quinta-feira, 24 de março de 2022

Sangue

Na semana passada, resolvi doar sangue. Eu nunca pesei 50kg e por isso nunca pensei em doar sangue. Há algum tempo, conversando com uma amiga que há anos doa - e recentemente perdeu muitos quilos chegando a pesar menos de 50kg -, pensei que se eu bebesse muita água, conseguiria atingir os 50kg e, finalmente, doar sangue. 

Agora sei que foi uma ideia de jerico. 

Marquei meu horário para o começo da manhã. Quando cheguei lá, o médico me avaliou, me pesou (com muita roupa e celular no bolso) e me disse que achava que eu não tinha bebido e comido o suficiente. Indicou voltar umas horas mais tarde, depois de almoçar e de beber o suficiente. 

Pois bem. Fiz isso. 

Durante a doação em si, foi tudo bem. Quando acabou, ainda estava tudo bem. Passaram-se alguns minutos e tudo ficou muito ruim. Nunca me senti tão mal fisicamente na minha vida. Meu corpo, com 535ml a menos de sangue, entrou em colapso. Exagero um pouco, eu sei, mas a situação ficou bem séria (para mim). Ouvi uma campainha e em poucos segundos dois médicos estavam ao meu lado, assim como uma enfermeira.

Senti uma dor na minha barriga pior do que uma cólica. Pedi para ir ao banheiro. A enfermeira me acompanhou. Ao me olhar no espelho do banheiro, fiquei atônita. Nunca tinha me visto daquela cor, ou melhor, sem cor. Eu estava bege, sem sangue no rosto.

Só sei que tive que abandonar a ideia de voltar ao trabalho, tomei soro e fiquei de molho por mais uma hora, coberta por um edredom grosso, na sala da médica. Depois, ela me deu um chocolate quente. Aos poucos tudo foi ficando bem de novo.

Acho que tão cedo não decidirei doar sangue de novo. 

sexta-feira, 4 de março de 2022

Até quando?

Estou inconformada com os desdobramentos das últimas duas semanas. Quando pensamos que estamos chegando ao fim de um período ruim, chegam notícias ainda piores. A pandemia já está sendo algo horrível e agora essa perspectiva de uma guerra. Sinceramente, haja nervos. 

Apesar de o mundo nunca ter vivido em paz, no meu pequeno mundo nunca houve guerra. Vivi no Rio, é certo, mas apesar de tudo minha rotina era bem tranquila. Sempre que formulo a frase "nunca me senti ameaçada", me sinto uma idiota elitista, pois sempre estive perto de pessoas ou lugares que viviam suas guerras particulares.

Só que agora estou me sentindo nervosa com a situação vivida na Ucrânia. Eu queria, queríamos, só um pouquinho de tranquilidade, programar minhas viagens, poder simplesmente viver sem grandes preocupações. 

Penso que quem nasceu nos anos 1970 no Brasil teve a sorte de ter uma vidinha relativamente tranquila. Pegamos períodos de economia ruim, mas ainda éramos dependentes de alguém e não tínhamos que lidar com esse tipo de problema.

Ou será que sempre estive dentro de uma bolha e nunca percebi que o mundo já era um caos?

Eu continuo dentro de uma bolha com emprego, casa, o suficiente para fazer escolhas. Sinto-me novamente uma tola que se vê nervosa. A situação é séria, mas em caso de uma guerra aqui, eu tenho para onde ir, diferente de tantos. 

Diário do câncer de mama 6 - a primeira quimioterapia

  14.06.2022 Primeira quimioterapia, dia 1 Eu estava bem nervosa naquele dia, acordei supercedo. Comi meio Bretzel. Estava com medo de com...