sexta-feira, 10 de dezembro de 2021

Pré-Natal

Ontem à noite quando cheguei em casa, havia um cartaozinho na minha porta. A vizinha de porta havia deixado, para agradecer os presentinhos do Dia de Sao Nicolau. Hoje de manha, por acaso, a encontrei ao sair de casa. Antes nunca havíamos conversado. Hoje paramos um minutinho. Ela ficou tao feliz com a sacolinha de doces. Eu fiquei também feliz pelas palavras bonitas que ela me escreveu. 

Agora na hora do almoco, estava comendo meu sanduíche quando uma das colegas do empréstimo veio me chamar. As três colegas do setor queriam fazer um brinde de encerramento do ano e me convidaram para participar. Eu fiquei tao contente com o gesto.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

Há mais felicidade em dar do que receber

 Hoje é dia de Sao Nicolau aqui na Alemanha, o Nikolaustag. Neste dia, as criancas levantam animadas para ver o Nikolaus deixou em seus sapatos. Normalmente, é chocolate, mas pode ser também coisinhas de material escolar, pequenos brinquedos.

Ano passado, eu simplesmente me esqueci do Nikolaustag. Neste ano, porém, me preparei. Comprei ainda em outubro 1kg de ouro branco, para distribuir para os colegas de trabalho, na semana passada comprei chocolates para os vizinhos e uma caixa de chocolates para o pessoal da marcenaria que tem no quintal do meu prédio. 

Eu nem faco ideia de como será a reacao dos presenteados e isso também nao me importa muito. Eu fiquei simplesmente feliz por ter me lembrado neste ano e, quem sabe, fazer alguém feliz. 

No meu escaninho também tinha umas coisinhas e fiquei feliz, mesmo sem saber de quem foram. 

Ontem fiz um bolo de chocolate e hoje o Thorsten levou um padaco para o trabalho. Os colegas ficaram felizes também. 

sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

A vida acontece quando você está fazendo planos

Eu ouvi essa frase em uma música um dia desses e ela combina com muitas de nós. Comigo, pelo menos. Eu vivo fazendo planos. Nem sempre me dou conta de que os dias estão passando com o levantar cedo-tomar banho-tomar café-ir para o trabalho-trabalhar 8h-voltar cansada para casa-cozinhar-comer-tomar banho-ler-dormir. E olha que poder fazer tudo isso hoje em dia é meio que um privilégio. Entre uma tarefa e outra, faço planos para os momentos em que não estou nessa rotina. Por isso, talvez, vez ou outra ler ou ouvir essa frase é bom, pois parece que me faz despertar de um modo meio automatizado, meio zumbi.

***

Eu nunca mais fui ao cinema. É uma pena, mas a pandemia trouxe junto uma insegurança de ir ao cinema. Eu até fui no verão de 2020. Fui a única na sala. Foi estranho, mas foi bom. 

Aliás, vi pouquíssimos filmes neste ano. Eu não vejo tv há anos e aqui nem sei o que passa na tv. Durante alguns meses neste ano, assinamos o disney+ e vimos tudo que gostaríamos. Quando percebemos que estávamos vendo algo por obrigação, resolvi cancelar o serviço. Depois, assinei o Amazon Prime por alguns meses, mas como vimos apenas uns dois filmes e encomendei pouca coisa, também cancelei. 

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O inverno chegou na última semana. Ainda estou indo de bike pro trabalho, mas todo dia analiso a situação da rua para decidir se vou a pé, de bonde ou de bike. Por enquanto ainda não teve neve que suje as ruas a ponto de ficar perigoso. O problema nem é a neve, mas quando a água congela sobre as vidas e fica escorregadio. Isso é ruim para caminhar e para andar de bike. Eu nunca tive essa experiência antes com a bicicleta, por isso estou um pouco apreensiva, mas acho que com um pouco de prática vai ficar tudo bem. O frio não é o problema, pois as roupas certas resolvem. Hoje comprei uma luva nova, já que a minha atual começou a rasgar e não é impermeável. 

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Se a pandemia um dia terminar, vou receber bastante visitas aqui. Algumas já compraram as passagens. Tomara que dê certo. Agora, por exemplo, é um péssimo momento para vir. 

quarta-feira, 27 de outubro de 2021

Outono

Parece que depois de muitos anos, fiz as pazes com os Paralamas. Havia uma época em que nao podia mais ouvir, mas dia desses me peguei cantarolando Lanterna dos afogados. Depois disso, ouvi várias vezes as músicas de que mais gosto. 

O outono chegou com tudo agora. No início, sinto uma pequena tristeza. Mais pela perspectiva de meses de frio e escuridao, menos pela estacao em si, que acho bem agradável. As árvores já estao amareladas. Logo as folhas comecarao a cair. Aí, sim, o negócio fica sério. Pelo menos logo haverá já mercados de Natal, o que deixa o friozinho mais aceitável. No final das contas, eu acho legal poder aproveitar cada estacao com tudo que se tem direito. 

Ontem encontrei uma amiga que teve um bebê. Um bebezao! T. é muito fofinho. Foi ótimo encontrá-la depois de tantos meses. A última vez que havíamos feito algo juntas foi em fevereiro de 2020, pré-pandemia. No verao, nos encontramos pro acaso na rua, mas eu estava cheia de pressa naquela dia. 

Já estou com saudades de fazer um tour de bike. O último foi muito bom, no meu aniversário. Conheci finalmente Rothenburg ob der Tauber, a cidade com mais ar "alemao" da Alemanha, pelo menos de acordo com os estereótipos. Ainda é uma cidade murada e toda bem conservada. Depois passeamos por outras bonitas, como Wertheim, Tauberbischofsheim, Lauda e Bad Mergentheim, onde fomos a uma estacao termal e foi ótimo. 

Para o aniversário do T. planejamos uma outra pequena viagem, já que na segunda-feira é feriado. Desta vez, vamos conhecer Bad Wildbad, onde também tem uma fonte termal, que é algo perfeito nos dias frios. Eu estou pensando se agendo massagens também.

Em novembro, teremos pelo menos duas outras viagens de fim de semana. Isso me faz um bem danado. 

A pandemia parece nao querer dar trégua de jeito algum. De qualquer forma, estou cheia de planos para 2022. Tomara que consigam sair do papel. 

Ler as notícias do Brasil causam uma gastura. Eu me pergunto como alguém ainda pode apoiar alguém tao perverso como essa bosta que ocupa a presidência. Sinceramente! 

quarta-feira, 29 de setembro de 2021

Gatilho?

Ontem o marido de uma amiga conclui o doutorado, passou pela banca. Eu fiquei superfeliz por ele, pois a data foi marcada com antecedência e parece que demorou uma eternidade chegar. Hoje de manha, vi que ela me mandou um vídeo com o momento da concessao do título. Foi bem legal. 

Depois, quando já estava no trabalho, lembrei da minha própria defesa, da presenca da minha amiga Angela, que partiu neste ano, da época do final do doutorado. Pensei no recém-formado doutor e imaginei que hoje deve ter amanhecido aliviado. 

Repentinamente senti algo tao ruim. 

Logo em seguida, fiquei me perguntando se esse é o tao famoso gatilho que muitas vezes já vi mencionado no twitter, mas nunca consegui entender bem. 

Apesar de pensar em uma situacao totalmente positiva e que me deixa feliz, a defesa de doutorado do conhecido, ao lembrar do meu dia seguinte, que foi horrível, isso me deixou mal. 

Veio tudo de novo, todos os sentimentos ruins da época. Eu estava feliz pela defesa do doutorado, mas na madrugada passei mal, vomitei, desloquei meu maxilar, tinha uma péssima sensacao em relacao ao meu companheiro, que nao estava nem aí pra nada. 

Ui, credo!!!

Ainda bem que tudo isso já é (ou pelo menos parece ser na maior parte do tempo) passado. 

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

Volta ao batente

 A semana de férias foi ótima. Descansamos, andamos de bike, passeamos com a família, conhecemos lugares diferentes. Foi maravilhoso ver o mar, conhecer uma parte do Mar Báltico, molhar meus pés na água fria e salgada, tomar sol, ficar com o nariz vermelho. Os dias em Föhr passaram voando. Depois aproveitamos dias lindos percorrendo de bike o trajeto entre Flensburg e Kiel. Gostei particularmente de Kappeln. Passamos também por Glücksburg, Eckerförd e outras pequenas cidadezinhas bem rurais à beira-mar. O cenário é enfeitado por farois, vaquinhas holandesas e muitas plantações - de milho, especialmente. 

Fomos pegos de surpresa pela greve dos maquinistas. Quando soube que eles fariam greve de quinta à terça, tive certeza de que não estragaria minhas férias por causa disso. Eu ficaria nem que tivesse que aumentar minhas férias. No final, fizemos um pequeno arranjo - enviar as bikes por malote - e voltamos tranquilamente para casa como planejado. A bicicleta chegou com dois dias de atraso, mas chegou. O lado bom é que atingi meus 10 mil passos diários facilmente indo a pé para o trabalho.

Quando cheguei em casa, descobri que os vizinhos tinham organizado um mercado de pulgas no nosso quintal no sábado. Eu não teria nada para vender, mas senti não estar em casa para finalmente conhecer os vizinhos. Nos mudamos em plena pandemia e até agora só conversei com meu vizinho de baixo - que acabou me ajudando durante minha quarentena. 

Aí, quando voltei ao trabalho, descobri que os colegas haviam feito uma caminhada juntos na sexta-feira. Um dos diretores resolveu aproveitar a semana de tempo bom e convidou todo mundo para comer bolo com café num sítio perto de Heidelberg. Ainda bem que a diretora vai fazer algo semelhante daqui a 15 dias e vou poder ir. 

quarta-feira, 25 de agosto de 2021

Ah, as férias

Mais dois dias e meio de trabalho e entäo: férias! Será somente uma semana, mas nao vejo a hora de poder ter uns dias livres para minha cabeca. As férias em maio nao foram exatamente férias. Agora realmente teremos dias sem obrigacoes. 

Ontem fiz uma massa simples, mas que ficou bem boa. O melhor foi ter feito uma porcao extra para meu almoco de hoje. 

Eu acho saudável fazer uma pequena caminhada na hora do almoco até a padaria ou o supermercado para comprar uma salada. Meu problema nao é nem a caminhada, mas a falta de opcoes de almoco que me entusiasmem muito. Eu até gosto do buffet de saladas do Rewe, mas sinto falta mesmo é de um restaurante a quilo. Tem dois restaurantes universitários por perto, mas desde o comeco da pandemia, eles nao sao mais a mesma coisa. Um deles, nem posso frequentar, pois nao tenho a carteira da instituicao. Ou seja, acaba sendo mais agradável trazer comida de casa, o que eu deveria fazer era me obrigar a sair do instituto mesmo que fosse para uma caminhada de 15 minutos. Meu corpo sente falta de mais movimento.

As primeiras árvores que ganham folhas na primavera já estao comecando a perdê-las. Sao sempre as primeiras em tudo... E sinto uma pequena tristeza, pois logo já estará frio novamente.

terça-feira, 17 de agosto de 2021

Passeio de verão

Uma amiga está preparando um livro de contos e me pediu para escrever a orelha. Fiquei muito lisonjeada pelo convite. Espero que o texto saia à altura. 

***

Na semana passada, vi no jornal local uma matéria sobre um Biergarten e me dei conta de que nunca havia feito uma busca no Google sobre os Biergärten que existem nos arredores de Heidelberg. No final, acabamos indo no mencionado no jornal, mas agora sei que existem alguns outros. 

Para chegar até o Bierhelderhof foram 3,5km de subida, mas valeu a pena. O caminho era interessante. Logo depois de deixarmos a região central da cidade, escolhemos atravessar um cemitério, que é enorme! Como não tínhamos pressa, fomos conhecer os túmulos de algumas celebridades locais, como o de Max Weber e o do ex-presidente Friedrich Ebert

O dia estava bem quente, talvez um dos mais quentes desse verão claudicante. Na volta, acabamos indo a outro cemitério, por acaso, onde estão enterrados soldados da primeira e da segunda guerras mundiais. Estava absorta, observando as datas de nascimento e morte dos soldados, quando me dei conta de que ali estavam enterrados nazistas. Foi meio louco a transformação dos meus sentimentos. De repente, não senti mais dó de quem morreu aos 20, mesmo sabendo que nem todos que vão para as guerras defendem os ideais dos comandantes.

***

"O caçador de pipas" não me sai da cabeca nos últimos dias. Assim como não consigo parar de pensar nas meninas e mulheres que precisarão continuar a viver no Afeganistão. que tristeza enorme. E que ódio desses homens broncos que consideram as mulheres como nada.

quinta-feira, 15 de julho de 2021

Um pouco de tudo

Acho que passei de nível na minha carreira como ciclista. Perdi o medo da chuva. Agora, para nao ir e vir de bike tem que estar chovendo canivetes. Se for uma chuva média, nao vejo mais problemas. Claro que o grande incentivador disso foi ter cancelado o cartao do transporte público. Aliás, hoje estava pensando que já faz quatro meses que fiz isso e tive uma economia de 260 euros. Nada mal, né? Desde entao, usei o transporte público uma vez, mas com o tíquete da viagem que faria a Baden-Baden. Claro que morar perto do trabalho e da estacao ferroviária também ajuda, assim como minha grande sorte de até agora nao ter chovido nem um dia ao ir para o trabalho. Na volta, já tive que colocar a roupa de chuva, mas na ida, nunca.

Uma das coisas mais legais da minha máquina de lavar é que posso programar para ela comecar a lavar mais tarde. Isso é uma ajuda e tanto, pois coloco a roupa na máquina de manha, ela lava uma hora antes de eu chegar em casa e nao fica o dia todo molhada dentro da máquina. Quando chego, está pronta e evito descer e subir até a salinha onde estao todas as máquinas dos apartamentos do prédio, que fica no térreo.

Já o mesmo recurso na máquina de lavar louca ainda nao vi motivo para usar. 

Eu acumulo pontos toda vez que compro em determinadas lojas alemas. Estava com quatro mil pontos e resolvi trocar por algumas coisas que estava querendo comprar. Troquei meus pontos por três produtos: um suporte para celular para acoplar à bicicleta; uma luz com sensor de presenca para o banheiro - pois acho horrível a claridade quando preciso ir ao banheiro de madrugada; e uma balanca. T. ficou triste com a minha decisao de ter uma balanca. Apesar de ele ter uma balanca velha no banheiro, ele viu isso como um retrocesso para alguém que estava tentando ser menos brasileira na pressao que a sociedade impoe em relacao ao corpo. Perdi a luta.

Nesta semana fiz a segunda dose da vacina. Quer dizer, tomei uma segunda vacina. Na primera vez foi astrazeneca; na segunda, BionTech Pfizer. Meu corpo se incomodou um pouco das duas vezes, mas nada pior do que eu já tenha passado na minha vida.

Desde que moro na Alemanha, os veroes tinham sido bem secos. Este ano, nao. Está chovendo horrores em diversos estados, com desabamentos, mortes e perdas enormes. Em Heidelberg, o rio Neckar está bem alto, mas ainda nao teve consequências piores. Só o cancelamento de shows que ocorreriam à beira do rio, o que depois de um ano e meio de cancelamentos de eventos nem surpreende mais. 

Tomara que até agosto melhore, pois gostaria muito de aproveitar minha semaninha de férias com sol. 

Temos duas pequenas viagens programadas e isso me dá uma alegria enorme. Tudo aqui na Alemanha, pois sem ter necessidade, nao tenho a menor vontade de deixar o país. Iremos conhecer (mais eu) duas novas regioes, estou bem animada. 

domingo, 20 de junho de 2021

Vivências da quarentena

 É ótimo fazer uma quarentena sem estar doente e tendo tido tempo para planejá-la. Também é fácil ficar em isolamento quando sabemos que é temporário e que há pessoas nos esperando lá fora. Outro ponto: tendo o suficiente para fazer durante o tempo. 

Estou trabalhando remotamente, com reuniões, minhas tarefas usuais, materiais para estudar. Além disso, tenho o suficiente para ler, para cozinhar, para me exercitar, quebra-cabeça para montar, cursos para finalmente terminar. 

Ainda faltam três dias para eu poder sair de casa.

Ontem fiz focaccia pela primeira vez. Ficou bem gostosa. Eu fiquei bem orgulhosa de mim, pois fazer algo na cozinha é sempre uma pequena conquista para quem nunca se sentiu estimulada a cozinhar. 

Outra conquista da quarentena foi fazer exercícios físicos todos os dias - até aqui. Quando morei em Stuttgart há alguns anos encontrei uma professora no YouTube. Na época fiz um ou outro exercício. Quando voltei do Brasil agora, me lembrei dela - Gabi Fastner. Tinha exatamente uma série de 14 dias. Mais de uma até, mas escolhi a que diz 14 dias até a primavera. Hoje vou fazer a 11a aula estou me sentindo tão bem por estar me movimentando.

Hoje quebrei um pequeno porta-velas. Foi uma das poucas coisas que quebrei nesses três anos de Alemanha. Para ser sincera, não me lembro de ter quebrado qualquer outra coisa. 

Ah, mas o que fiz de mais tolo nesses dias de quarentena foi colocar fogo em uma esponja e num paninho de enxugar a pia sem querer. Bom, quem faria isso por querer. Liguei a boca errada do fogão e não vi. A esponja e o pano estavam em cima dessa boca. Só percebi quando o alarme de incêndio começou a berrar! Levei o maior susto. Fiquei alguns minutos depois sentada no sofá em choque. A sala e cozinha ficaram com muita fumaça - o que dispara o alarme. 

Tirando isso, o mais tem corrido bem. 

sábado, 12 de junho de 2021

Quarentena

 Até então, eu não tinha sentido muito as limitações impostas pela pandemia. Claro que senti falta de ir a restaurantes, cinema e afins, mas, de modo geral, como segui indo ao trabalho e podendo encontrar o T., foi até moleza encarar as restrições. 

Agora na volta do Brasil, está sendo a primeira vez neste ano e meio de pandemia que estou realmente com minha liberdade limitada. Pelo menos durante esses 14 dias depois da chegada de volta à Alemanha. Apesar do teste negativo obrigatório para poder entrar no avião e depois no país, o governo impõe 14 dias de quarentena a quem vem de países com variantes do vírus, como é o caso do Brasil. 

Durante esses 14 dias não posso sair do apartamento, nem para levar o lixo para fora, nem ir à caixa de correspondências. Para vir do aeroporto para casa, porém, pude pegar um trem. T. não poderia ir me buscar porque se fosse, teria ele também que fazer quarentena.

Antes de embarcar ao Brasil, preenchi um formulário com os dados da minha viagem mais informações de onde faria a quarentena. Logo em seguida, recebi um e-mail da prefeitura de Heidelberg com informações básicas sobre a quarentena. E o valor da multa, caso viole a regra: 25 mil euros. 

Havia feito um verdadeiro rancho antes da viagem. Um dia antes da minha chegada, T. comprou legumes, verduras e frutas. Tirando o que estraga mais rápido, teria comida para mais de um mês, eu acho. 

T. me fez uma pequena surpresa ao deixar também flores, livros sobre um tema que preciso estudar, dois quebra-cabeças e uma farinha para fazer um pão de batata. Esse tipo de coisa me deixa feliz, pois eu adoro surpresas e acho que ele é uma das primeiras pessoas que me faz surpresas. 

Como poderei trabalhar durante esse período, não precisarei gastar meus dias de férias fechada em casa. Além disso, com o trabalho, o tempo para fazer outras coisas acaba não sendo tão grande. 

Comecei logo no primeiro dia a fazer uma série de exercícios físicos. Curiosamente, sem perceber, escolhi um curso no YouTube que dura 14 dias. Assim, não posso em dar o direito de pular algum dias. 

Planos que mudam

 Quando maio começou, estávamos cheios de planos. Uma semana de férias, depois teríamos ainda dois feriadões. Na segunda-feira pós-férias fiz uma listinha das plantinhas que iria comprar para colocar nas minhas novas jardineiras na janela. Bom, a lista ainda está aqui, para ser comprada daqui a uns 15 dias...

Naquele mesmo dia, minha mãe me escreveu pedindo se eu poderia ir porque ela não estava bem. Ela não pediria se não fosse sério, ainda mais depois de ter encarado quase um ano e meio fechada em casa, sem poder ver ninguém ou seguir com as atividades a que estava acostumada. 

Em três dias, comprei a passagem, marquei o teste PCR para poder viajar, conversei com meus chefes, consegui uma brecha para fazer a vacina contra o coronavírus, me informei sobre o que deveria fazer tanto para ir quanto ao voltar, fiz compras para a quarentena. E no resto do tempo até a hora de entrar na área de embarque aproveitei todo o tempo com o T. 

Não é o melhor momento para viajar, mas foi bom ter ido, ver como estava tudo de perto. Duas semanas passaram voando. Agora a mãe já está bem melhor.

E ainda pude conhecer o Fafá, meu irmãozinho felino mais fofo do mundo! Que falta que ele me faz. 

terça-feira, 4 de maio de 2021

Mapa astral 1

 Há alguns dias, fiz mais um mapa astral.

Devo dizer que cada vez mais acho que por muito tempo tive uma visão errada de mim em certos pontos. Apesar de até isso ser meio contestável. Sempre me achei muito cética, objetiva, nada emocional. 

Nos últimos cinco anos, a cada dia me dou conta de que sou superpassional, superemotiva e, muitas vezes, nada objetiva. 

Não, isso tudo não está no meu mapa. Estou quase fugindo do assunto. 

É que sempre achei que nunca levaria um mapa astral a sério e que sempre foi uma coincidência depois da leitura do mapa, mesmo que depois de anos, algumas coisas ditas se tornaram realmente fatos. 

Por exemplo, o primeiro mapa foi feito, suponho, antes de 1998, quando meu pai ainda era vivo. A moça que fez era namorada de uma colega do curso de jornalismo. Lembro de ter me marcado ela ter dito que meu relacionamento com minha mãe tinha/teria um peso importante na minha vida. Por muitos anos, eu não suportava conversar com minha mãe, por ela ter modos de ver a vida muito antiquados. Isso mudou completamente quando meu pai morreu. O relacionamento com minha mãe passou por uma grande transformação. Apesar de, não posso negar, ainda achar que ela não tinha razão naquelas questões que me incomodavam quando eu era adolescente, mas hoje entendo que a criação ultrapassada que ela teve a fizeram ser do jeito que é.

O segundo mapa fiz muitos anos depois, já morava no Rio há muitos anos e estava meio sem saber se terminaria meu doutorado. Estava numa fase cheia de incertezas em 2015 - mal sabia que 2016 seria um ano difícil de verdade! Lembro de ela ter me dito que, sim, terminaria meu doutorado. A tese teria muitas imagens, o que na época não fazia o menos sentido. No final, diria que um pouco menos da metade da tese foi feita de imagens e gráficos. Até coloquei a senhora que fez o mapa nos agradecimentos. 

Curiosamente, ela me perguntou sobre meu relacionamento. Falei que era bom. "Em time que está ganhando, não se mexe", ela respondeu. Fico aqui imaginando o que pode ter sentido ou visto no mapa. Meu tão perfeito namorado teve um caso com uma mulher casada meses depois (!). 

O mais engraçado desse segundo mapa foi que mal em sentei para ouvir a leitura e ela me perguntou: "para onde você está indo? Para qual país?". Porque as estrelas mostravam que eu iria morar em outro lugar, distante, mas com uma língua macia. Falei: "Só consigo pensar na Alemanha". Afinal, trabalhava com alemães, já tinha morado na Alemanha... "Não, Alemanha, não. Um lugar com uma língua mais amável." Até agora me pergunto quando chegará esse momento desse país com língua macia. :-)

Desta vez, a querida Babi foi obejtiva. Ela reafirmou que não fui feita para morar perto do lugar em que nasci, mais cedo ou mais tarde iria para o mundo. Bom, nunca neguei meu destino. Desde os 13, 14 anos já sonhava em ir morar em algum lugar distante. A vida só me permitiu isso bem mais tarde, mas estou bem feliz onde estou. E isso está lá no mapa. Acho isso muito louco, pois Babi nunca tinha me visto na vida. E isso me deixou tão feliz. 




terça-feira, 27 de abril de 2021

De bike

Estamos chegando ao fim de abril e me sinto orgulhosa por ter ido ao trabalho, até agora, todos os dias de bicicleta. Tomei a decisao ainda em fevereiro de cancelar meu cartao do transporte público. Por sorte, o clima ajudou. Apesar de ter havido até neve enquanto eu estava no trabalho, na hora e ir e voltar, o tempo estava seco. Frio, muitas vezes, mas seco. 

Ano passado, de abril até setembro, consegui ir praticamente todos os dias de bike pro trabalho. E eram 16km ao todo, ida e volta. Agora, sao apenas 4km. Por isso também a decisao do cancelamento do cartao - e uma economia de 65 euros mensais. Nao há desculpas para nao ir de bicicleta. O percurso dura menos de 10 minutos. Se eu precisar pegar o bonde, a passagem custa 2 euros. Também tomei a decisao para me incentivar a me mexer um pouco mais.

***

No fim de semana, o primeiro com temperaturas realmente amenas, decidimos fazer dois passeios mais longos de bicicleta. T. trouxe a bike e percorremos ao todo 90km. No sábado, fomos em direcao ao norte. Estava um dia lindo. Para chegar às cidades vizinhas, vamos por ciclovias instaladas normalmente em meio a plantacoes. Passamos por Ladenburg e em uma outra pequena cidade até chegarmos a Weinheim, nosso destino. Lá, pudemos comprar algo para comer, sentadinhos no centro da cidadezinha bonita. Depois voltamos por Schriesheim e Dossenheim. 

No domingo, fomos a Leimen, Wiesloch, Walldorf e depois Schwtzingen. Estava mais frio, mas nao menos bonito. Foi maravilhoso poder sair um pouco da rotina, do ficar só em casa. O legal dos passeios de bike é que o contato com outras pessoas é mínimo. Só mesmo quando precisamos comprar algo. Acho um meio seguro de passear.

terça-feira, 13 de abril de 2021

Estado de ânimo que se altera a cada instante

Em vários momentos diferentes, penso que gostaria de escrever um post. Só que nem sempre dá naquele instante, aí deixo pra depois e acabo esquecendo o que tinha de tao importante para registrar. 

Neste momento nao tenho nada de importante para dizer, mas gosto tanto quanto os blogs que sigo dao sinal de vida, que resolvi dar um por aqui também. 

Os dias nao têm sido fáceis. Grande novidade, né? Parece que esse martírio nao tem fim. Nao bastasse agora a cada par de dias saber de alguém que está doente por causa do vírus, no sábado perdi uma grande amiga, que teve outras complicacoes de saúde, ficou em coma por quatro meses e agora, como escreveu a nora, descansou. Toda vez que leio uma homenagem a ela, fico novamente tao desolada. Eu nao consigo acreditar que na próxima vez que nossa turminha do mestrado se reunir, seremos apenas cinco. Eu nao consigo acreditar que ela morreu. Parece que a ouco dizendo em tom conspiratório: "Isso aí, Rafinha, é tudo intriga da oposicao". 

Eu ando me sentindo angustiada demais e ansiosa demais. Comprei dois livros indicados nos comentários de um post da Lud. O primeiro, sobre depressao, fui obrigada a abandonar. Quando o autor comecou a contar como as pessoas se matavam, achei melhor parar de ler. Nao que eu esteja a esse ponto, mas ler sobre isso acho que me causaria uma angústia ainda maior. O segundo, sobre ansiedade, é mais "leve", mas acabei lendo outros dois livros enquanto o estou lendo. Aliás, um que gostei muito foi o de Alexandra Gurgel sobre odiar o próprio corpo. Vivemos mesmo numa sociedade doente.

Ainda nao consegui decidir sobre quando vou me dar uma semana de férias. Eu queria sair um pouco da rotina e nao simplesmente ficar em casa sem fazer nada. Talvez no comeco de maio, vamos ver. Abril já está quase no meio... Ano passado fizemos alguns tours de bike em maio e foi tao bom. Quem poderia imaginar que neste ano a situacao estaria pior do que há um ano.

Enquanto estava escrevendo este post, recebi uma mensagem de uma amiga brasileira. Ela conseguiu um emprego em uma biblioteca! É como se eu tivesse recebido um choque de ânimo. Estou sentindo uma alegria sem tamanho. Incrível como uma notícia boa pode ser transformadora. 


quarta-feira, 31 de março de 2021

Lista de tarefas para a vida - ou um ataque de frases de autoajuda

1. Nunca esquecer o quão privilegiada eu sou. Nunca! Neste mundo injusto, ter um teto e o suficiente para comer já é um baita privilégio. Que dirá um emprego relativamente seguro, um amor e recursos suficientes para tomar decisões. 

2. Não perder a esperança em momentos de desesperança. Não há tempestade que não seja sucedida por um belo dia de sol, mesmo que demore.

3. Lembrar de beber bastante água. Dizem que faz bem pra pele, pros órgãos e tudo mais. Se tudo isso for mentira, pelo menos você terá um motivo para dar uma escapada da frente do computador para ir ao banheiro - e, assim, dar uma voltinha.

4. Em tempos de pandemia, um motivo a mais, para se libertar de amizades ou relacionamentos em geral tóxicos. O tempo que passamos aqui já é tão limitado, para se perder tempo com gente que não vale a pena. Fazer já uma limpa em todas as redes sociais e, quem sabe, uma lista de desculpas para a próxima vez que alguém bad vibes te convidar para fazer algo.

5. Dentro do possível, dormir as horas que seu corpo reivindica. Há momentos em que pensamos que dormir é perda de tempo, mas cansados tomaremos decisões bobas e estaremos sem energia para aproveitar a vida.

6. Aliás, aproveitar a vida deveria ser o norte de qualquer um. Seja lá o que for para cada um aproveitar a vida. Para mim, é poder decidir o que quero fazer nas horas seguintes, sem pressão.

quarta-feira, 10 de março de 2021

Um pouco de férias, talvez seja disso que eu esteja precisando

 Estou me sentindo tao estranha nesses últimos dias. 

Sempre digo e escrevo e penso que vou parar de ler notícias sobre o Brasil, sobre a pandemia, sobre as misérias do mundo... e lá estou eu de novo às seis da manha percorrendo todos os jornais possíveis e discussoes intermináveis no twitter...

O mundo nao está para amadores no momento. E olha que nós, brasileiros, nem somos amadores. Nós somos especialistas em lidar com as coisas desabando, o mundo pegando fogo, as nossas expectativas sendo reduzidas a quase nada. Porém, nem assim está sendo fácil encarar tudo. 

Eu me sinto sobrecarregada, mesmo tendo uma vida nada sobrecarregada.

Estava aqui fazendo automaticamente minhas atividades na biblioteca e pensando que há um ano estava fechando as malas para a viagem ao Brasil. Aí decidi que assim que os hotéis voltarem a funcionar, vou tirar dois ou três dias durante a semana e fugir um pouco da minha rotina.  

Um pouco de férias, talvez seja disso que eu esteja precisando

sexta-feira, 5 de março de 2021

Vida segue

Eu já perdi as contas de quantas vezes já voltei às aulas de inglês. Pois agora voltei de novo. Foi num impulso. Uma amiga fez uma recomendação no Instagram, imediatamente escrevi para a professora, que respondeu também de imediato. Marcamos uma primeira conversa, gostei e marcamos as aulas. Duas horas por semana, com o compromisso de eu estudar por conta pelo menos duas outras horas na semana.

Eu aprendi a beber chá nos últimos anos. Antes, bebia de forma esporádica e sem apego. Agora, me pego gastando longos minutos na seção de chá do supermercado. Meu paladar foi se transformando. Inicialmente gostava dos chás vermelhos. Agora parece que os de ervas me agradam mais, camomila, hortelã. Ainda não estou tão avançada para gostar de chá de sálvia, mas, quem sabe, no caminho. Beber um chá agora significa ter uns minutos de (mais) introspecção, de colocar os pensamentos em ordem. E também porque é ótimo em dias frios para aquecer as mãos e a garganta.

Outra mudança desde que moro na Alemanha tem sido me aventurar mais na cozinha. Não é que eu prove receitas mirabolantes, nada disso, mas passei a cozinhar receitas básicas com mais frequência e a raramente comprar comida pronta. Acho que como mais quando cozinho, mas tirando isso tem sido uma ótima experiência. T. é bem parceiro e como também é bem amador, como eu, nos entendemos bem nas nossas pequenas cozinhas.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

Novidade tardia: home office

Na última segunda-feira, recebemos uma mensagem do setor administrativo sobre a nova medida determinada pelo governo, ou seja, o uso de máscaras "médicas" em supermercados, no transporte público e... no local de trabalho. Agora nossas antigas máscaras de pano sao coisa do passado. Só valem as tais máscaras FFP2 ou aquelas descartáveis usadas normalmente em postos de saúde. 

Naturalmente, assim que foi anunciada essa medida na semana passada, as máscaras sumiram. No dia seguinte, praticamente todo mundo já estava adequado à novidade. Menos eu. Até entao eu tinha vivido bem com minhas máscaras caseiras feitas de camisetas velhas. Nao tinha comprado nem umazinha. Tive que me render. 

Como nao achava mais nas lojas aqui perto, encomendei on-line. No mesmo dia, uma colega me deu uma dessas descartáveis e consegui encontrar outras no supermercado. Só tinha procurado nas drogarias. Comprei duas no supermercado e fiquei superfeliz - e arrependida da encomenda cara. Bom, agora tenho sete dessas FFP2, que podem ser usadas e depois deixadas tomando ar por sete dias até o próximo uso.

No mesmo e-mail do chefe do setor admininistrativo veio mais uma recomendacao para trabalhar de casa, quem pudesse. Escrevi imediatamente para a subchefe dizendo que iria me organizar para trabalhar de casa alguns dias da semana. Era algo que ela tinha recomendado já em abril quando voltei das férias. Praticamente toda a biblioteca trabalha de casa. 

Ontem, depois de pensar muito, escrevi dizendo que trabalharei tercas e sextas-feiras de casa. Ela acatou na hora e disse que iria comunicar meu chefe e o departamento pessoal. 

Pensei: quando o chefe souber, vai vir aqui. 

Dito e feito. 

Tem alguns minutos que ele veio todo curioso perguntar por que somente agora, depois de tantos meses, eu decidi trabalhar "parcialmente" de casa. Dei os meus motivos. Recomendacao em todos os lugares (de Angela Merkel, a notícias na tv, o e-mail do comeco da semana). "Mas a senhora nao é obrigada a trabalhar de casa, a senhora sabe, nao? A senhora foi uma das únicas que continuou vindo trabalhar presencialmente, por isso a minha surpresa agora."

Meu chefe tem um lado supercontrolador. Acho que ele estava feliz por saber pelo menos o que uma funcionária faz. :-) As demais, já antigas, nao dao muita bola para ele, infelizmente, e fazem o que querem. 

Eu vou fazer uma tentativa. De repente acho um saco trabalhar de casa. Se bem que com esse clima frio, acho que vai ser bom poder ficar protegida no meu apartamento quentinho duas vezes por semana.  

terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Não gorda, mas gorda mesmo assim

Aos 18. Mostrando uma foto que eu adorava para um namorado. Eu amava a foto porque meu cabelo estava comprido, liso. A roupa não era especial, mas eu gostava da expressão no meu rosto: estava feliz encostada num muro na minha casa em Esmeralda. “Olha essa tua barriga.”

Aos 20. Trocando uma roupa perto de uma pessoa da família, me sentindo à vontade, sem grandes sentimentos, simplesmente fazendo algo corriqueiro. “Nossa, Rafaela, mas teu corpo está tão flácido.”

Aos 22. Comprei um top e nunca usei. Num dia em que pensei: Ah, dane-se. Saí do meu quarto na república em que morava e o primeiro comentário da colega de casa. “Credo, que barriga enorme é essa?”

Aos 28. Visitando parentes, consciente de que meu peso estava do mesmo jeito há meses, anos. “Como você está bem, mais magra.”

Aos 30 e tantos, reencontrando um namorado da adolescência no Orkut/Facebook. Depois de algumas mensagens curtas sobre como andava a vida. “Você está bem mais magra agora.”

Por anos seguidos, a cada reclamação sobre minha barriga “gorda”, ouvir um: “você vai conseguir, basta fazer os exercícios certos!” (eliminar a barriga e ser magra).

 

***

 

Eu nunca fui gorda minha vida inteira. Nem acabei a frase e na minha cabeça ecoou quase que automaticamente um: “mais ou menos, né?”.

Com tristeza, percebo o quanto anos e anos de comentários de outras pessoas sobre o meu corpo tiveram um impacto tão negativo em mim.  

Eu sou pequena, tenho pouco mais de um metro e meio de altura. Desde os 13 anos, idade em que lembro que já me pesava de maneira doentia, meu peso variou entre 42 e 50kg. Ou seja, em 30 anos, nunca tive um índice de massa corporal que fosse ruim, nunca precisei alterar meu manequim ao comprar roupas, nunca tive doenças decorrentes da variação do meu peso.

Apesar disso,

fui convencida desde muito cedo de que meu corpo não era adequado – às expectativas dos outros. E, claro, a partir de algum momento, às minhas próprias.

Quando olho isso de maneira racional, percebo que esse tipo de experiência é de uma maldade sem tamanho com muitas de nós no Brasil. Acredito que sejam raras as pessoas que nunca viveram tais situações e mais raros, entre nós todos, os que nunca fizeram algum comentário ou crítica sobre o corpo de outras pessoas.

Assim como recebi vários, fiz incontáveis comentários sobre corpos de amigos, amigas, parentes, colegas, vizinhos, desconhecidos... Sim, é vergonhoso. Eu tenho muita vergonha disso e, há alguns poucos anos, procuro ao máximo não fazer comentários sobre o corpo dos outros. Não é fácil, pois está muito impregnado em nossa cultura. É uma luta diária.

Mais difícil que essa, é a batalha diária para evitar pensamentos críticos em relação ao meu próprio corpo. Corpos que são saudáveis, bonitos a sua maneira, que fazem mil coisas incríveis ao mesmo tempo – como manter-se vivo, por exemplo.

Quando vejo amigas mães se esforçando para fortalecer a autoestima de suas meninas, fico feliz. Tomara que essas crianças consigam crescer gostando de seus corpos maravilhosos do que jeito que eles são. Era o que queria ter vivido.

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Neve, de novo

Neva de novo. Hoje mais forte do que na última sexta-feira. Um funcionário até já usou o carrinho para tirar a neve da calcada. Alguém em explicou que se alguma pessoa cai por causa da neve, o responsável pelos custos caso ela se machuque é o dono do condomínio, do instituto, do terreno etc. Sei lá se é assim mesmo, mas noto que os caminhos sao sempre mantidos limpos na frente de supermercados, lojas e prédios.

Depois de praticamente três semanas fora de casa, é tao bom estar de volta. Eu gosto do meu apartamento novo, mesmo que ainda nao esteja tudo arrumadinho como eu gostaria. Ainda falta um armário para o banheiro, um pufe para a sala e tapetes. Depois, acho que comecarei a colocar quadros e outros enfeites. Por ora, está tudo fechado de qualquer forma. Nem dá para ir passear em lojas de decoracao. 

Quinta-feira passada fiz um bolo que ficou horrível!!! Dá uma pena o desperdício dos ingredientes, mas nao teve jeito. O coitado do bolo teve que ir para o lixo. No fim de semana, comprei chocolate em pó da Lindt. Caro! Agora nao dá para dar errado. 

Estou ansiosa para programar uma próxima viagem. Parece que me falta alguma coisa quando nao tenho uma viagem programada, mesmo que seja uma curtinha. Bom, temos planos para nossos passeios de bike na primavera. Bom, a primavera ainda está tao longe. Hoje estava me lembrando que já vi neve em abril (em 2017 e 2018). No ano passado praticamente nao teve neve. Aqui no instituto nao nevou nem uma vez. No bairro em que eu morava, uma. 

Queria planejar uma viagem também ao Brasil, mas está difícil. Tomara que logo sejamos vacinados. Quanto mais vacinas forem autorizadas, acho que mais rápido andaremos na fila. Assim espero, pelo menos.

Li que Sex and the city terá uma nova temporada. Sem a Samantha! Será apenas and the city, sinceramente. De qualquer forma, já sei desde agora que irei assistir. Como elas fizeram parte da minha vida em 2004. Lembro que na época um relacionamento chegou ao fim e fiquei feliz (uma parte, pelo menos), pois teria mais tempo para me dedicar à série. Eu demorei a comecar a ver. Em 2004, vi todas as temporadas disponíveis.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Neve

A neve cai mansamenente desde muito cedo. Aos poucos, o gramado vai ficando branco. Eu gosto de chuva, mas a neve é mais suave.

Hoje está uma calmaria no instituto. Na biblioteca, acredita que estejamos apenas em quatro. Há o seguranca na portaria. Pesquisadores, confesso, nao vi nem um. 

Acho que o ano comecará mesmo na próxima segunda-feira.

Eu até tinha pensado em ficar de férias até lá, mas nao quis gastar os dias que podem fazer falta quando eu puder ir ao Brasil ou no verao. 

E também porque tive dias suficientes de folga. Foram 19 no total, dos quais fiquei todos fora de Heidelberg. Já estava com saudades do meu apartamentinho novo.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

Final de 2020

Começamos 2020 ajudando na mudança de amigos do T. em Frankfurt. Casa cheia de pessoas que se conheceram naquele fim de semana. Algo impensável neste final de ano. Praticamente todo mundo que conheço passou o Natal e a virada com a família, e muitas vezes só mesmo as pessoas mais próximas da família, em grupos bem menores do que 10, 15 pessoas. 

Passamos o Natal em Nierstein, depois de semanas pensando se iríamos mesmo. T. fez um teste antes de tomarmos a decisão final. Por enquanto, estamos todos saudáveis. A família é pequena. Ficamos com os pais durante os dias autorizados pelo governo, de 23 a 26 de dezembro. Depois um dos irmãos veio passar um dia conosco. 

Ontem, estávamos sozinhos. Fizemos Raclette e foi muito bom. Esperamos até a meia-noite para mais um brinde e fomos dormir felizes. 

Eu ainda tenho mais uns dias de folga, antes de começar o novo ano no trabalho. 

A pausa de duas semanas e meia está sendo muito boa. não fizemos nada específico. Simplesmente ficamos à toa, cozinhando comidas de que gostamos, lendo um pouco, recebendo a visita dos gatos dos vizinhos, fazendo algumas caminhadas. Até vimos um filme. A pausa ideal, sem estresse, sem expectativas. 

Eu sou grata por ter tido uma companhia tão agradável neste ano que passou. Estar sozinha não é exatamente um problema para mim, mas foi bom ter alguém pra planejar pequenas escapadas nesses meses de incertezas no mundo inteiro. 

Estou feliz por estar aqui na Alemanha. Se estivesse no Brasil, imagino que estaria ou muito alienada ou muito mal. Só de ler as notícias, tenho sensações e emoções muito ruins.

Desejo que todos tenhamos um ano melhor, mais leve. Ainda que eu pessoalmente não tenha realmente motivos para reclamar. Minha vida, apesar de tudo, sofreu apenas algumas pequenas alterações. 

Que sejamos mais empáticos em 2021. 

Diário do câncer de mama 6 - a primeira quimioterapia

  14.06.2022 Primeira quimioterapia, dia 1 Eu estava bem nervosa naquele dia, acordei supercedo. Comi meio Bretzel. Estava com medo de com...