segunda-feira, 29 de julho de 2019

Desdobramentos de um comportamento

Faz uns dois meses que estou me sentindo mais aberta para o mundo. Não é fácil, pois tenho que fazer um grande esforço para me sentir à vontade conversando com desconhecidos, puxando assunto com quem conheço pouco. Depois até fica agradável, dependendo do interlocutor, mas o início é até meio doloroso.

Tudo começou quando resolvi fazer um curso de introdução à yôga. Foi o primeiro passo, tentar fazer algo que nunca tinha feito. Isso foi no final de maio, se não me engano. Nessa mesma época, uma amiga me recomendou fazer um cadastro no meetup. Comecei a participar de um dos grupos com assiduidade. Agora faço parte do grupo mais reservado no whatsapp, já saí com algumas pessoas fora desse encontro dos sábados e fui convidada para uma festa de aniversário no próximo fim de semana. São pequenos acontecimentos, mas que para mim têm um grande significado. Eu estava me sentindo extremamente sozinha. Ao me forçar esses pequenos movimentos, tive resultados interessantes.

No ambiente de trabalho também resolvi sair um pouco mais da biblioteca, almoçando com pesquisadores, tentando me mostrar mais aberta para outras atividades. Sábado fui a uma festa muito legal na casa de um deles. Um casarão antigo lindo! A festa foi no jardim, mas uma chuvarada nos fez levar tudo para dentro. Enquanto estávamos no lado de fora, teve pizza feita na hora (um dos moradores da república construiu um forno em um latão) e show de uma dupla cantando até em português. Não houve problema da festa continuar dentro da casa, pois havia muito espaço, mesmo com umas 40 pessoas circulando nos dois andares.

De qualquer forma, é sempre um esforço - mas que vejo que está valendo a pena ser feito.

segunda-feira, 22 de julho de 2019

Alles auf einmal (tudo de uma vez só)

É engraçado como há semanas em que não há nada para fazer. De repente, quando algo surge, surgem outras mil coisas. Hoje, por exemplo, eu trouxe comida. No meio da manhã um colega ligou para almoçarmos juntos. Precisei dizer que hoje não podia. Amanhã ele não pode. Quarta, quinta e sexta, eu já tenho outras companhias para almoçar. Deu um tempo, bateu aqui uma pesquisadora que está visitando o instituto também querendo saber se eu já tinha marcado com alguém. Segui firme no meu propósito de comer a comida que trouxe, mas lamentei ter que dispensar duas companhias.

Bom é que a agenda está ficando mais ocupada ultimamente, o que me deixa bem alegre. Finalmente!

quinta-feira, 18 de julho de 2019

A impermanência

Recebi uma carta de uma amiga ontem. Ao responder escrevi que, sim, a impermanência também me incomodava. Eu queria muito que minha vida no Rio tivesse sido "permanente". Quis o destino, ou mais claramente meu ex-companheiro, que não fosse assim. Fazer o quê? Seguir para a próxima impermanência, talvez. Se bem que, no fundo, torço para que minha vida aqui na Alemanha seja permanente, que desta vez funcione, que desta vez ninguém mude de ideia. Bom, pelo menos agora sou dona das decisões todas.

quinta-feira, 11 de julho de 2019

Como eu não quero ser ou como eu não gostaria de ser

Observar o comportamento dos outros é algo que gosto de fazer. É bom para ver o que me agrada, o que gostaría de imitar e o que jamais gostaría de ser ou de fazer.

Claro que ao longo da vida vamos cometendo vários erros que não gostaríamos de ter cometido e por mais atentos que sejamos, uma hora ou outra acabamos fazendo coisas das quais nos envergonhamos. Acontece com todo mundo. No final das contas, os erros estão aí para nos mostrarem alguma coisa - nem que seja nos ensinar a não repeti-los.

Nas últimas semanas vivi algumas situacoes de aprendizado no ambiente de trabalho. Nada relacionado diretamente com o trabalho, mas à maneira como as pessoas reagem em algumas situacoes. Poderia ser no Brasil, acho que não tem relacao direta com o jeito alemão de ser.

A primeira situacao foi meio dolorosa. Então não vou deixá-la registrada aqui. Só posso dizer que cometi um erro recorrente. É algo que preciso aprender de uma vez por todas, pois já me vi na mesma situacao mais de uma vez na vida e parece que não aprendo de jeito algum. Fico me odiando por isso. Não é algo extremamente grave, mas vejo que nem sempre uma "boa intencao" gera bons resultados, e pode provocar dores desnecessárias (em mim).

A outra situacao foi ao contar para uma colega que havia pedido para um colega revisar um documento. Ela ficou me questionando por que eu havia pedido ajuda para determinada pessoa se podia ter visto um modelo na internet. Não é por mal, eu sei, mas de certa forma, esta colega sempre desencoraja qualquer aproximacao com outros colegas. Acho curioso. Gosto da companhia dela, mas percebo que seus relacionamentos são bem limitados aqui, mesmo já trabalhando há oito anos. Há um quê de negativismo. Fico me questionando se esta aproximacao é boa para mim. Depois me recrimino e tento eu também não ser preconceituosa ou metida à besta.

Outra constatacao dos últimos dias é que praticamente ninguém da biblioteca gosta de comemorar o aniversário com os colegas. Isso me causa uma frustracao, pois eu adoro dia de aniversário. Neste mês, três colegas fazem aniversário. Os três tiraram férias no período. Já soube que outros dois pretendem fazer isso em agosto. No fundo, ainda bem que já tenho algo programado para o meu, pois seria frustrante passar mais um ano em branco. No ano passado, ninguém sabia mesmo, então foi tudo bem, mas agora...

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Bananas e sentimentos

Comer uma banana no lanche da manha me faz bem. A banana por si só faz bem, mas o sentimento de estar comendo uma fruta ao invés de bolachas, por exemplo, também tem uma  grande importância.

Banana é uma das poucas frutas que considero ter o gosto "de verdade" aqui na Alemanha. Sim, pode-se argumentar que elas não são alemãs e por isso tem gosto de banana mesmo. Porém, mangas, abacates e melões também são importados. Nem por isso têm gosto da fruta "de verdade". Eu sei que é apenas uma implicância minha, mas às vezes dá uma frustracão comer abacate sem gosto de abacate.

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Parece que todos os planos que eu tinha feito para os últimos dias deram errado. Nada assim tao dramático, mas é curioso. Deve ser mercúrio retrógrado...

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Nesta semana completo um ano de Heidelberg. Feliz por estar aqui, mas frustrada pela falta de amigos. Nunca achei que seria tao difícil.

sexta-feira, 5 de julho de 2019

Semana corrida

Ontem à noite, fiz uma apresentação on-line para os colegas do curso de Biblioteconomia da UCS. O título "Atuação bibliotecária no exterior" prometia mais do que eu efetivamente mostrei, mas isso é o que dá quando se tem que entregar o título com muita antecedência, sem ainda ter terminado a apresentação em si.

A experiência é sempre bacana. Esta foi a terceira vez que participei - foi a quarta semana acadêmica. A primeira vez, ainda como aluna, foi presencial. As outras duas, a distância. Confesso que este último formato me agrada bastante - apesar de eu ser uma pessoa que desde a tenra idade não gosta de falar ao telefone e muito menos de fazer ligações de áudio.

Acho que a do ano passado, sobre pós-graduação na área de Biblio foi mais útil, mas talvez uma ou outra ideia passada na de ontem sirva para algum colega futuramente.

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Nesta semana estou fechando um frila. Claro que tinha que coincidir com alguns compromissos que havia marcado há semanas. Na quarta, por exemplo, fiz um curso de culinária (mediterrânea). Como já havia pago, não quis jogar o dinheiro fora. Iria ganhar pelas horas trabalhadas no frila, mas seria então apenas para compensar o gasto com o curso. Decidi ir fazer o curso e terminar o frila até hoje. Quem me contratou sabia que faria o trabalho apenas nas minhas horas de folga - e, sendo assim combinado, aqui na Alemanha ninguém fica cobrando.

O curso de culinária foi ok. Acho que não gostei muito do formato. Todo mundo ajuda e faz tarefas diferentes no começo, como fatiar legumes, cortar cebolas (o que me ofereci de pronto para fazer, porque estou acostumada e nem choro mais). Só que à medida que esse trabalho vai sendo concluído, já começa-se a cozinhar efetivamente. Se você ainda estiver envolvido na sua tarefa, perderá a explicação, pois a cozinha é grande. Sei lá se consegui pegar muita coisa. De qualquer forma, hoje vou fazer a massa simples e gostosa que aprendi no curso.

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Consegui vir duas vezes para o trabalho de bicicleta nesta semana. Na segunda ida e volta. Na terça, vim de bicicleta, mas somente ontem voltei. Nas outras noites, tinha compromissos no centro e achei que ficaria muito tarde para voltar de bike. No final, ainda estava claro e daria para ter ido. Mesmo se estivesse escuro daria para ter ido, mas também tenho que usar meu caro cartão do ônibus. Hoje preciso resolver umas coisinhas no centro, então resolvi vir de busão mesmo. Quando venho de bike, acabo não passando pela região central, ando pela outra margem do rio Neckar.

quinta-feira, 4 de julho de 2019

Café + sol

Sei lá se foi TPM, autopiedade ou sinais de uma leve drepressao. Tudo isso junto ou nada disso...

Só sei que hoje de manha estava me sentindo bem pra baixo.

Justamente quando estava envolvida nesses sentimentos estranhos e, ao mesmo tempo, pensando que hoje havia comido só um iogurte com cereias de manha, porque tinha que terminar um frila, uma colega bateu aqui na sala, como tem feito todos os dias, para conversar uns minutinhos. Ela comecou a falar exatamente sobre café da manha. A esta altura, eu já havia decidido ir até a máquina de café. Antes, porém, pensei: já passo no banheiro, pois fica no caminho. Resolvi deixar minha caneca e a moeda na recepcao por uns instantes, para nao precisar levar ao banheiro.

Na volta, Rita, uma das recepcionistas, estava de pé, com uma garrafa térmica na mao.

"Hoje as tomadoras de café nao vieram, tem café aqui."

Agradecida e com minha caneca cheia, decidi ir tomar um pouco de sol lá fora. Um pouco de ar fresco poderia me fazer bem.

Sempre tem alguém por ali, fumando, tirando uns minutos, telefonando. Encontrei dois colegas, uma da parte administrativa, um da técnica.

Aqueles poucos minutos de conversa sob o sol foram transformadores. Voltei para minha sala "mais aquecida". Posso pensar que foi somente o café, mas sei que foi mais que isso. Em menos de 20 minutos, a interacao com essas três pessoas (quatro, contando a colega) foi fundamental para mudar meu humor, meu ânimo.

Eu gosto de estar sozinha, mas acho que de uns tempos para cá passei a ter receio da solidao.

quarta-feira, 3 de julho de 2019

Escolhas nada saudáveis

Pra descambar em escolhas pouco saudáveis, é fácil, fácil.

Hoje de manha ao passar no supermercado para comprar uma água para trazer para o trabalho, resolvi comprar um Red Bull. Foi a terceira vez nos últimos dois meses, eu acho. O pior é que nem compro essa bebida porque ache que ela me dê mais energia (talvez até dê mesmo), mas porque o gosto me lembra kisuco de guaraná que eu tomava na infância. É, os vícios mais terríveis comecam bem cedo. E nem é que eu goste ou beba guaraná, mas este gosto de infância é imbatível.

Sobre eu achar que nao fico tao mais disposta, é que posso, por exemplo, beber um café e ir dormir em seguida. Isso, aparentemente pelo menos, nao prejudica meu sono. Raramente tenho problemas para dormir. Ontem, por exemplo, estava agradecendo ao meu anjo da guarda pelo dia bom, só me lembro de ter pensado isso e fim. Apaguei.

Nesta semana estou cheia de trabalho extra e de compromissos sociais. As duas coisas me agradam bastante, mas nos últimos dias estao se mostrando realmente nada compatíveis. Pelo menos o artigo científico que tinha para revisar e os slides da apresentacao que farei na quinta na Semana Acadêmica da minha Alma Mater já fechei e enviei.

Que a vida continue assim, cheia de projetos, pessoas novas e coisas para fazer!
(E sem precisar de Red Bull para dar conta!)

Diário do câncer de mama 6 - a primeira quimioterapia

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