quarta-feira, 25 de novembro de 2020

Cansaço

 Hoje eu estou cansada. Nao é, porém, um cansaco físico. Talvez seja o fim do ano se aproximando, talvez seja porque em duas semanas tenho que apresentar com duas colegas um projeto importante e nao estou nada motivada para terminar, talvez seja por falta de ter uma viagem planejada, talvez seja por nao poder planejar nada para o fim de ano, talvez porque este ano nao foi moleza pra ninguém e simplesmente estou sentindo agora o que muitos já vêm sentindo há meses. 

Só sei que hoje nao estou me sentindo lá muito animada e feliz. Apesar de um monte de coisas boas estarem acontecendo e outras tantas programadas. No fim de semana chega minha cozinha nova. Eu deveria também estar feliz por poder comprar tudo que quero para minha casa nova. Tudo bem que na Ikea (que eu particulamente gosto bastante), mas mesmo assim poder simplesmente escolher o que quero considero um privilégio. Vou poder finalmente comprar meus talheres wmf, um sonho de pelo menos duas décadas. :-) 

Ok, ok, agora já nao estou me sentindo mais tao desanimada. Pensei nos meus talheres novos. Bom, às vezes talvez a gente só precise manter o foco no que realmente é importante.


quarta-feira, 18 de novembro de 2020

O frio e a bicicleta

Quando estávamos ainda na ilusao do verao, no dia em que fez 20 graus pela primeira vez, quase morri de frio. Agora, passadas algumas semanas de outono, mais de 10 graus é um calorao. 

Doze graus, para mim, é a fronteira para sair sem luvas. Menos que isso, luva obrigatória. 

Hoje amanheceu com 4 graus. Meus planos dourados de vir de bike ao trabalho parece que evaporaram. 

Ao sair de casa, vi várias pessos de bicicleta. A humilhacao, porém, veio mesmo quando um menininho de uns 6 anos passou lépido e faceiro com suas duas rodinhas. Vou tomar vergonha na cara! 

 Nesta semana teve um dia em que consegui vir e foi bem tranquilo. Acho que é só uma questao mental mesmo.

sexta-feira, 13 de novembro de 2020

Sexta-feira, 13

Estou morando há uma semana em meu novo endereco. O zelador, ao me entregar as chaves, disse para eu prestar atencao em meus sonhos das primeiras três noites, pois o que se sonha nesses primeiros dias tende a se tornar fato. Já tinha ouvido falar disso, mas em referência à primeira noite em um novo endereco.

Eu sei que sonhei, mas nao consigo de jeito algum me lembrar o quê. 

Bom, nesta noite, na qual essa regra nao está mais valendo, sonhei que havia sido convidada para cobrir a aprensentacao de um novo destino de viagem, um hotel superluxuoso. Ou seja, lá estava eu novamente jornalista, apesar de no sonho eu ter consciência de minha vida agora estar mais voltada à biblioteconomia.

Acordei, fui tomar banho e a água nao queria esquentar de maneira alguma. Primeira semana num apartamento novo, recém-reformado, apresenta sempre uns pequenos desafios. O aquecimento parece ter vida própria. Há horas do dia em que aquece superbem. Em outras, parece estragado. O chuveiro varia, dia normal com dia de água nao fria, mas morna fraquinha. Decidi deixar passar mais uns dias antes de reclamar.

Quando fui pegar o bonde para vir para o trabalho, percebi que estava sem máscara. Com preguica de voltar pegar, pois sabia que tinha uma no trabalho, resolvi vir a pé. Essa sou eu, nada coerente. Ao invés de caminhar 100m para pegar a máscara, resolvi andar por 1km... mas pelo menos em frente. :-)

Para completar os acontecimentos desta sexta-feira, 13 - até agora - meu chefe veio até minha sala para me fazer uma pergunta: a senhora consegue se imaginar trabalhando em outro departamento que nao seja a biblioteca? Pensei: ah, näo! E respondi: Nao! Em que ele falou: Bom, esta nao era bem a resposta que eu estava esperando.

Ele e mais duas pessoas, que ele nao quis dizer quem, estao pensando em criar uma nova vaga e pensam que eu seria a pessoa perfeita para preenchê-la. É uma mistura de biblioteconomia, comunicacao e tecnologia. Ele passou 15 minutos argumentando. Assim, é um privilégio ele ter uma visao tao positiva sobre mim, mas eu sou tao feliz com minhas atividades antigas e convencionais aqui na biblioteca. 

Isso me fez lembrar de um encontro que tive em fevereiro com o diretor do instituto e o chefe administrativo, quase numa outra vida, ainda na pré-pandemia, no qual fui convidada para assumir uma posicao superalta no instituto. Naturalmente declinei. 

Eu fico aqui me perguntando onde eles veem tudo isso que dizem ver em mim. Eu mesma nao consigo sentir, nem de longe, toda essa confianca. Meu tranquilo fim de semana montando móveis será um pouco atrapalhado pelos pensamento de o que responder na segunda-feira. Porque ele me disse para pensar.


quinta-feira, 29 de outubro de 2020

Lockdown - pelo menos parcialmente

O que ninguém queria parece que vai realmente acontecer: restaurantes, cinemas, academias e bares vao voltar a fechar, inicialmente durante novembro. É uma tentativa de frear o avanco do número de infectados com o vírus. 

Meu chefe acaba de bater aqui na sala para saber se eu planejo trabalhar de casa. Expliquei que nao havia mais computadores disponíveis e o meu computador pessoal nao conseguiu se conectar remotamente com o computador do trabalho. Sendo assim, eu vou continuar vindo. 

Parece que serei a única. E ele. 

Os demais colegas, que desde marco já trabalham remotamente, irao continuar vindo apenas uma ou duas vezes por semana ao instituto. Eu até gostaria de ter essa opcao, mas acho que vou continuar vindo normalmente. Além do mais, estou morando mais perto agora, o que facilita tudo. Nao preciso necessariamente pegar transporte público para chegar ao trabalho.

Lojas, creches e escolas continuarao funcionando, seguindo medidas de seguranca e higiene. Acho uma pena fechar os restaurantes, tantos haviam investido em estruturas para proteger os frequentadores, diminuído o número de mesas. 

Torcer para a situacao estar melhor até dezembro.


sexta-feira, 23 de outubro de 2020

Mudanças

Apesar de eu ser uma pessoa pacata, gosto de uma mudança, seja de endereco, de trabalho e, no final das contas, até de relacionamento. Mudança nos fazem ver a vida de outra forma, mesmo que isso às vezer seja bem difícil no comeco. 

Sem grandes dramas e com grande alegria, estou mudando de endereco desta vez. Depois de dois anos morando na casa de alguém que foi fazer um intercâmbio, vou ter meu próprio apê sem prazo para deixar. Estou bem feliz, pois finalmente poderei ter um apartamento do jeito que quero. Em tantos anos de vida, nunca tive um lugar que eu tivesse escolhido tudo desde o comeco - talvez algo perto disso no primeiro ano de faculdade. Estou feliz demais por poder decorar um espaco do jeito que quero.

Além disso, fica mais perto do trabalho, tem muitos supermercados por perto, a biblioteca pública e vários restaurantes. Ah, e também a Volkshochschule, onde dá para fazer todo tipo de curso bacana. Estou muito animada!

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Frio

O número diário de infectados por COVID-19 aumentou significativamente na última semana. O que parecia superado retorna novamente: as limitacoes para encontrar pessoas, as incontáveis idas ao banheiro para lavar as maos, o olhar desconfiado para cada pessoa que dá uma fungada mais forte. 

Para completar a calefacao no instituto está com problemas há semanas, sem perspectiva de ser consertada nos próximos dias. Eu sofro bastante com o frio. Passo o dia tomando chá, para dar uma enganada.

terça-feira, 6 de outubro de 2020

Pandemia - segundo tempo

O instituto em que trabalho está desde marco com atendimento limitado. O trabalho interno segue mais ou menos sem alteracoes - com a diferenca de que muitos colegas trabalham de casa -, mas a recepcao ao público externo mudou completamente. Antes era um ambiente mais "barulhento", com pessoas circulando pelos corredores, as salas de leitura da biblioteca relativamente cheias, palestras, encontros, burburinho de grupos indo almocar juntos. Tudo isso parou. As salas de leitura lentamente recebem alguns poucos visitantes previamente registrados e que apresentam teste negativos do vírus caso venham do exterior. 

A máscara já se tornou algo normal e, para a maioria, aceitável. Raramente se vê alguém sem. Talvez sejam pessoas como eu que entra no ônibus, saca o celular, esquece da vida e só percebe que está sem máscara uns 5 pontos adiante ao ouvir o anúncio rotineiro da obrigacao de usar protecao que cubra o nariz e a boca. A multa é de 50 euros. Por sorte, nas duas vezes que estava no mundo da lua nao houve controle. Aliás, atualmente é mais fácil ter controle do uso de máscara do que de passagem.

De abril até junho era uma maravilha ir de trem daqui até Baden-Baden. Sempre estava vazio. No verao ou desde que temos que usar máscara no transporte público, a minha impressao é de os trens estao bem mais cheios. Eu ainda evito sentar ao lado de outras pessoas.

Eu consegui ir quase que diariamente de bike para o trabalho durante seis meses - do comecinho de abril até o final de setembro. Desde que o outono comecou, porém, também comecou a chuva. Com frio eu até encararia andar os 8km de bicicleta, mas com chuva já acho mais complicado. Quem sabe quando eu estiver morando mais perto. 

Aliás faltam 18 dias para eu deixar o apartamento em que moro agora. Estou animada para comecar uma nova vida no novo endereco, mas para isso ainda faltam mais de 5 semanas...

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

Florais do Dr. Bach

 Ganhei muitos presentes de aniversário neste ano. Nem esperava tantos. 

Um deles foi um mapa védico. Confesso que nunca tinha ouvido falar disso antes, mas gostei muito da ideia.

Acredito que ao todo em minha vida eu tenha feito dois mapas astrais e um mais focado em numerologia. Também pedi uma vez para uma moca fazer uma leitura de cartas. Com mapa védico, eu nao tinha experiência. 

A conversa com a terapeuta foi na semana passada. Eu ainda estou processando as informacoes que ela me passou. 

Como refletir sobre a gente mesma é sempre uma boa ideia, gostei da experiência. 

A pessoa que fez o mapa também é terapeuta floral e me passou alguns florais. Esta é minha primeira vivência com florais. Chegaram agorinha mesmo pelo correio e já comecei a tomar. Eu sou o tipo de pessoa que nao desacredita, mas sempre sou meio Sao Tomé. De qualquer forma, estou animada para observar se notarei alguma mudanca em meu dia a dia.

terça-feira, 22 de setembro de 2020

Dia de aniversário

Eu adoro o dia do meu aniversário! 

E neste ano tive a sorte de ser um domingo ensolarado. Conseguimos aproveitar cada segundo. E foi ótimo!

Passeamos por praticamente todos os pontos turísticos de Heidelberg, tomamos sorvete na minha sorveteria preferida, fomos a uma parte da cidade que "descobri" faz pouco e olhamos tudo nos mínimos detalhes. Depois bateu uma fome avassaladora e fomos comer onde que tinha vontade. :-) 

Depois ainda teve uma caminhada com risadas para casa e uma tacinha de vinho para fechar. 

Foi um dia bem feliz.


quarta-feira, 16 de setembro de 2020

Gatos e amizades

Os gatos dos vizinhos do T. sempre nos visitam, especialmente a gatinha, que se chama Colada. Ela era tão arisca no começo, tinha medo de qualquer movimento. Agora, está toda confiante. A gente abre a porta e ela já entra, como se estivesse em casa. Outro ponto interessante. Há algumas semanas, tentamos brincar com eles - Colada tem um irmão, o Pino. Era até engraçado. Eles não sabiam brincar. Ficavam olhando para nossas tentativas sem entender o que queríamos. Agora eles reaprenderam e se divertem com um simples pedaço de linha que balançamos. Isso me dá uma alegria.

É impressionante como o euro está alto. Transferir um pouco de reais para cá tranforma-se em nada. Dá uma tristeza. Por um lado, dá vontade de deixar simplesmente parado no Brasil. Por outro, quem disse que chegou ao topo? De março para cá, aumentou quase três reais. Quando estivemos no Rio, o câmbio era mais ou menos de 4,80. Agora, 6,40. É de chorar.

Hoje fiz uma nova limpa no meu instagram. Sei lá, ando tão sem ânimo em manter certas pessoas do passado em minhas redes. Hoje deletei alguns ex-quase-cunhados. Especialmente depois da eleição de B. no Brasil perdi totalmente o interesse em manter alguns relacionamentos. Acho triste viver numa bolha, mas quando os conteúdos me soam ofensivos, também não tenho porque me deixar se ofender apenas por educação.

segunda-feira, 14 de setembro de 2020

Beleza

 Hoje li numa conta de instagram: "näo tenho rotina de autocuidado. Faco o que dá, quando consigo".

Ler essa colocacao de outra mulher me deu um alívio tao grande. Aqui na Alemanha eu me sinto mais livre do julgamento alheio, como até já comentei, mas quem disse que é fácil se livrar do próprio - que pode ser bem impiedoso. 

Acho que nem deveria reclamar, pois aos quase 44 sigo mais ou menos com o mesmo corpo (ah, vai dizer!) de uma vida inteira. Naturalmente, desde os 13 anos (que é desde quando me lembro do meu peso), aumentei alguns quilos e meu corpo passou por transformacoes normais da idade, mas as roupas mais antigas continuam servindo, os cabelos brancos ainda sao bem bem raros e as rugas, apesar de já estarem por aqui há anos, ainda nao me incomodam de maneira preocupante.

Como a moca do post, eu procuro me cuidar, mas faco algo quando lembro, devo ser bem sincera. Nos últimos anos passei a usar protetor solar no rosto todos os dias, o que nao impediu muito as manchas no rosto, na minha opiniao. Tirando isso, nao lembro de nada mais que eu faca rotineiramente. Quando lembro e estou muito a fim, passo um óleo que trouxe do Marrocos no rosto antes de dormir. Vendido a peso de ouro, prometia ser um "botox" do deserto. Nao acho ruim quando podemos escolher as nossas ilusoes.

Algo que tento me forcar a cuidar é do cabelo. Neste último ano, ele deu uma melhorada muito grande. E estou bem feliz. 


 

quarta-feira, 9 de setembro de 2020

Fica mais um pouquinho, verao

O verao decidiu se despedir devagarinho. Ainda bem. Apesar de nos dias de chuva, a temperatura cair um pouco mais, o que se nota é uma diminuicao gradual ao longo das semanas. Assim como a diminuicao das horas de sol.

Eu nem posso reclamar, pois aproveitamos até que bem os dias de calor, mas gostaria de ter viajado mais. O ano realmente foi bem diferente do que se esperava. Tínhamos tantos planos no comeco do ano. Ainda em fevereiro, já tínhamos várias atividades programadas para o verao. A pandemia alterou praticamente tudo.

Quando tudo estava fechado, fizemos muitos passeios pela floresta em Baden Baden, andamos um montao de bicicleta por diversos lugares. Fomos a várias cidades nos arredores de Heidelberg, como uma preparacao para os passeios maiores que faríamos - Speyer, Nierstein, a viagem pelo Neckar e o tour pelo Mosel. 

 A bicicleta foi a melhor aquisicao de todos os tempos por aqui. Passei a usá-la com mais frequência ao voltar das férias, em abril. Vamos ver até quando vou aguentar vir ao trabalho com ela. Estimo que pelo menos até o final de setembro. Por enquanto está dando para encarar com uma jaqueta mais quentinha, que sinto vontade de arrancar depois de segundo quilômetro.

Estou já ansiosa para mudar para o apartamento novo, mas ainda faltam dois meses. Meu plano é tentar aproveitar ao máximo o bairro em que estou agora, pois depois raramente irei para aqueles lados. Minha vida vai realmente dar uma boa alterada, pois vou viver em uma parte de Heidelberg ainda pouco explorada - mas com muito potencial.

Eu estou toda animadinha com a mudanca. Talvez porque nao tenha experiência com ter que fazer tudo em um apartamento novo, de instalar lâmpadas a esperar pelos móveis - que também terao de ser montados. Com isso nao estou mesmo quase nada preocupada. 

Antes da mudanca, teremos duas pequenas viagens. T. já reservou nossos hotéis. Duas viagens curtas para comemorar nossos aniversários. Pela primeira vez na vida nao sou eu quem tem que tomar a iniciativa para planejar as viagens. Planejamos juntos, mas quando menos espero já recebo uma mensagem com uma sugestao de hotel ou passeio. Isso é bem bom!

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

Morte

Ontem o companheiro de vida de uma conhecida morreu. Apesar de serem separados como casal, eles tinham uma filha e a convivência já existia há mais de 25 anos. 

Toda vez que morre alguém conhecido, sinto um desconforto duplo. Primeiro, pela morte de alguém ainda jovem. Segundo, por parecer receber um choque de realidade, por perceber quanto tempo ainda desperdico com coisas que nao valem a pena, com pessoas que nao valem a pena, com atividades que nao acrescentam nada.

Nos últimos meses no Brasil morreram mais de 108 mil pessoas em decorrência do Covid-19. Apesar do número absurdo, parece que estamos anestesiados, incapazes de fazer algo contra. Quando foi que nos transformamos nisso? Ou sempre fomos assim?

 




sexta-feira, 24 de julho de 2020

Estava apenas um pouco cansada

Morar longe de amigas queridas, independentemente da distância, é algo que faz parte da minha vida há pelo menos 26 anos, ou seja, muito mais do que a metade da minha vida. Conhecer pessoas, criar vínculos, estabelecer laços de amizade e partir para outra experiência que se apresenta foi meio que uma rotina nesse período. Em alguns lugares, fiquei mais tempo, noutros fiz amizades mais profundas e duradouras. Em todos sempre aprendi algo, vivi momentos bons, enfrentei algumas das minhas pequenas tragédias.
Desde que moro na Alemanha, percebo uma mudança na forma de olhar para esse passado e também me vejo diferente nas expectativas com relacionamentos – antigos e atuais.

Ao olhar para as amizades de anos, me peguei avaliando o quanto (ainda) valiam a pena ou o investimento de tempo. Não somente para mim, mas também a minha amizade para essas pessoas. Naturalmente só elas podem decidir se vale a pena terem a minha amizade, mas comecei a me questionar sobre o porquê de manter algumas pessoas na minha vida. E vida muitas vezes significa simplesmente mantê-las em minhas redes sociais, já que alguns não vejo há mais de 25 anos. 

Começou aí uma grande confusão na minha cabeça, pois curiosamente passei a questionar as amizades que considerava como as grandes, as melhores. Pensei nas amigas com quem ao longo do ano troco uma ou outra mensagem, muitas vezes em decorrência de algo publicado no Instagram ou Facebook.

Escrevi essa primeira parte do post há algumas semanas. 

Nesta semana, algumas nuvens se dissiparam. No dia 20 de julho foi o tal dia do amigo. Uma amiga querida fez um post bonitinho sobre nossa amizade. Isso acho que mexeu algo em mim, pois à noite neste dia me vi querendo escrever para as pessoas de que gosto. E foi o que fiz. O resultado não podia ter sido mais bonito. Recebi imediatamente respostas. Acho que parte da confusão se esclareceu. 

Continuo me questionando sobre o que vale a pena manter na minha vida e essa minha busca pelo essencial segue.

terça-feira, 7 de julho de 2020

Diversos

Sensação boa a de encaminhar um pedido de férias à chefe, mesmo que seja apenas para ficar fora uma semana.
Nesta semana completo dois anos morando em Heidelberg. Na quinta da próxima semana, dois anos na biblioteca. Pode-se dizer que aprendi muita coisa nesse período - estimo que 0,5% de tudo que ainda preciso aprender nesta nova área.
O verão chegou, mas há dias em que ele está bem tímido. Como hoje de manha. Quando saí de casa, às 7h30, o termômetro marcava 11 graus. Quando cheguei na ponte antiga, 3,5km a 18km/h, já estava comecando a suar. :-)
Hoje retornarei à academia. Vamos ver como vai ser. Pelas orientações dadas por telefone ontem: treino só com hora marcada, tem que chegar e sair com máscara, apenas quatro alunas por vez, na hora de treinar não precisa da máscara, tem que higienizar o aparelho logo depois de tê-lo usado, é necessário deixar sempre um intervalo de um aparelho entre duas pessoas – vou a uma academia com ciclo e fazemos todas na mesma sequência.
Como Ennio Morricone morreu ontem, 06.07.2020, hoje resolvi ouvir algo dele. Estava trabalhando e num segundo veio um acorde familiar, senti um arrebatamento como há muito não sentia. Meus olhos marejaram. Momento mágico. E depois há quem diga que possa viver sem o trabalho de um artista.

quinta-feira, 2 de julho de 2020

Liberdades

Desde que moro na Alemanha, perdi o hábito de me pesar com frequência. Para dizer a verdade, nos últimos dois anos e meio, só me pesei uma vez quando fui ao Brasil em marco de 2019. Acho meio libertador. No geral nao sinto falta de saber quanto peso. Controlo um pouco pelas minhas roupas. No momento, por exemplo, percebo que as roupas estao meio desconfortáveis, o que serve de sinal para dar uma maneirada no que como, o que nem sempre é fácil, pois como tenho andado mais de bike, tenho mais fome quando chego em casa. A tentativa é ter lanchinhos mais saudáveis para comer entre as refeicoes e nao ter uma fome assustadora.

Acho que pela primeira vez na vida estou com uma pessoa que nao se importa com o peso, seja o dela, seja o meu. Isso também é libertador. Nao ter, além de você mesmo, alguém de olho no quanto você pesa.

Para a semana que  vem estou planejando marcar consultas com o clínico geral e com a dentista. Consultas de rotina que tinha planejado fazer depois da viagem ao Brasil, mas que, obviamente, nao deu.

Ontem o dia estava lindo e depois de sair do trabalho passei em casa, troquei de roupa e fui pegar um pouco de sol à beira do rio. Esse é um dos momentos em que fico feliz por morar aqui. É tao bom poder simplesmente deitar no gramado público perto de casa, de biquíni, sem receio de ser importunada. Eu nao estava só. Quando cheguei havia outra garota tomando sol, um rapaz. Logo depois chegaram dois para beber cerveja olhando o rio.

Hoje o tempo amanheceu ruim. Acabei vindo de ônibus. Agora estou pensando se vou dar uma passeada no centro - depois de três meses sem fazer isso -, comer algo por ali e depois ir para casa. Torcer para o tempo se manter firme, sem chuva.

segunda-feira, 15 de junho de 2020

Será que já passou?

Os números de contaminados por Coronavírus parecem diminuir dia a dia aqui na Alemanha.

Apesar de circular mais e até termos feito pequenas viagens nas últimas semanas, eu ainda nao me sinto totalmente à vontade para planejar uma viagem para mais longe, leia-se pegar um aviao. Nem passear pelo centro da cidade eu fui mais desde marco. Quando preciso resolver algo na regiao, vou diretamente aonde preciso e nao aproveito mais, como antigamente, para dar uma circulada.

Estamos planejando uns dias de férias no verao, mas prefiro conhecer mais um parte da Alemanha do que ir para outro país, mesmo que seja um vizinho. Se der para fazermos a maior parte de bicicleta, tanto melhor, pois ao ar livre me sinto mais feliz e segura.

Aliás, nosso tour pelas margens do rio Neckar foi muito legal. Aproveitamos bastante. Pedalamos pouco mais de 200km, conhecemos cidadezinhas bonitas (Hirschhorn, Mosbach, Lauffen, Bad Wimpfen, Esslingen), percorremos caminhos bem cuidados, comemos e bebemos bem.

terça-feira, 9 de junho de 2020

Minha bicicleta

Esta é a décima semana em que venho de bicicleta para o trabalho.

Em novembro de 2018, eu havia comprado uma bicicleta de um pesquisador brasileiro que ficou por aqui alguns meses. Hercules deve ter pelo menos uns 30 anos. Usei-a algumas vezes para vir ao trabalho e outras para dar umas voltas no bairro e ir ao supermercado. Hercules, porém, ficou mais tempo parada do que sendo usada.

Eu já estava decidida a comprar uma nova bicicleta, mas ainda estava em dúvida sobre qual escolher. Existem tantas opções. Já havia conversado algumas vezes com o H. sobre, ele sempre ficava me incentivando e explicando as muitas diferenças entre freios, suspensão etc. Conhecer o T. foi decisivo, pois ele adora andar de bike. Com sua ajuda, comprei finalmente minha bicicleta no final de fevereiro, uma Cube.

Ainda estava meio frio e logo depois veio nossa viagem ao Brasil e a crise do Corona. Acabei usando minha bike pra valer a partir de abril, quando voltei das férias.

O sentimento que sinto é de liberdade. Posso sair a hora que quero de casa, vir em meu próprio ritmo, parar quando quiser. Nos primeiros dias, senti dores na minha bunda e nas costas, mas logo acho que meu corpo se acostumou. Até mesmo quando percorremos quase 100km, não senti dores.

Fizemos alguns passeios aqui pelas redondezas, que foram bem prazerosos: Eberbach (60km), Dilsberg (15km), Ladenburg (30km), Schwetzingen (50km) e Speyer (70km). Na semana passada planejamos ir de bike até a casa dos pais do T. Passamos praticamente o dia todo na estrada. A viagem poderia ter sido bem mais fácil se não estivesse ventando tanto. De qualquer forma, conseguimos realizar o percurso dentro do que havíamos planejado. Foi uma ótima experiência

segunda-feira, 18 de maio de 2020

Anotações da pandemia 3


 Heilbronn

A partir de hoje, 18 de maio, restaurantes, bares e, viva!, Biergärten estarão novamente abertos no estado de Baden-Württemberg. Desde o começo do mês de maio, lojas de todos os tamanhos foram autorizadas a reabrir as portas. Ao caminhar pelas ruas, percebe-se uma sensação de quase normalidade, quebrada aqui e ali por pessoas com máscaras, cartazes recomendando a distância de dois metros de outros consumidores e, em alguns casos, filas nas portas dos estabelecimentos, que agora limitam o número de clientes dentro das lojas.

Nesta semana, teremos mais um feriadão, mas apesar do afrouxamento do distanciamento social ainda não é possível programar uma pequena viagem. Hotéis permanecerão fechados até dia 24, o que é um pouco frustrante. Ao mesmo tempo, como afirmou recentemente a chanceler Angela Merkel, melhor ir devagar do que precisar retroceder neste ganho de mais liberdade. O número de casos ativos no país é relativamente baixo no momento, menos de 20 mil, mas para o cenário mudar, não precisa muito esforço. Os municípios estão atentos ao número de contaminados por semana, para avaliar as decisões tomadas até agora.

Aos poucos, os serviços vao sendo restabelecidos. Apesar de os horários de trens ainda não estarem totalmente normalizados, os ônibus voltaram a funcionar normalmente neste mês - em parte de março e em abril, algumas linhas foram desativadas em Heidelberg, por exemplo. Durante o período mais severo do distanciamento, estava proibido ocupar os gramados e parquinhos, assim como encontrar mais de uma pessoa por vez. Agora o tamanho dos grupos foi ampliado e já é possível aproveitar os fins de tarde ao ar livre à beira do rio Neckar. As crianças, ainda com algumas restrições, estão autorizadas a usar os parquinhos.

As escolas vêm sendo reabertas gradativamente nas últimas semanas. O número de aulas ainda será bastante limitado por um bom tempo, assim como o de alunos em sala. Estudantes alternam três dias de aula em uma semana na escola com uma semana totalmente em casa. Os professores precisam fazer um planejamento muito cuidadoso do que será ensinado nas aulas presenciais, para conseguir prover atividades suficientes para o período em que os alunos ficarão em casa. Não é fácil para ninguém. A coparticipação dos pais no monitoramento dos estudantes tem sido fundamental.

Creches e jardins de infância permanecem fechados, fazendo atendimento de emergência apenas a crianças cujos pais precisam obrigatoriamente trabalhar, atuando nas chamadas profissões relevantes para o sistema, como enfermeiras, policiais etc. Como a recomendação é evitar que as crianças encontrem-se com as pessoas idosas da família, as mães, especialmente as que trabalham fora, estão há pelo menos dois meses em uma rotina alucinante, que compreende dar conta do próprio trabalho de forma remota, auxiliar as crianças nas atividades escolares, cuidar de filhos pequenos e ainda realizar as atividades corriqueiras de casa.

A Alemanha parece ter enfrentado a situação até agora de maneira mais leve do que os países vizinhos. Um bloqueio total não foi necessário, pois o sistema de saúde nunca chegou ao limite. Outro aspecto que pode ter ajudado foi o engajamento da maior parte dos moradores. Apesar de os alemães prezarem pela liberdade e nem todos concordarem com as decisões dos governantes, no período mais severo da pandemia no país, as recomendações foram seguidas pela grande maioria.

Atualmente, porém, surgem manifestações contrárias ao distanciamento em diversas cidades com pessoas que defendem as mais alucinadas teorias da conspiração. Muitos acusam os governos de excesso, baseados somente no fato de que não terem conhecido ninguém que tenha sido infectado – o que, de certa forma, atesta que as medidas tomadas deram resultado positivo.

Um novo estado de normalidade estabelece-se aos poucos, ao mesmo tempo em que se espera que o pior já tenha mesmo ficado para trás.

terça-feira, 12 de maio de 2020

Anotações da pandemia 2

Há dias em que é difícil acreditar na realidade.

Não apenas que o mundo está sendo dominado por um vírus, mas também que pessoas perdem seu tempo elaborando ou disseminando teorias da conspiração.

O que acontece no Brasil, então, parece uma piada de mau gosto. Como podemos ser tão patéticos?

***

Descobri dia desses que gosto de pelo menos um chocolate da Lindt. Resolvi entrar numa loja para comprar uma cobertura de bolo e como havia coelhos de páscoa em promoção, arrisquei comprar um. Decisão nada boa, pois agora vi que gosto quando é chocolate puro. Comprei um outro no supermercado esses dias. Por sorte esses restos de chocolates de páscoa estão já no fim em todos os lugares.

Tenho cozinhado bem mais em casa nos últimos tempos, e não apenas pelo fato de os restaurantes estarem fechados. Talvez tenha ajudado uma decisão que T. e eu tomamos ainda em fevereiro, de cozinhamos pelo menos uma vez aos fins de semana. Em média, cozinhamos duas vezes, o que pessoalmente acho uma maravilha. Saber exatamente o que estamos comendo é um alento. Claro que sentimos falta dos restaurantes que adoramos visitar. Eu mesma estou louca para poder ir a um Biergarten. E para comer sushi! (Tem no supermercado, mas nao é a mesma coisa)

Nesta semana comprei o novo livro da Marian Keyes. Se nos primeiros, as personagens era em sua grande maioria mulheres de 30 anos, solteiras, desencantadas com relacionamentos, que bebiam bastante e viviam fazendo coisas com os amigos, agora as protagonistas estão na casa dos 40 para 50 anos, já têm filhos, problemas com relacionamentos, continuam bebendo demais e dividindo as frustrações e alegrias com os amigos. Ano passado tive essa impressão com “The break” e “Grow ups” começou um pouco assim. Vamos ver como evolui.

Até agora ainda ano tive vontade de assistir a nenhuma “live”. Será que estou perdendo alguma coisa? Apesar de o mundo estar desabando lá fora, estou vivendo um período bem feliz da minha vida. Estou onde quero, tenho um trabalho que amo e, como bônus, ao meu lado uma pessoa que vale a pena. Resta-me apenas agradecer.

terça-feira, 5 de maio de 2020

Anotações da pandemia

Nunca imaginei viver uma pandemia.

Nunca fui fã de filmes de catástrofe, talvez por isso não consiga lembrar qual foi a última vez em que vi algum. Agora é que não verei mesmo.

Antes das férias, comprei uma jarra com filtro da brita. Mostra-se a cada dia ter sido uma excelente compra. Mesmo que os filtros sejam caros, tenho bebido mais água ao longo do dia. Ao mesmo tempo, ter a nova jarra à disposição extinguiu as compras de garrafas plásticas de água que fazia de duas a três vezes por semana. Evita a ida ao supermercado, o contato com outras pessoas, ter um objeto “sujo” no ambiente de trabalho e aos poucos vai compensando o investimento na jarra.

Desde que voltei ao trabalho, tenho vindo de bicicleta. Na semana passada, fui obrigada a pegar o ônibus porque estava chovendo, mas agora que há promessa de tempo bom, voltei a pedalar até o trabalho. Isso me causa uma sensação muito boa. E por vários motivos: evitar contato com outras pessoas, permitir um pouco de exercício (são 14km no total ao dia), proporcionar a sensação de liberdade e a alegria por usar bastante a bicicleta nova.

Hoje foi meu primeiro dia usando o capacete novo. Ainda não estou muito segura de que gostei.

A ida à médica não foi muito feliz hoje de manha antes do trabalho. Para completar o dia levemente desanimado, o senhor S. se aposentou. Hoje ele esteve aqui para se despedir. É duro não poder nem dar um abraço, o que acho que ele até gostou. :-) Eu vou sentir muito a sua falta. Quase chorei, devo dizer, mas me controlei. Acho que ele, no seu jeito turrão, gostou do cartãozinho e do pequeno presente.

Ontem comprei 20 cestas básicas para serem distribuídas num bairro de Florianópolis. Nessa bolha em que vivo, impressiona-me muito o quanto custa um apanhado de produtos que servirão para alimentar uma família por pelo menos uma semana. O valor de uma cesta dessas gastei apenas por respirar em um restaurante da Zona Sul do Rio de Janeiro nas últimas férias. A amiga que está organizando acaba complementando as doações, para poder oferecer um pequeno “luxo”: 1kg de café. Nessas horas, só consigo ter duas reações: sinto-me ainda mais agradecida por todos meus privilégios que nem fiz tanto para merecer e sinto uma tristeza enorme por este mundo ser tão desigual.

Temos uma viagem planejada para junho. Se poderemos fazer, ainda não é claro. É aqui dentro da Alemanha, mas realmente não sei se já é o momento. Apesar de fazermos a todo vim de semana pequenas viagens, de bicicleta ou indo um para a cidade do outro

Nao poder planejar viagens é algo que me deixa também desanimada.

Ontem recebi um vale para recomprar ingressos para o teatro quando a situacao melhorar. Eu estava tao animada para ver uma peca nas ruínas do castelo... Tomara que no ano que vem dê.

segunda-feira, 4 de maio de 2020

Viagem de férias 4

A viagem de volta à Alemanha foi mais tranquila do que imaginamos. Foi chocante ver o Charles de Gaule com praticamente tudo fechado e pouca movimentacao.

A nossa troca de aviao se deu de forma rápida, o tempo de conexao era curto. Para entrar no aviao, procurei algum documento que mostrasse que moro na Alemanha. Acabou servindo a carteira do plano de saúde. Para passar pela imigracao - algo que já estava desacostumada desde que tenho um passaporte europeu - foi preciso mais. Alemaes podiam passar pelas máquinas, mas outros europeus precisavam ir conversar com os guardas da imigracao. T. foi comigo. Depois de o guarda perguntar por vários documentos que nao tenho ou nao tinha ali na hora, apresentei um e-mail do meu locador e acabou servindo. Já estava pensando para onde iria, caso ele dissesse que nao poderia entrar...

De Frankfurt seguimos direto para Baden-Baden. Evitei passar em casa primeiro, pois já estava achando que estávamos nos expondo demais.

Resolvemos nao antecipar o fim das férias e tivemos mais uma semana e meia juntos. Fizemos tanta coisa! E foi tao bom. O apartamento do T. fica ao lado da floresta e isso facilitou muito fazer caminhadas e trilhas sem ter contato com outras pessoas. Conheci vários pontos turísticos, que em outro momento estariam bem cheios.

Foi como se estivéssemos em um mundo paralelo. A ficha ainda nao tinha caído, confesso que somente agora, comeco de maio, está finalmente caindo. Como logo depois voltei normalmente ao trabalho, até pouco tempo ainda nao estava achando a vida tao diferente - dado que nao sou consumista e gosto de ficar "isolada".

quarta-feira, 29 de abril de 2020

Viagem de férias 3

A semana no Rio começou com café da manhã numa padaria conhecida de outros tempos, curiosamente, o local escolhido para o curso de português do T. Na segunda-feira, tudo ainda parecia "normal", apesar de eu já estar tentando não tocar em nada e ficar lavando as mãos constantemente. Tomamos café, conheci a professora e fui fazer algumas coisas em Botafogo que tinha planejado antes da viagem. Uma delas não muito sensata, mas era neste dia ou nunca mais: tomar a terceira dose de uma vacina. Naturalmente o posto de saúde estava cheio e esperei horas, mas consegui fazer também a do sarampo e valeu a pena.

O tempo passou voando e logo já estava na hora de buscar o T. Neste dia resolvemos ir até a Rio Star, a nova roda-gigante. Foi uma decisão acertada, pois foi o último dia de funcionamento. Antes, descemos na Cinelândia e fomos caminhando pelo centro, passando pela Igreja da Candelária e pelo Museu do Amanha, que estava fechado. Depois pegamos o VLT para chegar mais perto do local no porto em que fica a roda-gigante. O passeio foi bonito, gostamos. Ainda deu para tomar um chope no final. A volta para Ipanema foi de VLT e metrô. T. pode ver um pouco da nossa desigualdade. O trem pra Zona Sul praticamente vazio. Já pra Zona Norte, apinhado. Naquela semana, começariam as restrições no transporte público, como ônibus apenas com passageiros sentados.

Na terça-feira, pensamos em completar os dois últimos itens da nossa lista: uma água de coco na Lagoa e uma visita ao Jardim Botânico. A professora foi até nosso apê e depois da aula, caminhamos pela Lagoa até o Parque dos Patins, onde tomamos uma água de coco. Já estava tudo vazio, não sei se por ser dia da semana ou se já por prevenção ao vírus. No meio do caminho, bateu uma fome avassaladora. Pensamos em ir na Casa Camolese, mas só encontramos o Rubaiyat aberto. Foi caríssimo, mas foi bom. Nunca mais tinha voltado lá desde o meu aniversário de 40 anos. Quando finalmente atravessamos a rua para ir ao Jardim Botânico, ele havia sido fechado antecipadamente e até hoje ainda não reabriu. Teve que ficar para uma próxima viagem.

Na quarta-feira, novamente café da manha na padaria de Botafogo e aula do T. A esta altura do campeonato já havíamos decidido não ir a SC e ao RS. Então fui providenciar caixas para enviar pelo correio o que havia levado para a família. Depois de apanhar o T., pegamos o metrô e fomos almoçar no Joaquina de Copacabana, com o plano de depois caminharmos um pouco pela orla e bebermos uma caipirinha num quiosque, um desejo antigo que eu tinha, mas quem sugeriu foi o T. Apesar de o clima já estar estranho, tivemos uma tarde bem agradável. O dia estava quente e bonito. Na volta a pé para casa, compramos algumas coisinhas para nosso jantar em casa.

A quinta-feira chegou com notícias de mais restrições em praticamente tudo. T. havia se cadastrado no site do consulado alemão e a recomendação era voltamos o quanto antes para a Alemanha. O nosso novo plano de ficar as três semanas de férias no Rio já não fazia mais sentido. Decidimos então antecipar a volta. Como o apartamento estava alugado até a segunda-feira, tentamos remarcar nossa passagem para este dia. Não havia mais vagas, mas conseguimos para a terça-feira. Maravilha! Ainda teríamos um fim de semana no Rio. À noite, saímos para aproveitar o pouco que ainda estava aberto. Acabamos indo novamente no Paz e Amor. Os demais já estavam fechados – mas por sorte na segunda e na terça, fomos ao Gula Gula e ao Via7.

Estávamos lá aproveitando nosso jantar, quando eu ouvi que o governador estava pensando em fechar os aeroportos já no sábado 21. Gelei. T. ficou sem entender quando fiz uma cara de muita preocupação. Havíamos acabado de mudar nossas passagens e agora aquilo? Bem que um amigo de Milão havia me alertado para não viajar porque poderia haver problemas “logísticos”... Nova decisão: como nosso novo voo partiria de todo modo de Guarulhos, decidimos ir para São Paulo. Quem sabe conseguiríamos antecipar o voo indo pessoalmente à Air France.

Na sexta-feira, depois da última aula de português, juntamos nossas coisas e pegamos nosso voo. Depois de ver que não haveria como alterar o voo, porque simplesmente não havia mais lugar livre, escolhemos um bom hotel, com cozinha e uma pequena sala, e passamos os últimos dias no Brasil estudando português, vendo tv e fazendo um companhia ao outro. Por incrível que pareça, os dias passaram voando. Fomos três vezes ao supermercado ao lado do hotel e compramos uma pizza ali perto. Dispensamos o serviço de quarto e até cozinhamos em nosso pequeno apê. Na noite da pizza, colocamos nossas melhores roupas, abrimos um vinho e simplesmente agradecemos por, apesar de tudo, estarmos bem, protegidos e felizes.

Até mesmo no hotel a situação foi se alterando. Piscina, academia e sauna fecharam quando chegamos. O café da manhã no último dia foi servido no quarto por sugestão do próprio hotel. Havia álcool gel na recepção e também próximo ao elevador e na entrada do restaurante. Os funcionários estavam de máscara e alguns com luvas.

Na terça-feira, fomos para o aeroporto algumas horas antes de nosso voo. Ainda deu para almoçar uma última vez num quilo, tomar uma última caipirinha e colocar cartões-postais no correio.

quarta-feira, 15 de abril de 2020

Viagem de férias 2

Para irmos ao nosso apartamento em Ipanema, pegamos um uber. O motorista todo falante disse que nao iria parar de trabalhar, nao tinha outra opcao. Ao se despedir, fez questao de um aperto de maos. Eu já estava meio neurótica, assim que ele foi embora passei álcool nas maos. Logo encontramos a dona do apê. Muito simpática, nos deixou dar uma refrescada e deixar as malas.

Fizemos nossa primeira caminhada por Ipanema e pelo Leblon. Tomamos um suco. T. escolheu algo bizarro, coitado. Ainda bem que depois pudemos provar outros sucos. As ruas já estavam mais desertas, pelo que me lembrava de um sábado de manha. Fomos até o fim do Leblon e voltamos até o Shopping Leblon, para comer algo e comprar chips para nossos telefones.

T. experimentou pela primeira vez um restaurante a quilo. Achou a ideia interessante.

Com todas as perspectivas nada otimistas para os próximos dias, resolvemos adiantar toda nossa programacao. No sábado mesmo, depois de entrarmos no apê, resolvemos ir ao Pao de Acucar. Estava bem tranquilo, quase só estrangeiros. Eu tentei ficar o máximo possível longe das outras pessoas e aproveitamos todas as oportunidades para lavar as maos.

Foi um dia superlongo, mas ainda encontramos energia à noite para ir ao Alessandro e Frederico, a poucos passos de nosso apê. Estava bem bom. Encerramos o primeiro dia bem felizes, mesmo que ainda um pouco apreensivos e nem tao relaxados como deveríamos estar nas férias.

No dia seguinte, caminhada na praia, que ainda estava vazia bem cedo. Antes de encararmos a ida ao Cristo, almocamos comida bem brasileira no Paz e Amor. Nunca tinha ido ali. Foi uma escolha feliz, pois os garcons foram simpáticos e a comida estava boa. Tanto que até voltamos uma outra vez.

O trem do corcovado já tinha adotado algumas medidas, limitando o número de passageiros. Havia poucas pessoas tanto no trem quanto lá em cima, o que foi ótimo. Deu para olharmos tudo com calma e ainda tomar um suco. Estava um dia lindo e deu para ter uma boa vista da cidade.

Lá de cima vimos o Maracana. Havíamos planejado ver um jogo (Flamengo x Portuguesa) no sábado. Um ex-colega do IBICT flamenguista até iria nos acompanhar, mas no final o jogo foi sem público presente. De qualquer forma, já havíamos decidido nao ir, pois estaríamos chegando da Europa.

quarta-feira, 8 de abril de 2020

Viagem de férias 1

As férias foram programadas no final de novembro e planejadas ao longo dos meses seguintes, com encontros marcados com amigos e a família, passeios agendados e grande expectativa, pois seria a primeira vez do T. no Brasil.

Nas duas semanas antes da viagem, os casos do novo Coronavírus passaram a aumentar rapidamente. Além da China e da Itália, também França, Espanha e Alemanha registravam números significativos de contaminados diariamente.

Justamente nessas duas semanas, nós dois (e praticamente metade da biblioteca onde trabalho) estávamos resfriados. Viajar doente nunca é bom, viajar doente em tempos de uma doença assim, pior ainda. Na semana da viagem, eu fiquei em casa dois dias para me restabelecer. Deu certo. No dia da viagem estava bem melhor.

Depois de muito pensar, ler todo tipo de notícia (no dois dias em casa), resolvemos ir. Se eu fosse viajar sozinha, tenho quase certeza de que nao teria ido, mas a dois acabamos decidindo por fazer a viagem. Eu já havia avisado os amigos que talvez fosse melhor nao nos encontrarmos. Estava bem dividida, pois sabia-se que a disseminaçao em nível mundial estava ocorrendo a partir de pessoas que estiveram na Europa.

No aeroporto de Frankfurt, pouco movimento. Fizemos um voo até Paris. Entre os poucos passageiros, dois brasileiros. Eu os ouvi falando português. E confirmei que eram brasileiros da pior forma. Os dois colocaram máscaras na área de embarque. Quando passei pelos bancos em que haviam estado... os plásticos das máscaras haviam sido deixados ali. Por vergonha, eu os juntei e joguei na lixeira que estava a poucos passos dali. Que raiva! Quando os encontrei no ônibus que nos levaria até o aviao, nao me contive. "Vocês sao os únicos que estao de máscara aqui. E também foram os únicos que deixaram os plásticos das máscaras sobre os bancos no setor de embarque." Um ainda resmungou algo de nao estar no Brasil (nao entendi o quê) e o outro pediu desculpas. Quando embarcamos no aviao, o primeiro me chamou para dizer que havia seis pessoas no voo com máscaras. "O problema nao era a máscara", respondi séria. Engracado. De abandonar seu lixo, ele nao se incomodou. Ficou indignado de alguém chamar a atençao.

Em Paris, havia um pouco mais de movimento, mas viajamos sem ninguém ao nosso lado. Eu limpei bancos, encostos, mesinha e tela com lenços com álcool gel. Sei lá se faz diferença, mas me senti mais tranquila. O voo foi bom, a comida estava inacreditavelmente excelente. Quando chegamos ao Rio, nenhum controle. O Brasil ainda tinha menos de 100 casos no dia 14 de março.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Inquietação

Na semana passada, por mais de uma vez, senti-me inquieta. Sinto isso às vezes, nao é algo atípico, mas ainda assim me incomoda levemente, especialmente quando nao sei bem qual o motivo.

Conversando com uma amiga, ela me disse que, para ela, isso revela uma leve ansiedade. Ela é ansiosa e reconheceu algumas características.

Fiquei pensando por que estaria ansiosa agora?

Tudo está no lugar.

Existe apenas um ponto que talvez pudesse gerar um pouco de ansiedade, que é fato de morar em um apartamento temporário, mas até para isso ainda é muito cedo para ficar ansiosa, pois seria precipitado já encontrar algo agora.

Algo que me inquieta quase sempre, mas vejo como algo normal, é a sensacao de que a vida vai passando depressa demais e meus dias sao muito parecidos. Logo depois lembro que gosto de dias parecidos, gosto da seguranca das coisas iguais, gosto de seguranca.

Talvez seja apenas uma ansiedade pelas próximas férias, que comecarao em... 23 dias.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Uma sexta-feira de fevereiro

O sol vai avançando e derretendo o gelo que se formou sobre a grama durante a madrugada. Este é um espetáculo que acompanho da minha janela na biblioteca algumas vezes ao longo do inverno.

Um sorriso, às vezes, tem este mesmo efeito em nosso humor meio congelado em alguns dias.

Hoje é sexta-feira. Vou almoçar com um antigo colega de trabalho. Já comprei minha passagem para ir me encontrar com o T. mais tarde. O céu está azul e o sol brilha, apesar da temperatura negativa. Aqui dentro está quentinho, acabei de beber um chá e de comer um pedacinho de chocolate escuro. Faltam 35 dias para as viagens de férias. E esta trilha dos anos 1960 é fantástica.

O dia não poderia estar melhor.

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Uma vida com menos plástico

A minha principal decisão de ano-novo é viver com menos plástico - já era uma vontade antiga, mas T. também me inspirou. Não significa que eu vá jogar fora tudo que tenho de plástico em casa, mas decidi ao longo do ano tomar pequenas decisões, que ajudem a mudar meus hábitos de consumo e, consequentemente, diminuir compra e uso de materiais plásticos.

Há mais ou menos quatro meses comprei minha primeira escova de dentes de bambu. Nos primeiros usos nao foi muito fácil, pois sentir a madeira na boca me lembrou a sensacao esquisita das colheres de madeira para tomar sorvete. Bom, depois melhorou. Já testei duas marcas vendidas nas drogarias aqui na Alemanha. Naturalmente com o preco de uma escova de bambu eu compraria tres de plástico, mas vou tentar seguir trocando as escovas por outras de bambu. Ainda nao comprei uma alternativa para a pasta de dente, mas já vi na web que existem opcoes em vidro.

No ano passado, depois da indicacão de uma amiga, decidi comprar calcinhas menstruais. Eu já havia usado por um período o copinho coletor, mas não me adaptei muito bem. Estar com ele em si não era um problema, mas colocar e retirar sempre me deixada meio frustrada. Além do que, o banheiro no trabalho não permite que eu o lave o copo durante o dia, caso precise ou queira. As calcinhas são confortáveis e seguras. Estou gostando da experiência. Comprei aqui na Alemanha as da marca ooshi. Ainda não tinha conseguido me livrar dos absorventes diários. Não os uso sempre, mas são práticos em viagens ou para os dias finais do ciclo. Pesquisei na semana passada e achei alguns feitos somente com algodão, sem plástico, na dm. É difícil escapar do microplástico, mas pelo menos são um lixo mais "degradável" que os normais.

Ainda tenho pelos menos três shampoos em casa, mas a minha ideia é comprar uma opcao em barra para testar quando os outros chegarem ao fim. Também penso em usar um condicionador em barra. Vi que na Lush há algumas opcoes. Daqui a algumas semanas planejo dar uma volta por lá.

Há períodos em que só compro sabonete líquido; em outros, apenas em sabonete em barra. Acho que já está mais do que na hora de voltar aos modelos em barra embalados em papel. Só preciso ver onde colocá-los, assim como o shampoo em barra, durante o banho, para nao derreterem rápido.

Frutas e legumes consigo já comprar há algum tempo sem utilizar sacos de plástico. Os supermercados aqui oferecem também opcoes de sacos de papel quando necessário. Também pensei em utilizar sacos antigos de sapatos para embalar legumes como cebola, batata, cenoura etc. Eu havia pensado em comprar sacos de pano para esse fim, mas lembrei que tenho vários sacos de pano que vieram com sapatos. Vou separar alguns para os sapatos e outros destinar para as compras.

Ontem vi o anúncio de um cotonete reciclável. Como ainda tenho dezenas de cotonetes tradicionais em casa, vou esperar até investir 11 euros num cotonete durável.

Desde o fim do ano passei a comprar uma embalagem maior de iogurte em vidro. Depois de consumi-lo, posso devolver no supermercado, mas estou pensando em guardar mantimentos neles.

Ainda estou pensando numa solucao para as garrafas de água. Eu gosto de tomar água com gás e acabo comprando garrafas PET porque sao mais leves. O ideal seria comprar engradados de garrafas de vidro, mas carregar e armazenas isso ainda é um problema. As garrafas PET sao devolvidas no supermercado aqui na Alemanha, pelo menos. 

Aos poucos, estou escolhendo roupas que sejam feitas de maneira mais sustentável. Isso tem que ser mesmo aos poucos, pois elas custam bem mais do que as de fast-shops.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Recomeço

Hoje estou de volta ao trabalho. A sensação é boa. Eu me sinto feliz por estar novamente aqui na biblioteca. Durante o dia, alguns colegas vieram dar um oi.

Iniciar um novo ano não muda nada na verdade, mas ao mesmo tempo parece que nos enchemos de esperança de que será diferente. Bom, eu estou feliz por continuar aqui.

 Tenho alguns planos para este ano. Nada mirabolante como mudar de país, apenas coisas normais de começo de ano: me alimentar melhor, fazer mais esporte, passar mais tempo com as pessoas de que gosto, ler um livro por mês, assistir a um filme por semana. :-)

As três semanas de férias foram muito boas. As experiências vividas foram positivas, mesmo quando eu nem sempre estava tão disposta a vivenciá-las. Passar praticamente três semanas com o T. também foi uma experiência boa e tranquila. Aprender a esquiar valeu a pena, mesmo que o medo tenha me impedido de aproveitar um pouco mais. Quem sabe numa próxima seja mais fácil.

 Em 60 dias terei férias de novo. Não que eu esteja com pressa, mas estou animada com a próxima viagem.

Diário do câncer de mama 6 - a primeira quimioterapia

  14.06.2022 Primeira quimioterapia, dia 1 Eu estava bem nervosa naquele dia, acordei supercedo. Comi meio Bretzel. Estava com medo de com...