terça-feira, 16 de maio de 2023

Lindau

Como tinha ainda uma semana livre antes de voltar ao trabalho, resolvi fazer o que mais gosto: viajar. Planejei, reservei e... os funcionários da empresa de trens alemã resolveram fazer uma greve. Lá fui eu cancelar o hotel e ficar frustrada. No final, algum órgão jurídico decidiu que não poderia haver greve. Reservei o hotel novamente, mais caro. 

Com minha passagem de 49 euros (o Deutschland-Ticket), peguei na segunda-feira cedo um trem em direção ao Sul. Fiz duas baldeações e quatro horas depois estava chegando ao Bodensee, o Lago de Constança, que marca a fronteira entre a Alemanha, a Áustria e a Suíça. A cidade escolhida foi Lindau, que se divide em duas partes, sendo uma delas uma ilha. 

Eu estou hospedada nessa parte na ilha. Que lugar bacana! Como é bom estar num lugar à beira d'água. Há tanta que até parece o mar. Isso me faz um bem que nem eu mesma sabia. 

sexta-feira, 5 de maio de 2023

Diário do câncer 19 - Reha

Estou em uma clínica de reabilitação, o que para nós, brasileiros, soa um pouco mais dramático do que realmente é. Aqui na Alemanha ninguém se "assusta" quando alguém fala que está indo para uma Reha, nome popular para essa fase após um longo período de licença médica. Existe um nome mais complicado em alemão: Anschlussheilbehandlung, que é o correto de se usar, mas todos conhecem por Reha. 

Ir para uma Reha, ou uma clínica de reabilitação, é um direito de todos que passaram mais de seis semanas de licença médica. É uma forma que o Estado encontrou para ajudar na reabilitação de pessoas que estiveram doentes por um longo tempo. O objetivo nada mais é do que preparar a pessoa para a volta ao trabalho, oferecendo acesso a diferentes tipos de esporte, fisioterapia, acompanhamento médico e psicológico e por aí vai.

Normalmente, fica-se três semanas na Reha. Pode-se prorrogar, mas tudo depende da disponibilidade. Na clínica em que estou é superdifícil conseguir uma vaga.

Quando estava na metade do tratamento, eu estava muito em dúvida se viria ou não. Para quê? Quero ir logo trabalhar, era meu pensamento. Conversei com algumas colegas alemãs do trabalho, um conhecido que havia ido para uma clínica e aos poucos fui mudando minha opinião. Por que não? Um tempo para mim, em um ambiente diferente, com atividades diversas. 

Foi uma decisão acertada. 

Cheguei no dia 18 de abril, uma semana após ter voltado da viagem ao Brasil.

Como escrevi em outro post, a clínica em que estou é focada em pacientes que tiverem câncer de mama. São 46 mulheres, com idades entre 20 e poucos até 60 anos. Pacientes jovens, segundo uma classificação usada em clínicas de tratamento de tumores. Na cidade vizinha, há outra clínica para pacientes em geral. Sou grata por ter conseguido vir para cá, pois somos todas parecidas. A troca é muito boa. 

Devo dizer que tive um pouco de azar, pois logo depois que cheguei do Brasil, peguei uma gripe. Quando cheguei à clínica, não estava tão mal, mas depois piorei. A segunda semana foi praticamente perdida, infelizmente. 

Apesar disso, considero que está sendo um tempo muito bom para mim. 

Os primeiros dias foram bem lentos, com poucos compromissos. No segundo dia, tive uma consulta com uma médica muito boa. Como eu gostaria que todas as médicas fossem assim. Ali ainda estava razoavelmente bem. Fiz mais dois dias de atividades e meu corpo disse: chega! Foram cinco dias de febre alta, na cama, suando, tossindo, limpando o nariz a cada segundo. 

Desde o final da semana passada, estou melhor. Aos poucos, fui retomando as atividades. Nesta semana, a terceira (já?!), tive dias cheios. Foi bom! 

Todos os dias, às 18h, recebemos a programação do dia seguinte. Ontem, por exemplo, que foi um dia cheio, tive exame de sangue, um atendimento individual na fisioterapia (para aprender a massagear a cicatriz), treino na academia, esporte em grupo (foi step, quase como nos anos '90), Nordic Walking, palestra sobre direitos que temos depois da doença e yoga.

Entre uma atividade e outra, temos tempo para relaxar, dormir, sentar-se ao sol (quando ele aparece), conversar com as outras pacientes. 

Existe também uma sala com computadores, nos quais podemos fazer exercícios de memória, e uma sala para arteterapia com todo tipo de material para desenhar, pintar etc. A clínica é relativamente nova, as instalações são bonitas, tudo é muito bem cuidado. Também há uma pequena estante com livros diversos e muitos quebra-cabeças. 

No período em que estava doente, li dois livros e montei um quebra-cabeças de mil peças. Foi bom para me distrair. 

O tempo durante as três semanas não foi dos melhores. Como eu estava recolhida, nem liguei muito, mas ontem fez um dia lindo e vi o quando é bom quando o sol aparece. Devagarinho, os dias têm ficado mais quentes. Isso me deixa bem mais animada. 

Ah, um ponto negativo foi que a psicóloga também ficou doente. Então, praticamente não tivemos atendimento psicológico, o que todas acharam bem ruim. 
 No centrinho de Bad Überkingen, onde fica a clínica
 Vista da janela do meu quarto, nos primeiros dias
Nos arredores da clínica, durante uma caminhada
 Os brotos nas macieiras
 Na floresta, aqui perto da clínica
 No parque da cidade, no centro, em Bad Überkingen
 Quebra-cabeça coletivo
 Opções de quebra-cabeças
 O quarto
 O outro lado do quarto :-)
 Presentinhos que estavam no cofre, deixados pela paciente que se hospedou aqui antes
 A fachada da clínica
 A vista da janela hoje de manhã

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