do conhecido, ao lembrar do meu dia seguinte, que foi horrível, isso me deixou mal. 

Veio tudo de novo, todos os sentimentos ruins da época. Eu estava feliz pela defesa do doutorado, mas na madrugada passei mal, vomitei, desloquei meu maxilar, tinha uma péssima sensacao em relacao ao meu companheiro, que nao estava nem aí pra nada. 

Ui, credo!!!

Ainda bem que tudo isso já é (ou pelo menos parece ser na maior parte do tempo) passado. 

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

Volta ao batente

 A semana de férias foi ótima. Descansamos, andamos de bike, passeamos com a família, conhecemos lugares diferentes. Foi maravilhoso ver o mar, conhecer uma parte do Mar Báltico, molhar meus pés na água fria e salgada, tomar sol, ficar com o nariz vermelho. Os dias em Föhr passaram voando. Depois aproveitamos dias lindos percorrendo de bike o trajeto entre Flensburg e Kiel. Gostei particularmente de Kappeln. Passamos também por Glücksburg, Eckerförd e outras pequenas cidadezinhas bem rurais à beira-mar. O cenário é enfeitado por farois, vaquinhas holandesas e muitas plantações - de milho, especialmente. 

Fomos pegos de surpresa pela greve dos maquinistas. Quando soube que eles fariam greve de quinta à terça, tive certeza de que não estragaria minhas férias por causa disso. Eu ficaria nem que tivesse que aumentar minhas férias. No final, fizemos um pequeno arranjo - enviar as bikes por malote - e voltamos tranquilamente para casa como planejado. A bicicleta chegou com dois dias de atraso, mas chegou. O lado bom é que atingi meus 10 mil passos diários facilmente indo a pé para o trabalho.

Quando cheguei em casa, descobri que os vizinhos tinham organizado um mercado de pulgas no nosso quintal no sábado. Eu não teria nada para vender, mas senti não estar em casa para finalmente conhecer os vizinhos. Nos mudamos em plena pandemia e até agora só conversei com meu vizinho de baixo - que acabou me ajudando durante minha quarentena. 

Aí, quando voltei ao trabalho, descobri que os colegas haviam feito uma caminhada juntos na sexta-feira. Um dos diretores resolveu aproveitar a semana de tempo bom e convidou todo mundo para comer bolo com café num sítio perto de Heidelberg. Ainda bem que a diretora vai fazer algo semelhante daqui a 15 dias e vou poder ir. 

quarta-feira, 25 de agosto de 2021

Ah, as férias

Mais dois dias e meio de trabalho e entäo: férias! Será somente uma semana, mas nao vejo a hora de poder ter uns dias livres para minha cabeca. As férias em maio nao foram exatamente férias. Agora realmente teremos dias sem obrigacoes. 

Ontem fiz uma massa simples, mas que ficou bem boa. O melhor foi ter feito uma porcao extra para meu almoco de hoje. 

Eu acho saudável fazer uma pequena caminhada na hora do almoco até a padaria ou o supermercado para comprar uma salada. Meu problema nao é nem a caminhada, mas a falta de opcoes de almoco que me entusiasmem muito. Eu até gosto do buffet de saladas do Rewe, mas sinto falta mesmo é de um restaurante a quilo. Tem dois restaurantes universitários por perto, mas desde o comeco da pandemia, eles nao sao mais a mesma coisa. Um deles, nem posso frequentar, pois nao tenho a carteira da instituicao. Ou seja, acaba sendo mais agradável trazer comida de casa, o que eu deveria fazer era me obrigar a sair do instituto mesmo que fosse para uma caminhada de 15 minutos. Meu corpo sente falta de mais movimento.

As primeiras árvores que ganham folhas na primavera já estao comecando a perdê-las. Sao sempre as primeiras em tudo... E sinto uma pequena tristeza, pois logo já estará frio novamente.

terça-feira, 17 de agosto de 2021

Passeio de verão

Uma amiga está preparando um livro de contos e me pediu para escrever a orelha. Fiquei muito lisonjeada pelo convite. Espero que o texto saia à altura. 

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Na semana passada, vi no jornal local uma matéria sobre um Biergarten e me dei conta de que nunca havia feito uma busca no Google sobre os Biergärten que existem nos arredores de Heidelberg. No final, acabamos indo no mencionado no jornal, mas agora sei que existem alguns outros. 

Para chegar até o Bierhelderhof foram 3,5km de subida, mas valeu a pena. O caminho era interessante. Logo depois de deixarmos a região central da cidade, escolhemos atravessar um cemitério, que é enorme! Como não tínhamos pressa, fomos conhecer os túmulos de algumas celebridades locais, como o de Max Weber e o do ex-presidente Friedrich Ebert. 

O dia estava bem quente, talvez um dos mais quentes desse verão claudicante. Na volta, acabamos indo a outro cemitério, por acaso, onde estão enterrados soldados da primeira e da segunda guerras mundiais. Estava absorta, observando as datas de nascimento e morte dos soldados, quando me dei conta de que ali estavam enterrados nazistas. Foi meio louco a transformação dos meus sentimentos. De repente, não senti mais dó de quem morreu aos 20, mesmo sabendo que nem todos que vão para as guerras defendem os ideais dos comandantes.

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"O caçador de pipas" não me sai da cabeca nos últimos dias. Assim como não consigo parar de pensar nas meninas e mulheres que precisarão continuar a viver no Afeganistão. que tristeza enorme. E que ódio desses homens broncos que consideram as mulheres como nada.

quinta-feira, 15 de julho de 2021

Um pouco de tudo

Acho que passei de nível na minha carreira como ciclista. Perdi o medo da chuva. Agora, para nao ir e vir de bike tem que estar chovendo canivetes. Se for uma chuva média, nao vejo mais problemas. Claro que o grande incentivador disso foi ter cancelado o cartao do transporte público. Aliás, hoje estava pensando que já faz quatro meses que fiz isso e tive uma economia de 260 euros. Nada mal, né? Desde entao, usei o transporte público uma vez, mas com o tíquete da viagem que faria a Baden-Baden. Claro que morar perto do trabalho e da estacao ferroviária também ajuda, assim como minha grande sorte de até agora nao ter chovido nem um dia ao ir para o trabalho. Na volta, já tive que colocar a roupa de chuva, mas na ida, nunca.

Uma das coisas mais legais da minha máquina de lavar é que posso programar para ela comecar a lavar mais tarde. Isso é uma ajuda e tanto, pois coloco a roupa na máquina de manha, ela lava uma hora antes de eu chegar em casa e nao fica o dia todo molhada dentro da máquina. Quando chego, está pronta e evito descer e subir até a salinha onde estao todas as máquinas dos apartamentos do prédio, que fica no térreo.

Já o mesmo recurso na máquina de lavar louca ainda nao vi motivo para usar. 

Eu acumulo pontos toda vez que compro em determinadas lojas alemas. Estava com quatro mil pontos e resolvi trocar por algumas coisas que estava querendo comprar. Troquei meus pontos por três produtos: um suporte para celular para acoplar à bicicleta; uma luz com sensor de presenca para o banheiro - pois acho horrível a claridade quando preciso ir ao banheiro de madrugada; e uma balanca. T. ficou triste com a minha decisao de ter uma balanca. Apesar de ele ter uma balanca velha no banheiro, ele viu isso como um retrocesso para alguém que estava tentando ser menos brasileira na pressao que a sociedade impoe em relacao ao corpo. Perdi a luta.

Nesta semana fiz a segunda dose da vacina. Quer dizer, tomei uma segunda vacina. Na primera vez foi astrazeneca; na segunda, BionTech Pfizer. Meu corpo se incomodou um pouco das duas vezes, mas nada pior do que eu já tenha passado na minha vida.

Desde que moro na Alemanha, os veroes tinham sido bem secos. Este ano, nao. Está chovendo horrores em diversos estados, com desabamentos, mortes e perdas enormes. Em Heidelberg, o rio Neckar está bem alto, mas ainda nao teve consequências piores. Só o cancelamento de shows que ocorreriam à beira do rio, o que depois de um ano e meio de cancelamentos de eventos nem surpreende mais. 

Tomara que até agosto melhore, pois gostaria muito de aproveitar minha semaninha de férias com sol. 

Temos duas pequenas viagens programadas e isso me dá uma alegria enorme. Tudo aqui na Alemanha, pois sem ter necessidade, nao tenho a menor vontade de deixar o país. Iremos conhecer (mais eu) duas novas regioes, estou bem animada. 

Livro novo e dor de garganta

 Eu não sei explicar bem o porquê, mas tenho uma quedinha por dias nublados. Obviamente, eu adoro os dias de sol, mas sinto uma tranquilidad...