sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

O ano já começou mesmo

Hoje retomo minhas aulas de natação. Empolgação não é a palavra, mas eu sei que será bom.

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Faz duas semanas que comecei a fazer ginástica. Está sendo tão bom. O curso chama-se Bodyforming e é um curso com exercícios "antigos". Teve até polichinelo. Pena que é só uma vez por semana. 

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Nesta semana tivemos os primeiros casos de covid-19, pelos menos os de que tomei conhecimento. Como estão todos vacinados, os sintomas têm sido leves. 

No trabalho, temos direito a dois testes gratuitos por semana, basta retirá-los no departamento pessoal. 

Há testes para vender em todo lugar no momento, mas há algumas semanas, quando os casos aumentaram, não era tão fácil encontrar. Por isso, acho muito boa essa lei que obriga o empregador a disponibilizar pelo menos dois por semana por funcionário. 

Há umas três semanas, em praticamente todos os lugares, só aceitam a máscara PFF2. 

Apesar de tudo isso, a cada dia o número de casos aumenta. E o de mortes também, especialmente de não vacinados.

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Nesta noite, sonhei com dois animais de estimação do passado, o Piloto e a Mima.

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No final do ano passado, eu enviei livros de presente para algumas amigas. Uma delas me deu um mapa numerológico de presente, que ela mesma fez. A apresentação do resultado foi na última quarta-feira. Foi tão bom! Acho que fazia uns oito anos que não conversámos "pessoalmente" e foi muito legal ter esse contato. Gostei muito da abordagem dela sobre o mapa.

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Passamos um fim de semana tão agradável com os pais do T. em Hamburgo. Quando a mãe dele fez 70 anos a presenteamos com ingressos para o musical sobre Tina Turner. Com o avanço da pandemia, achei que nem conseguiríamos ir agora, mas deu tudo certo. O musical vale muito a pena, é muito bem feito. Fomos também numa espécie de minimundo que tem em Hamburgo, no qual há também cenários do Rio de Janeiro. Precisa praticamente um dia para ver tudo. Para completar, ainda fomos visitar o prédio da filarmônica, fizemos um city tour de ônibus e jantar com minha amiga Rebeca.

terça-feira, 11 de janeiro de 2022

Enfim, o retorno

Depois de uma semana de molho, voltei ao trabalho. No instituto, está tudo tao silencioso, que nem parece que as atividades já reiniciaram. Por conta da alta no número de infeccoes, muitos estao novamente trabalhando majoritariamente de casa. Alguns aproveitaram para prolongar as férias e ainda nao retornaram. Ou estao doentes e em licenca. Como os alemaes nao sao de falar sobre temas particulares, nem sempre se fica sabendo o que está acontecendo realmente com alguém. 

Encontrei minha sala tomada por livros, como era de se esperar. Isso me alegra muito, pois prefiro uma imensa lista de tarefas aos tempos em que as entregas estavam irregulares e nao havia muito o que fazer. Eu sempre acho o que fazer, pois o depósito está cheio de livros "esquecidos" que ninguém quer por a mao. Bom, desde o comeco da pandemia, já resgatei dois mil livros desse ostracismo. Agora, teoricamente, estou terminando o último carrinho lotado de livros antigos, que foram doados ao instituto em algum momento do passado. 

Esses livros antigos me deram a oportunidade de treinar várias atividades que havia aprendido na faculdade e nao fazem exatamente parte das minhas tarefas aqui.

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Eu adoro meu apartamento, mas tem uma coisa que era melhor na antiga regiao da cidade: a água. Ontem comprei uma nova chaleira elétrica que vem com um lugarzinho para colocar um filtro. No trabalho, eu tenho um filtro para água e uso diariamente. Em casa, nao tinha. Limpar a chaleira a cada dois dias estava me deixando maluca. Se ficava um pouco de água, no dia seguinte estava tudo branco de cal/calcário. Isso nao é prejudicial à saúde, mas causa uma irritacao a quem quer manter as coisas limpas. Uma amiga comprou um filtro para o chuveiro, pois o cabelo também sofre horrorres. Ainda estou considerando.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

Pausa para começar

2022 começou me colocando de molho. No feriado de Natal, convivi alguns dias com uma pessoa que estava resfriada. Resultado: terminei 2021 e comecei 2022 doente.

Estava de folga na semana passada e achei uma pena perder uma das poucas semanas livres tendo que ficar em repouso, mas não teve outro jeito. De qualquer forma, conseguimos passar dias felizes. 

Na segunda-feira, quando voltei para casa, fui ao médico, na esperança de que ele me desse algo para melhorar logo. Não adianta, aqui médico não dá remédio para resfriado. Eu acho meio frustrante, pois estou culturalmente acostumada de outra forma, mas uma parte de mim concorda que o corpo precisa de tempo e cuidado para ficar bom de novo. E isso significa: cama, beber muita água e muito chá, pastilhas para aliviar o incômodo na garganta e é isso. 

Por sorte, a sogra me "receitou" umas gotinhas que "a minha mãe já tomava" e resolvi pedir à farmacêutica um expectorante. Passados 10 dias, estou me sentindo melhor, mas ainda com uma tosse leve, que, me conhecendo, vai me acompanhar por algumas semanas. 

Quando fui ao médico, ele me perguntou se gostaria de fazer um teste PCR, apenas para ter certeza de que não era Covid-19. Eu já havia feito quatro outros testes, mas aceitei na hora. Não custa nada. "Algumas pessoas preferem não fazer, por isso sempre pergunto se o paciente quer fazer ou não." Se por acaso o teste dá positivo, os dados são automaticamente transmitidos para o Departamento de Saúde e você é obrigado a ficar 14 dias em casa. Imagino que alguns não queiram correr o risco de alguém ficar sabendo que estão com o vírus. 

O PCR deu negativo como esperado. O resfriado seguiu feliz, especialmente de manhã cedo e à noite. Ainda bem que recebi licença médica de uma semana e pude ficar em casa descansando, vendo alguma coisa na tv, tomando sopa.

Eu já iria ter dois dias de folga na semana, pois hoje é feriado e a sexta-feira havia tirado livre de qualquer jeito.

terça-feira, 4 de janeiro de 2022

Uma espécie de balanço de 2021

Sempre gosto de voltar a posts antigos, mas meio que tenho preguiça de escrever novos. Então para poder daqui a alguns anos me lembrar de como foi este segundo ano pandêmico, aqui algumas anotações para a Rafaela do futuro.

Começamos 2021 a dois e assim seguimos por muitos meses. Familiares fomos encontrar somente lá por março. A impressão que tenho é que amigos só fomos encontrar quando já estávamos na primavera. Talvez olhando as fotos do ano passado, eu tenha surpresas. A lembrança que ficou é que de novembro de 2020 até pelo menos começo de abril de 2021, os restaurantes ficaram fechados na região.

Os primeiros feriadões do ano, passamos em casa ou passeando de bike pelas redondezas, pois não era possível ir muito longe sem hotéis e ainda estava muito frio para acampar.

Primeiras férias

Na primeira semana de maio, resolvemos tirar uma semana de férias. Ainda não havia hotéis funcionando, então nossos locais de hospedagem foram nossos próprios apartamentos e a casa dos pais do T. Antes de começar nossa viagem de férias, fizemos a trilha de bike à beira do rio Murg. Foi num único dia e tivemos a companhia do Mohammed. 

No dia seguinte, partimos de bike de Baden-Baden para Heidelberg. Acho que foi uma das vezes em que percorremos mais quilômetros de bike: 107. Não era o previsto, mas no meio do caminho, as placas, que normalmente são bem confiáveis, começaram a nos enviar para caminhos confusos, aí sumiam, foi um pouco estressante, mas depois de quase 9 horas, chegamos! Eu estava hipercansada. Estava meio que dormindo em pé depois de tomar banho e comer algo em casa.

Descansamos um dia em Heidelberg, fomos à exposição do Banksy, nosso primeiro evento desde o começo da pandemia. Ainda não estávamos vacinados e não pediram testes. Lembro que me senti muito desconfortável cercada de estranhos. Olhei a exposição de forma rápida para sair logo dali. 

No dia seguinte, partimos para Nierstein. Foi uma viagem bonita de bike e tranquila. Os dias por lá também foram bem agradáveis. Em um dos dias, fomos a Mainz, que fica a apenas 14km. A volta para casa também foi de bike, por cidadezinhas bonitas, mas o tempo estava meio estranho, pegamos até chuva de granizo. Como dói uma pedrinha de gelo indo contra o lábio. A experiência, porém, me fez perder medo de andar na chuva. Nada como roupa adequada. No dia, ainda não tinha o protetor adequado para os pés, mas agora tenho e funciona que é uma beleza. 

Viagem ao Brasil

Na semana seguinte às férias, exatamente na segunda-feira, minha mãe pede para eu ir ao Brasil. Tinha sofrido um acidente de carro e estava achando que iria morrer. Se eu soubesse da viagem anteriormente, não teria tirado férias. Falei com meus chefes e programei a viagem para o fim de semana seguinte. A parte triste: iria consumir todos meus dias livres de férias, pois além dos dias no Brasil, teria de ficar 14 dias em casa na volta, pois o Brasil estava definido como área com vírus mutante. 

Felizmente, meu chefes me autorizaram a fazer home office na volta. Então pude trabalhar desde o primeiro dia de quarentena. 

Foi bom ter ido, apesar de ter sido no pior momento para ir ao Brasil. Passamos praticamente só em casa. Passei pela experiência de fazer testes PCR, de ter que comprovar mil vezes que morava na Alemanha para poder voltar, de ir de táxi de Porto Alegre a Vacaria, de usar máscara o tempo todo nas ruas. 

Minha mãe só foi realmente melhorar no final do ano. Passou um ano terrível com dores. 

Quarentena

Quatorze comigo mesma. Que presente! Não é que eu não goste da companhia dos outros, mas gosto demais da minha própria companhia. :-) Foram 14 dias trabalhando nos horários em que tinha que trabalhar, cozinhando todas as minhas refeições, fazendo exercícios físicos com a Gabi todo fim de tarde, montando quebra-cabeças, lendo e conversando remotamente com várias pessoas. Também fotografei os prédios vizinhos de todos os ângulos que minhas janelas permitiram. A minha quarentena foi também nas duas semanas mais quentes do ano. Não teve um dia sequer de chuva. Isso foi talvez a única parte triste, pois foi como se tivesse perdido o verão neste ano. Depois dessas duas semanas, o verão foi uma sucessão de dias chuvosos.

Outras pequenas férias:

Tiramos ainda mais uma semana de férias quando fizemos uma pequena viagem com a família. Quer dizer, com eles ficamos somente no fim de semana, na ilha chamada Föhr, no Norte da Alemanha. Depois, com nossas bikes, fizemos um trecho do Mar Báltico - passando por Flensburg, Kappeln, Eckernförde, Damp e Kiel. Quando viajamos de bike, escolhemos hospedagens em albergues da juventude, campings e hotéis mais simples - mas limpos e com boa avaliação. Até agora tivemos sempre boas experiências. Desta vez, acampamos em Nieby, à beira do mar, e em Eckernförde, também pertinho da praia. Os campings são muito bons. Nos dois havia restaurante, um pequeno mercadinho. Normalmente, o café da manhã tomamos por conta, mas compramos pão fresco. Desta vez, jantamos uma noite no restaurante e na outra, cozinhamos, pois tínhamos muita coisa para cozinhar e não queríamos mais carregar. A Deutsche Bahn resolveu fazer várias greves e a pior foi bem nessa semana, mas eu estava decidida a ter férias, mesmo que tivesse que me estressar um pouco no final. Somos duas estrelinhas sortudas. Porque estava um caos, a Deutsche Bahn ofereceu despachar nossas bicicletas gratuitamente e não tivemos problemas na volta. Até conseguimos lugares sentados a viagem toda em lugares não reservados. 

Depois dessas pequenas férias, tivemos mais dois momentos livres, nos nossos aniversários. Conseguimos fazer a trilha de bike à beira do Rio Tauber e conheci finalmente a bela Rothenburg ob der Tauber, uma verdadeira cidadezinha alemã como conhecemos de todos os clichês. Em seguida, percorremos os 100km da trilha com tranquilidade nos três dias seguintes, nos hospedamos no maravilhoso Tauberlodge em Creglingen. Visitamos o Castelo de Weikersheim, passamos algumas horinhas em Lauda e em Tauberbischofsheim,  fomos nas águas termais de Bad Mergentheim, pernoitamos na também maravilhosa Belle Maison em Werbach, onde comemoramos meu aniversário, e terminamos nossa viagem em Wertheim. Desta vez, caprichamos na escolha dos hotéis, pois era uma viagem comemorativa. :-)

No final de outubro, mais uma curta pausa. Fomos a Bad Wildbad, na Floresta Negra. Foram três dias felizes, com visita às águas termais, passeios pelo parque e milhões de fotos outonais, com as árvores pintadas de amarelo. 

Pequenas importantes ações:

Coloquei quadros na parede do apartamento. Ainda há espaço para muito mais, mas os primeiros estão colorindo a sala e o quarto. A casa ficou mais bonita com as lembranças de momentos felizes nas paredes. 

Finalmente fui ao Consulado Italiano em Stuttgart e obtive minha carteira de identidade. Eu havia feito um primeiro pedido em janeiro de 2019, mas alguma razão não havia funcionado. Desta vez, em 10 dias a identidade estava na minha caixa de correios. Isso facilita a vida, pois tem o endereço impresso e não preciso mais estar sempre com meu passaporte. 

Consegui encontrar tempo para ir comprar vasos para minhas janelas. Em um deles, tenho plantinhas de inverno e no outro, temperos que resistem ao frio: alecrim e tomilho. Há planos floridos para a primavera. 

Minha amiga querida Márcia lançou o livro Nove histórias errantes, para o qual escrevi a orelha. Fiquei feliz por conseguir me organizar para enviá-lo para pessoas queridas, amigas antigas, amigas de todas horas, amigas recentes, pessoas que não são tão próximas, mas foram bem importantes nos últimos dois anos. Meu afilhado foi meu assistente para imprimir pequenos cartõezinhos, envelopar e enviar os livros.

Fiz um curso de Primeiros socorros de saúde mental, que me forneceu boas ideias sobre como lidar com pessoas em crise mental.

Fiz 10 meses de curso de inglês. Além de melhorar um pouco em algumas áreas, conheci essa pessoa incrível que é a professora Kelly.

Perdi o medo de andar de bike com chuva.

Ganhei de amigos um curso de natação. Foram dois meses desafiantes. Consigo me movimentar muito melhor na água, quase nadar. Minha relação com a água na piscina mudou. No primeiro dia, eu tinha um medo enorme. Agora, já entro com tranquilidade e sem tanto medo de cair, ficar debaixo d'água. Decidi continuar com as aulas neste novo ano. Eu adorei nosso professor, Nico, que tem toda paciência do mundo. Quem sabe até o verão, eu consiga nadar sem medo de lugares em que não dão pé.

Comecei a montar quebra-cabeças e descobri um passatempo que adoro.

Fiz dois cursos da Rita Lobo, um sobre temperos e especiarias e outro sobre Prato feito. Neste ano, passei a cozinhar muito mais do que em toda a minha vida. T. foi um companheiro maravilhoso neste quesito - e em vários outros -, pois também ficou orgulhoso de nossos pequenos avanços na cozinha. 

Comecei a ajudar regularmente um grupo de voluntários da região do bairro de Irajá no Rio, os Catadores do Bem, após ver uma postagem de uma amiga no instagram. De tanto ler notícias do aumento dos preços do gás no Brasil e também influenciada por meus cursos com a Rita Lobo, que usa panela de pressão pra tudo, tomei a decisão lá pela metade do ano de comprar panelas pra os participantes do projeto. Mensalmente, são distribuídas cestas básicas para 80 famílias de catadores, além de itens de higiene e outras ajudas arrecadadas no decurso do mês.

Passei a comprar regularmente flores.

Tomo diariamente chás, algo que nunca havia imaginado. É claro que o clima juda bastante. 


Diário do câncer de mama 6 - a primeira quimioterapia

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