sexta-feira, 24 de julho de 2020

Estava apenas um pouco cansada

Morar longe de amigas queridas, independentemente da distância, é algo que faz parte da minha vida há pelo menos 26 anos, ou seja, muito mais do que a metade da minha vida. Conhecer pessoas, criar vínculos, estabelecer laços de amizade e partir para outra experiência que se apresenta foi meio que uma rotina nesse período. Em alguns lugares, fiquei mais tempo, noutros fiz amizades mais profundas e duradouras. Em todos sempre aprendi algo, vivi momentos bons, enfrentei algumas das minhas pequenas tragédias.
Desde que moro na Alemanha, percebo uma mudança na forma de olhar para esse passado e também me vejo diferente nas expectativas com relacionamentos – antigos e atuais.

Ao olhar para as amizades de anos, me peguei avaliando o quanto (ainda) valiam a pena ou o investimento de tempo. Não somente para mim, mas também a minha amizade para essas pessoas. Naturalmente só elas podem decidir se vale a pena terem a minha amizade, mas comecei a me questionar sobre o porquê de manter algumas pessoas na minha vida. E vida muitas vezes significa simplesmente mantê-las em minhas redes sociais, já que alguns não vejo há mais de 25 anos. 

Começou aí uma grande confusão na minha cabeça, pois curiosamente passei a questionar as amizades que considerava como as grandes, as melhores. Pensei nas amigas com quem ao longo do ano troco uma ou outra mensagem, muitas vezes em decorrência de algo publicado no Instagram ou Facebook.

Escrevi essa primeira parte do post há algumas semanas. 

Nesta semana, algumas nuvens se dissiparam. No dia 20 de julho foi o tal dia do amigo. Uma amiga querida fez um post bonitinho sobre nossa amizade. Isso acho que mexeu algo em mim, pois à noite neste dia me vi querendo escrever para as pessoas de que gosto. E foi o que fiz. O resultado não podia ter sido mais bonito. Recebi imediatamente respostas. Acho que parte da confusão se esclareceu. 

Continuo me questionando sobre o que vale a pena manter na minha vida e essa minha busca pelo essencial segue.

terça-feira, 7 de julho de 2020

Diversos

Sensação boa a de encaminhar um pedido de férias à chefe, mesmo que seja apenas para ficar fora uma semana.
Nesta semana completo dois anos morando em Heidelberg. Na quinta da próxima semana, dois anos na biblioteca. Pode-se dizer que aprendi muita coisa nesse período - estimo que 0,5% de tudo que ainda preciso aprender nesta nova área.
O verão chegou, mas há dias em que ele está bem tímido. Como hoje de manha. Quando saí de casa, às 7h30, o termômetro marcava 11 graus. Quando cheguei na ponte antiga, 3,5km a 18km/h, já estava comecando a suar. :-)
Hoje retornarei à academia. Vamos ver como vai ser. Pelas orientações dadas por telefone ontem: treino só com hora marcada, tem que chegar e sair com máscara, apenas quatro alunas por vez, na hora de treinar não precisa da máscara, tem que higienizar o aparelho logo depois de tê-lo usado, é necessário deixar sempre um intervalo de um aparelho entre duas pessoas – vou a uma academia com ciclo e fazemos todas na mesma sequência.
Como Ennio Morricone morreu ontem, 06.07.2020, hoje resolvi ouvir algo dele. Estava trabalhando e num segundo veio um acorde familiar, senti um arrebatamento como há muito não sentia. Meus olhos marejaram. Momento mágico. E depois há quem diga que possa viver sem o trabalho de um artista.

quinta-feira, 2 de julho de 2020

Liberdades

Desde que moro na Alemanha, perdi o hábito de me pesar com frequência. Para dizer a verdade, nos últimos dois anos e meio, só me pesei uma vez quando fui ao Brasil em marco de 2019. Acho meio libertador. No geral nao sinto falta de saber quanto peso. Controlo um pouco pelas minhas roupas. No momento, por exemplo, percebo que as roupas estao meio desconfortáveis, o que serve de sinal para dar uma maneirada no que como, o que nem sempre é fácil, pois como tenho andado mais de bike, tenho mais fome quando chego em casa. A tentativa é ter lanchinhos mais saudáveis para comer entre as refeicoes e nao ter uma fome assustadora.

Acho que pela primeira vez na vida estou com uma pessoa que nao se importa com o peso, seja o dela, seja o meu. Isso também é libertador. Nao ter, além de você mesmo, alguém de olho no quanto você pesa.

Para a semana que  vem estou planejando marcar consultas com o clínico geral e com a dentista. Consultas de rotina que tinha planejado fazer depois da viagem ao Brasil, mas que, obviamente, nao deu.

Ontem o dia estava lindo e depois de sair do trabalho passei em casa, troquei de roupa e fui pegar um pouco de sol à beira do rio. Esse é um dos momentos em que fico feliz por morar aqui. É tao bom poder simplesmente deitar no gramado público perto de casa, de biquíni, sem receio de ser importunada. Eu nao estava só. Quando cheguei havia outra garota tomando sol, um rapaz. Logo depois chegaram dois para beber cerveja olhando o rio.

Hoje o tempo amanheceu ruim. Acabei vindo de ônibus. Agora estou pensando se vou dar uma passeada no centro - depois de três meses sem fazer isso -, comer algo por ali e depois ir para casa. Torcer para o tempo se manter firme, sem chuva.

Diário do câncer de mama 6 - a primeira quimioterapia

  14.06.2022 Primeira quimioterapia, dia 1 Eu estava bem nervosa naquele dia, acordei supercedo. Comi meio Bretzel. Estava com medo de com...