quarta-feira, 26 de outubro de 2022

Diário do câncer de mama 6 - a primeira quimioterapia

 14.06.2022

Primeira quimioterapia, dia 1

Eu estava bem nervosa naquele dia, acordei supercedo. Comi meio Bretzel. Estava com medo de comer demais e passar mal. Não saber como o corpo vai reagir talvez seja um dos maiores desafios psicológicos no dia do tratamento. T. me ajudou a arrumar tudo que queria levar: livro, fones de ouvido, os remédios, água, chá de gengibre, algo para beliscar, uma mantinha, um casaco e os acessórios gelados para colocar nos pés e nas mãos durante a infusão do remédio. Quando chegamos na clínica pouco antes das 8h, fui fazer o teste de covid e entrei. Um senhor estava deixando uma pessoa lá, me olhou rápido, viu minhas bolsas todas e soltou uma exclamação, me olhou novamente com dó e desejou: “Alles Gute!”

Eu estava meio nauseada de nervosa, mas fui seguindoe um passo de cada vez: o registro no guichê, a apresentação do teste, as primeiras informações sobre o que fazer. Peguei meus documentos, levei aonde deveria, esperei um pouco. Logo depois, me mostraram onde era meu lugar, minha poltrona. Arrumei todas as minhas coisas lá e fiquei esperando ser chamada pela médica. Enquanto isso, uma enfermeira me passava algumas informações sobre efeitos colaterais e dicas. A consulta com a médica foi direta e simples. Estava liberada para começar. Antes, fui à cafeteria com meu vale e troquei por frutas e uma bebida.

Primeiro tomei um comprimido e recebi um pouco de soro para limpar meu Port. A agulha que seria usada naquele dia havia sido instalada na cirurgia no dia anterior. Tomei os primeiros remédios, que são para evitar enjoo e alergias. O primeiro medicamento da quimioterapia comecei a tomar lá pelas 10h com meus acessórios gelados. Nada fácil, mas parece que ajuda a evitar dores nas extremidades depois. O segundo medicamente demorou para ser aplicado, pois simplesmente não havia chegado. Foi uma longa espera, durante a qual li um pouco, dormi, comi, ouvi música. As aplicações dos dois últimos medicamentos transcorreram de maneira tranquila. Perto das 16h estava pronta para ir para casa. T. me buscou. Ao chegar em casa, comi um pouco da sopa que havia preparado anteriormente. Ainda estava meio dolorida da cirurgia do Port, mas dormi bem à noite.

Diário do câncer de mama 5 - o implante do "Port"

 13.06.2022

"Levantei cedo neste dia, tomei um café da manhã leve e peguei o ônibus até a clínica na universidade, onde faria o implante do meu Port, um cateter ligado a uma veia que leva o medicamento diretamente ao coração, de onde é bombeado para o resto do corpo. O teste de covid havia feito na noite anterior. Cheguei às 7h20. Estava um pouco nervosa, mas confiante de que daria tudo certo. Era, afinal, minha primeira cirurgia - além das dos dentes sisos. Os preparativos para a cirurgia foram relativamente rápidos. Antes, porém, fui convidada e aceitei participar de mais um estudo. Troquei de roupa, fui levada para a sala de cirurgia, prepararam tudo e esperei uns 20 minutos. O médico, com grandes olhos azuis, chegou, conversou um pouco, deu a anestesia e começou a cirurgia pontualmente às 8h30. Eu o ouvia conversando com o assistente. Meio que gelei quando ouvi a palavra problema, mas ele logo solucionou o que quer que fosse. Às 8h41, a cirurgia estava concluída. Juntei minhas coisas, caminhei um pouco pelo campus até a parada do bonde. Chegando em casa, passei o dia em repouso. T. chegou no final da tarde. Havíamos ficado duas semanas sem nos ver, pois ele havia contraído covid. Fomos jantar e dar uma caminhada."

Diário do câncer de mama 4 - os preparativos pré-quimio

 08.06.2022

E-mail escrito para a amiga M.

Oi, M.! Tudo bem?
Hoje não foi um dia muito fácil, e isso que nem começou a fase mais brava...

Foi dia de conhecer onde vou fazer a químio e saber de todos os efeitos colaterais. É meio assustador, mas agora já fui jantar num lugar que gosto muito e já estou um pouco mais relaxada. Eles precisam informar tudo que pode dar reação e quais são as reações. Não é a melhor coisa a se ouvir, mas tem que ouvir para ficar alerta caso ocorram mesmo os sintomas.

O lado bom de tudo é que não preciso fazer praticamente nada, além de submeter meu corpo a tantas consultas, exames de sangue e outros tantos. O pessoal da clínica da Universidade de Heidelberg cuida de tudo. Agenda todas as consultas, prepara todos os documentos, me alerta sobre tudo que tenho à disposição (acompanhamento psicológico, ajuda para resolver papeladas de dispensa do trabalho se precisar, acompanhamento no dia da químio, pois ainda não pode ter acompanhando externo por causa da pandemia).

Só sei que nas últimas semanas virei objeto de pesquisa de três grupos de estudos. Um sobre o câncer de mama em si, outro sobre esporte e câncer e agora um sobre um aplicativo que oferecem para as pacientes (com todos os horários das consultas, meus exames, meus documentos etc.). Enquanto eu tiver forças, vou cooperando. O do esporte vai me fazer ir à academia (do centro de tratamento) duas vezes por semana e uma vez fazer exercícios em casa... Nunca tive uma agenda tão cheia desde que moro aqui.

T. pegou covid dos sobrinhos durante nossas férias em família. Meu anjo da guarda foi muito competente. Não sei como não peguei, pois além do contato com as crianças, ele ficou aqui em casa até praticamente o exame dar positivo. Demos muito mole, mas felizmente eu estava com alguma proteção que me livrou dessa. Daqui pra frente, o sistema imunológico não poderá mais ser colocado assim à prova (mesmo que sem querer).

Duas colegas de trabalho estão meio que acompanhando de perto. Falei pra outras três, com reações diversas. Uma que é durona e esteve doente em 2020 por muitos meses ficou com os olhos mareados. É minha vizinha de porte e disse para eu me concentrar no que importa, ou seja, em mim. Uma outra, que fazia uns dois anos mal falava comigo (porque eu topei fazer uma tarefa para meu chefe em 2020 e ela ficou puta, pois é contra tudo que ele faz, e achou que eu não deveria apoia-lo em nada), mas que está no conselho de trabalhadores comigo e queria saber por que eu não iria me candidatar novamente nas próximas eleições, ficou perplexa quando falei. Na hora, não teve muita reação, me fez algumas perguntas. Uns dias depois voltou à minha sala, para saber como tinha sido a viagem a Montpellier e me dizer que se ela pudesse ajudar em algo, de alguma forma, era para que falar. E meu chefe continua com a mistura de apoio e de sem noçãozisse...

Hoje a médica recomendou que eu me afaste do trabalho, pelo menos nas primeiras semanas, até ver como meu corpo vai reagir. Acho que vou fazer isso. Assim também poderei talvez ir para Baden-Baden, o que ainda estou pensando, pois todos meus médicos, hospital etc. estão aqui em Heidelberg.

terça-feira, 11 de outubro de 2022

Diário do câncer de mama 3 - minha rotina nas sessões de quimioterapia

Escrevo este post no dia da minha penúltima sessão de químio. 

Até agora, não posso reclamar, as sessões foram sempre tranquilas. 

Eu explico um pouco nas anotações abaixo, mas vou descrever um pouco como foram. Vai que alguém precisando saber um pouco mais chega até aqui. :-) 

A minha quimioterapia foi dividida em duas fases. 

A primeira teve duração de 12 semanas. Foram quatro ciclos, com aplicações no dia 1, dia 8 e dia 15. 

No dia 1, eu ía ao NCT para receber toda a medicação: Placitaxel, carboplatin e prembolizumb mais uns remédios contra enjoo e alergia, que me davam um sono danado. A rotina no dia da quimio sempre era: chegar ao NCT; mostrar o certificado de vacinação contra covid; ir à secretaria do setor ginecológico para se registrar; fazer um teste de covid; esperar 20 minutos; se negativo, voltar à secretaria e pegar minha pasta com todos os detalhes do meu tratamento; ir à seção onde é realizada a químio e entregar a pasta; esperar. 

A espera foi sempre muito variada, de 5 minutos a uma hora. A enfermeira chefe do dia nos informa em qual setor da enfermaria eu receberei o tratamento. O setor é composto normalmente por 5 cadeiras com certa distância uma da outra. A enfermeira responsável pelo setor já prepara o Port para receber a medicação e a paciente fica aguardando ser chamada para a conversa com o médico. 

Nesse meio tempo, a enfermeira ou uma senhora que faz trabalho voluntário vem perguntar se queremos chá, café, uma coca-cola :-) e um biscoito. Também é possível pedir uma coberta e um travesseiro. As enfermeiras também aproveitam esse momento para perguntar como a paciente está e dar dicar sobre como evitar ou diminuir os efeitos colaterais. Toda semana, caio em um setor diferente, mas as enfermeiras do NCT são sempre muito atenciosas.

O tempo da espera pelo médico pode variar muito. Hoje, por exemplo, esperei três horas (!), mas estava bem instalada, então nem senti. A consulta é feita em uma sala separada, mas já presenciei algumas vezes a conversa de médicos com outras pacientes ali mesmo. Comigo aconteceu somente uma vez. Prefiro ir para um lugar mais reservado. 

O médico tem uma rotina de perguntas: se está tudo bem, como está se sentindo, se sente dores nos dedos, se teve febre. Até mais ou menos a semana 8, minha resposta era sempre: estou me sentindo maravilhosa, numa tradução tosca do que falo em alemão. :-) Somente a partir dos dois meses de tratamento, comecei a me sentir mais cansada. O médico analisa então os resultado do exame de sangue feito sempre no dia anterior. A quimioterapia ataca células que se multiplicam de forma rápida, como as do sangue, dos cabelos, da saliva e outros líquidos do corpo. Por isso, o exame de sangue mostra bem se o tratamento está surtindo efeito ou não. 

Liberada pela médica, vou com minha pasta marcar a próxima químio na semana seguinte. No caminho, aproveito para pegar algo na cafeteria com meu vale de 6 euros - toda vez, recebo um deles. Na volta ao setor da enfermaria, finalmente começa a aplicação dos remédios. Primeiro um comprimido contra enjoo. Depois, os medicamentos contra alergia e enjoo. Aí tinha uma pausa de meia hora. Finalmente começava a aplicação. Eu nunca fiquei menos do que quatro horas no NCT. Numa das vezes em que a espera foi surreal, eu fui a última a sair da clínica. Já estava tudo escuro, só eu e a enfermeira.

Nas primeiras duas semanas, o T. me levou e buscou. Depois, como eu me sentia bem, acabamos optando por eu ir e voltar a de ônibus, pois fica a clínica fica a somente 12 minutos de casa. Hoje até voltei caminhando. Algumas colegas de químio vão de táxi, pois moram em outras cidades. O plano de saúde cobre o transporte, mas achei que dava mais trabalho providenciar sempre um táxi do que caminhar até a parada de ônibus.

Bom, encerrada medicação, é feita a coleta de sangue para uma pesquisa da qual faço parte e depois estou liberada. Outra hora conto como funciona com o Port, o catéter que foi implantado para poupar as veias. 

Nos dias 8 e 15, recebo somente uma medicação, mas os procedimentos são iguais. Só a duração da estadia na clínica é mais curta.

Na semana seguinte, recomeça tudo de novo. Até fechar quatro ciclos. 


"30.05.2022

Consulta e apresentação do tratamento


Nesta consulta com uma médica do NCT recebi todas as informações sobre meu tratamento: primeiro, quimioterapia e depois, cirurgia. Quimioterapia por 20 semanas, em dois ciclos. No primeiro, quatro vezes um coquetel de medicamentos a cada 22 dias mais a aplicação de um dos medicamentos semanalmente. O segundo ciclo com mais 4 vezes outro coquetel de medicamentos a cada 15 dias. Passei a chamar os dias com aplicação do coquetel de quimioterapia completa e os dias com apenas um de quimioterapia compacta."

Diário do câncer de mama 2

Nas primeiras semanas depois de receber o dignóstico, fiz umas anotações, como se fosse num diário, para que eu depois em lembrasse do processo todo. Acho que escrever me acalma e ajuda a organizar as ideias, por isso sempre fiz diários minha vida toda e também por isso tenho esse espaço aqui ainda ativo. Passados alguns meses e quase chegando ao fim da quimioterapia, leio sobre meus primeiros medos e vejo que tive um período de quimioterapia muito tranquilo, pelo menos até agora. 

"22.05.2022


Preferi não fazer buscas na internet para não enlouquecer, mas sei que terei que passar por quimioterapia e uma cirurgia bem difícil. Na minha imaginação, toda vez que passasse um período complicado buscaria abrigo em Baden-Baden. Após uma conversa que não era exatamente sobre isso, dei-me conta de que o caminho é individual. Terei apoio, mas tudo que tiver que passar, passarei sozinha. É duro pensar assim, mas o melhor é não criar expectativas, pois ninguém sabe como agir em situações como essas."


"25.05.2022

Ganhei um chocolate da colega que trabalha na sala ao lado. Um agrado espontâneo sempre faz bem.

Observo que evito tocar no tumor, coisa que antes do diagnóstico não ocorria. É como se fosse um medo de que “se quebrasse”, se rompesse e espalhasse pelo resto do corpo, o que é no momento o meu maior temor. Apesar de o exame ter mostrado que isso não ocorreu, o medo é maior.

Escrito no App Pink: O maior desafio talvez seja lidar com o medo dos efeitos colaterais. No momento, eu não tenho exatamente medo de morrer, não mais como nos primeiros dias. Desde que soube que o câncer ainda está localizado e não houve metástase, senti forças para me manter mais positiva. Meu maior medo atualmente é sofrer muito durante as sessões de quimioterapia."


"26.05.2022

Havíamos chegado fazia pouco tempo ao destino de nossas férias em família, quando recebi uma mensagem da minha ginecologista de que havia conseguido antecipar minha consulta para o dia seguinte. Estávamos a duas horas de carro. Olhamos trens, alugueis de carros, conversamos com os pais e eles ofereceram o carro deles para que voltássemos a Heidelberg para a consulta. Saímos cedinho e às 10h estávamos na clínica. Fiz uma mamografia (finalmente!), outro ultrassom longo. Também fiquei sabendo que o exame dos ossos havia tido um bom resultado, ou seja, sem metástase dos ossos.

A médica conseguiu marcar para a segunda seguinte a apresentação do meu tratamento no NCT. Voltamos para Günzburg felizes por finalmente o tratamento estar mais perto. Ainda fomos no parque da Legoland depois da viagem, onde encontramos a família."

quinta-feira, 29 de setembro de 2022

Surpresas nem sempre são boas... (Diário do câncer de mama 1)

A vida nos surpreende de um jeito às vezes. 

Meu 2022 estava indo bem, já tinha feito algumas viagens, tinha outras planejadas, iria receber visitas do Brasil pelo menos duas vezes. Estava cheia de planos, marquei minhas férias para o ano todo já em março, inclusive uma viagem ao Brasil em outubro para o casamento de uma prima. 

E aí, de repente, a notícia de um câncer de mama mudou todos os planos. 

Eu recebi o diagnóstico no dia 12 de maio. Na semana anterior, eu havia ido à ginecologista, pois um cisto na mama direita estava me incomodando. Eu estava bem despreocupada, pois tais cistos me acompanham há mais de 10 anos. Ela tentou fazer a punção e não saiu nada. Pediu para voltar dois dias depois para coleta de material para uma biopsia. 

"12.05.2022

 Amanheceu tudo bem no dia 12 de maio. Uma das bolsas da bike estava preparada com roupas para um fim de semana prolongado em Baden-Baden. A outra, arrumaria mais tarde ao voltar do trabalho. Estávamos planejando passear de bicicleta, pois o tempo prometia ser bom. 

Às 10h59 o telefone tocou. “O resultado da biopsia saiu. Venha, por favor, ao consultório. A senhora tem alguém para lhe acompanhar?”

Ao ouvir isso, eu já sabia. Levantei-me da cadeira, fui até a estante, apoie a mão e soltei um soluço e as lágrimas desceram.

Em seguida, enviei uma mensagem para o T. dizendo o que havia se passado e que estava com a cabeça meio desnorteada. 

“Estou indo”, ele escreveu. 

“Não adianta, a consulta já é agora, daqui a pouco.” 

Ele chegou alguns minutos antes de eu ser chamada ao consultório. 

Sem rodeios, veio a frase que eu já sabia que ouviria: “A senhora está com câncer de mama”.

Diagnóstico recebido, indicação dos exames a serem feitos até a data longínqua da próxima consulta: 3 de junho. Uma eternidade. À tarde, decidimos ir para Baden-Baden. Antes, porém, marquei tudo que foi pedido. Alguns para breve, um para depois da consulta. 

À noite, ainda tive uma consulta com meu nutricionista, mas não tive de coragem de contar que tudo havia mudado. Optar por uma alimentação melhor não faria mal, de qualquer modo."

sexta-feira, 5 de agosto de 2022

Na padaria

Da janela da padaria, onde parei para comer um croissant e beber um café preto depois do exame de sangue, vejo a funcionária regando as plantas que pretendem dar um pouco de privacidade a quem se senta às mesas externas. 

Vejo uma mulher jovem passar aos pulos, fazendo uma espécie de polichinelo em movimento. Vejo duas amigas colocarem o papo em dias com seus vestidos bonitos enquanto comem um pain au chocolat. Duas outras, em mesas diferentes, trocam olhares ao perceberem o mesmo pedido diante de si: latte macchiato, servido como costume em um copo transparente. 

O trânsito flui harmonioso na segunda-feira cedo. Estudantes acompanhados de duas professoras passam tomando picolé, o luxo dos últimos dias de aula e a perspectiva das férias de verão. 

O cliente costumeiro fala um „até amanhã“ para a atendente da padaria. Enquanto outro faz um pedido aos pouquinhos, como se fosse lembrando devagar a longa lista de pedidos de quem ficou em casa, pede uma sacola, a atendente desculpa-se por ter que cobrá-la. Ele: „alles gut“.

E eu? Eu termino meu café, desejo um dia bonito para a atendente e parto para meu dia cheio de consultas.

sexta-feira, 22 de julho de 2022

Revisão nos olhos

Ontem fui ao oftalmologista, depois de... três anos.

No Brasil, eu marcava consulta a cada seis meses. Aqui na Alemanha, no começo eu estava ocupada com outras coisas. Somente quando tive que fazer um exame obrigatório no trabalho é que fui marcar uma consulta com um oftalmo, em 2019. Não gostei do médico, do consultório. Pensei que precisava procurar outro. Como estava indo tudo bem, não pensei mais no assunto. 

Dois anos se passaram e teve novamente o exame obrigatório no trabalho, feito por uma médica "comum", que faz o exame de qualquer jeito e sempre recomenda consultar um oftalmo depois. Resolvi seguir a orientação, pois estava percebendo que de perto o óculos mais atrapalha do que ajuda - uso o óculos para longe, mas ele nunca me incomodou para perto. 

Isso foi lá por fevereiro. Liguei para praticamente todos os oftalmologistas de Heidelberg. "Infelizmente não temos horários para pacientes novos", foi a frase que ouvi repetidamente. Até que resolvi perguntar para uma secretária quando passariam a aceitar novamente: julho. Consulta marcada para um futuro ainda bem distante. 

Pois ontem o futuro chegou. Gostei do médico. Fiz vários exames, medições, fotos dos olhos. Está tudo bem. O grau ainda é o mesmo de cinco anos atrás. A questão da vista cansada, segundo ele, enquanto não for desconfortável ler sem os óculos, é para eu aguentar um pouco mais antes de fazer um óculos específico. Resposta típica de médico alemão, mas desta vez ouvi sem me irritar. Eu não quero um segundo óculos ou um óculos para as duas coisas.

quinta-feira, 23 de junho de 2022

Mudanças inesperadas

Como virginiana, você planeja tudo, faz listas, compras antecipadas, reserva hotéis e aí, de repente, recebe uma notícia que muda tudo. Nunca gostei muito de alterar planos, especialmente planos feitos com bastante antecedência. Pois é, agora tive que aprender a reprogramar tudo.

Antes de um pequeno furacão passar pela minha vida, me diverti bastante desde o último post. 

Recebi uma amiga e meu afilhado aqui na Alemanha em abril. Passeamos bastante, conversamos muito, fizemos algumas viagens, foi tão bom. Ainda consegui encontrar outra amiga que mora na Europa, mas desde a pandemia não tinha mais conseguido ver. 

Depois, fui passar duas semanas com minha mãe na Turquia. Ela veio na excursão do grupo brasileiro que já estava programada há dois anos. Deu tudo certo. Eu já estava duvidando um pouco, dado que tantas operadoras quebraram durante a pandemia. A Turquia é um país maravilhoso para se conhecer. Tem lugares lindos e muita história. Recomendo. E ainda teve o passeio de balão, que foi ótimo. 

quinta-feira, 24 de março de 2022

Sangue

Na semana passada, resolvi doar sangue. Eu nunca pesei 50kg e por isso nunca pensei em doar sangue. Há algum tempo, conversando com uma amiga que há anos doa - e recentemente perdeu muitos quilos chegando a pesar menos de 50kg -, pensei que se eu bebesse muita água, conseguiria atingir os 50kg e, finalmente, doar sangue. 

Agora sei que foi uma ideia de jerico. 

Marquei meu horário para o começo da manhã. Quando cheguei lá, o médico me avaliou, me pesou (com muita roupa e celular no bolso) e me disse que achava que eu não tinha bebido e comido o suficiente. Indicou voltar umas horas mais tarde, depois de almoçar e de beber o suficiente. 

Pois bem. Fiz isso. 

Durante a doação em si, foi tudo bem. Quando acabou, ainda estava tudo bem. Passaram-se alguns minutos e tudo ficou muito ruim. Nunca me senti tão mal fisicamente na minha vida. Meu corpo, com 535ml a menos de sangue, entrou em colapso. Exagero um pouco, eu sei, mas a situação ficou bem séria (para mim). Ouvi uma campainha e em poucos segundos dois médicos estavam ao meu lado, assim como uma enfermeira.

Senti uma dor na minha barriga pior do que uma cólica. Pedi para ir ao banheiro. A enfermeira me acompanhou. Ao me olhar no espelho do banheiro, fiquei atônita. Nunca tinha me visto daquela cor, ou melhor, sem cor. Eu estava bege, sem sangue no rosto.

Só sei que tive que abandonar a ideia de voltar ao trabalho, tomei soro e fiquei de molho por mais uma hora, coberta por um edredom grosso, na sala da médica. Depois, ela me deu um chocolate quente. Aos poucos tudo foi ficando bem de novo.

Acho que tão cedo não decidirei doar sangue de novo. 

sexta-feira, 4 de março de 2022

Até quando?

Estou inconformada com os desdobramentos das últimas duas semanas. Quando pensamos que estamos chegando ao fim de um período ruim, chegam notícias ainda piores. A pandemia já está sendo algo horrível e agora essa perspectiva de uma guerra. Sinceramente, haja nervos. 

Apesar de o mundo nunca ter vivido em paz, no meu pequeno mundo nunca houve guerra. Vivi no Rio, é certo, mas apesar de tudo minha rotina era bem tranquila. Sempre que formulo a frase "nunca me senti ameaçada", me sinto uma idiota elitista, pois sempre estive perto de pessoas ou lugares que viviam suas guerras particulares.

Só que agora estou me sentindo nervosa com a situação vivida na Ucrânia. Eu queria, queríamos, só um pouquinho de tranquilidade, programar minhas viagens, poder simplesmente viver sem grandes preocupações. 

Penso que quem nasceu nos anos 1970 no Brasil teve a sorte de ter uma vidinha relativamente tranquila. Pegamos períodos de economia ruim, mas ainda éramos dependentes de alguém e não tínhamos que lidar com esse tipo de problema.

Ou será que sempre estive dentro de uma bolha e nunca percebi que o mundo já era um caos?

Eu continuo dentro de uma bolha com emprego, casa, o suficiente para fazer escolhas. Sinto-me novamente uma tola que se vê nervosa. A situação é séria, mas em caso de uma guerra aqui, eu tenho para onde ir, diferente de tantos. 

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

Exame de sangue depois de tanto tempo

Hoje de manha fui fazer exame de sangue. Somente depois me dei conta de que é melhor nao beber álcool nos dias anteriores ao exame. Danou-se! Vamos ver como serao os resultados, que já vou receber amanha.

Aliás já preparei uma listinha de problemas sobre os quais quero falar com meu médico. Faz tanto tempo que nao vou até lá. Espero que ele resolva investigar o que está me incomodando ao invés de apenas dizer que nao deve ser nada.

Como o médico fica em uma regiao da cidade a que vou pouco, aproveitei para comprar algo diferente para meu almoco. E também um croissant para tomar café, pois estava morrendo de fome quando cheguei finalmente ao trabalho. 

***

Hoje tenho ginástica. Ainda bem que a instrutora já se curou. Na semana passada, a aula precisou ser cancelada. 


sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

E um mês já se foi

Ontem escutei que o que passa nao é o tempo e, sim, nossa vida. Seja como for, fato é que já estamos em fevereiro. 

Janeiro foi bem aproveitado, caminhando pelo menos 60 mil passos por semana, tomando muita água e chá, viajando (conseguimos fazer duas viagens de fim de semana), passeando pelos arredores, bebendo e comendo bem. 

Quando o ano comecou, eu estava resfriada. Evitei vir de bike pro trabalho por achar que seria mais agressivo para meu corpo do que vir caminhando. Acabei deixando a bicicleta de lado nas últimas quatro semanas. Um pouco também porque meu plano de saúde tem um desafio no aplicativo de caminhar 60 mil passos por semana. Algo que tentei fazer já no ano passado, mas sem êxito. Agora deu certo! 

Já estou quase fechando a quarta semana. 

Isso deve proporcionar algum benefício ao coracao, como pontuou uma amiga. Também acho, apesar de nao notar grandes mudancas. Estou feliz com a pequena conquista. Sinto falta de andar de bicicleta, mas estou curtindo as caminhadas. Percebe-se muito melhor o caminho a pé. 

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Nesta semana, ouvi pela primeira vez passarinhos cantando de manhazinha. Fiquei feliz com a perspectiva da chegada da primavera. 

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Estou achando o inverno meio fraco neste ano, mais quente. Apesar de termos dias com temperaturas perto do zero, lembro que no ano passado teve mais neve. Nem reclamo, pois se estivesse nevando, nao conseguiria fazer meu trajeto a pé. 

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A aula de natacao foi boa. Somos muitos agora, mais de 10, o que causa um pouco mais de confusao na piscina. No final do outro curso, éramos somente quatro. Tínhamos mais atencao do professor. Hoje tem aula de novo.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

O ano já começou mesmo

Hoje retomo minhas aulas de natação. Empolgação não é a palavra, mas eu sei que será bom.

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Faz duas semanas que comecei a fazer ginástica. Está sendo tão bom. O curso chama-se Bodyforming e é um curso com exercícios "antigos". Teve até polichinelo. Pena que é só uma vez por semana. 

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Nesta semana tivemos os primeiros casos de covid-19, pelos menos os de que tomei conhecimento. Como estão todos vacinados, os sintomas têm sido leves. 

No trabalho, temos direito a dois testes gratuitos por semana, basta retirá-los no departamento pessoal. 

Há testes para vender em todo lugar no momento, mas há algumas semanas, quando os casos aumentaram, não era tão fácil encontrar. Por isso, acho muito boa essa lei que obriga o empregador a disponibilizar pelo menos dois por semana por funcionário. 

Há umas três semanas, em praticamente todos os lugares, só aceitam a máscara PFF2. 

Apesar de tudo isso, a cada dia o número de casos aumenta. E o de mortes também, especialmente de não vacinados.

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Nesta noite, sonhei com dois animais de estimação do passado, o Piloto e a Mima.

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No final do ano passado, eu enviei livros de presente para algumas amigas. Uma delas me deu um mapa numerológico de presente, que ela mesma fez. A apresentação do resultado foi na última quarta-feira. Foi tão bom! Acho que fazia uns oito anos que não conversámos "pessoalmente" e foi muito legal ter esse contato. Gostei muito da abordagem dela sobre o mapa.

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Passamos um fim de semana tão agradável com os pais do T. em Hamburgo. Quando a mãe dele fez 70 anos a presenteamos com ingressos para o musical sobre Tina Turner. Com o avanço da pandemia, achei que nem conseguiríamos ir agora, mas deu tudo certo. O musical vale muito a pena, é muito bem feito. Fomos também numa espécie de minimundo que tem em Hamburgo, no qual há também cenários do Rio de Janeiro. Precisa praticamente um dia para ver tudo. Para completar, ainda fomos visitar o prédio da filarmônica, fizemos um city tour de ônibus e jantar com minha amiga Rebeca.

terça-feira, 11 de janeiro de 2022

Enfim, o retorno

Depois de uma semana de molho, voltei ao trabalho. No instituto, está tudo tao silencioso, que nem parece que as atividades já reiniciaram. Por conta da alta no número de infeccoes, muitos estao novamente trabalhando majoritariamente de casa. Alguns aproveitaram para prolongar as férias e ainda nao retornaram. Ou estao doentes e em licenca. Como os alemaes nao sao de falar sobre temas particulares, nem sempre se fica sabendo o que está acontecendo realmente com alguém. 

Encontrei minha sala tomada por livros, como era de se esperar. Isso me alegra muito, pois prefiro uma imensa lista de tarefas aos tempos em que as entregas estavam irregulares e nao havia muito o que fazer. Eu sempre acho o que fazer, pois o depósito está cheio de livros "esquecidos" que ninguém quer por a mao. Bom, desde o comeco da pandemia, já resgatei dois mil livros desse ostracismo. Agora, teoricamente, estou terminando o último carrinho lotado de livros antigos, que foram doados ao instituto em algum momento do passado. 

Esses livros antigos me deram a oportunidade de treinar várias atividades que havia aprendido na faculdade e nao fazem exatamente parte das minhas tarefas aqui.

***

Eu adoro meu apartamento, mas tem uma coisa que era melhor na antiga regiao da cidade: a água. Ontem comprei uma nova chaleira elétrica que vem com um lugarzinho para colocar um filtro. No trabalho, eu tenho um filtro para água e uso diariamente. Em casa, nao tinha. Limpar a chaleira a cada dois dias estava me deixando maluca. Se ficava um pouco de água, no dia seguinte estava tudo branco de cal/calcário. Isso nao é prejudicial à saúde, mas causa uma irritacao a quem quer manter as coisas limpas. Uma amiga comprou um filtro para o chuveiro, pois o cabelo também sofre horrorres. Ainda estou considerando.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

Pausa para começar

2022 começou me colocando de molho. No feriado de Natal, convivi alguns dias com uma pessoa que estava resfriada. Resultado: terminei 2021 e comecei 2022 doente.

Estava de folga na semana passada e achei uma pena perder uma das poucas semanas livres tendo que ficar em repouso, mas não teve outro jeito. De qualquer forma, conseguimos passar dias felizes. 

Na segunda-feira, quando voltei para casa, fui ao médico, na esperança de que ele me desse algo para melhorar logo. Não adianta, aqui médico não dá remédio para resfriado. Eu acho meio frustrante, pois estou culturalmente acostumada de outra forma, mas uma parte de mim concorda que o corpo precisa de tempo e cuidado para ficar bom de novo. E isso significa: cama, beber muita água e muito chá, pastilhas para aliviar o incômodo na garganta e é isso. 

Por sorte, a sogra me "receitou" umas gotinhas que "a minha mãe já tomava" e resolvi pedir à farmacêutica um expectorante. Passados 10 dias, estou me sentindo melhor, mas ainda com uma tosse leve, que, me conhecendo, vai me acompanhar por algumas semanas. 

Quando fui ao médico, ele me perguntou se gostaria de fazer um teste PCR, apenas para ter certeza de que não era Covid-19. Eu já havia feito quatro outros testes, mas aceitei na hora. Não custa nada. "Algumas pessoas preferem não fazer, por isso sempre pergunto se o paciente quer fazer ou não." Se por acaso o teste dá positivo, os dados são automaticamente transmitidos para o Departamento de Saúde e você é obrigado a ficar 14 dias em casa. Imagino que alguns não queiram correr o risco de alguém ficar sabendo que estão com o vírus. 

O PCR deu negativo como esperado. O resfriado seguiu feliz, especialmente de manhã cedo e à noite. Ainda bem que recebi licença médica de uma semana e pude ficar em casa descansando, vendo alguma coisa na tv, tomando sopa.

Eu já iria ter dois dias de folga na semana, pois hoje é feriado e a sexta-feira havia tirado livre de qualquer jeito.

terça-feira, 4 de janeiro de 2022

Uma espécie de balanço de 2021

Sempre gosto de voltar a posts antigos, mas meio que tenho preguiça de escrever novos. Então para poder daqui a alguns anos me lembrar de como foi este segundo ano pandêmico, aqui algumas anotações para a Rafaela do futuro.

Começamos 2021 a dois e assim seguimos por muitos meses. Familiares fomos encontrar somente lá por março. A impressão que tenho é que amigos só fomos encontrar quando já estávamos na primavera. Talvez olhando as fotos do ano passado, eu tenha surpresas. A lembrança que ficou é que de novembro de 2020 até pelo menos começo de abril de 2021, os restaurantes ficaram fechados na região.

Os primeiros feriadões do ano, passamos em casa ou passeando de bike pelas redondezas, pois não era possível ir muito longe sem hotéis e ainda estava muito frio para acampar.

Primeiras férias

Na primeira semana de maio, resolvemos tirar uma semana de férias. Ainda não havia hotéis funcionando, então nossos locais de hospedagem foram nossos próprios apartamentos e a casa dos pais do T. Antes de começar nossa viagem de férias, fizemos a trilha de bike à beira do rio Murg. Foi num único dia e tivemos a companhia do Mohammed. 

No dia seguinte, partimos de bike de Baden-Baden para Heidelberg. Acho que foi uma das vezes em que percorremos mais quilômetros de bike: 107. Não era o previsto, mas no meio do caminho, as placas, que normalmente são bem confiáveis, começaram a nos enviar para caminhos confusos, aí sumiam, foi um pouco estressante, mas depois de quase 9 horas, chegamos! Eu estava hipercansada. Estava meio que dormindo em pé depois de tomar banho e comer algo em casa.

Descansamos um dia em Heidelberg, fomos à exposição do Banksy, nosso primeiro evento desde o começo da pandemia. Ainda não estávamos vacinados e não pediram testes. Lembro que me senti muito desconfortável cercada de estranhos. Olhei a exposição de forma rápida para sair logo dali. 

No dia seguinte, partimos para Nierstein. Foi uma viagem bonita de bike e tranquila. Os dias por lá também foram bem agradáveis. Em um dos dias, fomos a Mainz, que fica a apenas 14km. A volta para casa também foi de bike, por cidadezinhas bonitas, mas o tempo estava meio estranho, pegamos até chuva de granizo. Como dói uma pedrinha de gelo indo contra o lábio. A experiência, porém, me fez perder medo de andar na chuva. Nada como roupa adequada. No dia, ainda não tinha o protetor adequado para os pés, mas agora tenho e funciona que é uma beleza. 

Viagem ao Brasil

Na semana seguinte às férias, exatamente na segunda-feira, minha mãe pede para eu ir ao Brasil. Tinha sofrido um acidente de carro e estava achando que iria morrer. Se eu soubesse da viagem anteriormente, não teria tirado férias. Falei com meus chefes e programei a viagem para o fim de semana seguinte. A parte triste: iria consumir todos meus dias livres de férias, pois além dos dias no Brasil, teria de ficar 14 dias em casa na volta, pois o Brasil estava definido como área com vírus mutante. 

Felizmente, meu chefes me autorizaram a fazer home office na volta. Então pude trabalhar desde o primeiro dia de quarentena. 

Foi bom ter ido, apesar de ter sido no pior momento para ir ao Brasil. Passamos praticamente só em casa. Passei pela experiência de fazer testes PCR, de ter que comprovar mil vezes que morava na Alemanha para poder voltar, de ir de táxi de Porto Alegre a Vacaria, de usar máscara o tempo todo nas ruas. 

Minha mãe só foi realmente melhorar no final do ano. Passou um ano terrível com dores. 

Quarentena

Quatorze comigo mesma. Que presente! Não é que eu não goste da companhia dos outros, mas gosto demais da minha própria companhia. :-) Foram 14 dias trabalhando nos horários em que tinha que trabalhar, cozinhando todas as minhas refeições, fazendo exercícios físicos com a Gabi todo fim de tarde, montando quebra-cabeças, lendo e conversando remotamente com várias pessoas. Também fotografei os prédios vizinhos de todos os ângulos que minhas janelas permitiram. A minha quarentena foi também nas duas semanas mais quentes do ano. Não teve um dia sequer de chuva. Isso foi talvez a única parte triste, pois foi como se tivesse perdido o verão neste ano. Depois dessas duas semanas, o verão foi uma sucessão de dias chuvosos.

Outras pequenas férias:

Tiramos ainda mais uma semana de férias quando fizemos uma pequena viagem com a família. Quer dizer, com eles ficamos somente no fim de semana, na ilha chamada Föhr, no Norte da Alemanha. Depois, com nossas bikes, fizemos um trecho do Mar Báltico - passando por Flensburg, Kappeln, Eckernförde, Damp e Kiel. Quando viajamos de bike, escolhemos hospedagens em albergues da juventude, campings e hotéis mais simples - mas limpos e com boa avaliação. Até agora tivemos sempre boas experiências. Desta vez, acampamos em Nieby, à beira do mar, e em Eckernförde, também pertinho da praia. Os campings são muito bons. Nos dois havia restaurante, um pequeno mercadinho. Normalmente, o café da manhã tomamos por conta, mas compramos pão fresco. Desta vez, jantamos uma noite no restaurante e na outra, cozinhamos, pois tínhamos muita coisa para cozinhar e não queríamos mais carregar. A Deutsche Bahn resolveu fazer várias greves e a pior foi bem nessa semana, mas eu estava decidida a ter férias, mesmo que tivesse que me estressar um pouco no final. Somos duas estrelinhas sortudas. Porque estava um caos, a Deutsche Bahn ofereceu despachar nossas bicicletas gratuitamente e não tivemos problemas na volta. Até conseguimos lugares sentados a viagem toda em lugares não reservados. 

Depois dessas pequenas férias, tivemos mais dois momentos livres, nos nossos aniversários. Conseguimos fazer a trilha de bike à beira do Rio Tauber e conheci finalmente a bela Rothenburg ob der Tauber, uma verdadeira cidadezinha alemã como conhecemos de todos os clichês. Em seguida, percorremos os 100km da trilha com tranquilidade nos três dias seguintes, nos hospedamos no maravilhoso Tauberlodge em Creglingen. Visitamos o Castelo de Weikersheim, passamos algumas horinhas em Lauda e em Tauberbischofsheim,  fomos nas águas termais de Bad Mergentheim, pernoitamos na também maravilhosa Belle Maison em Werbach, onde comemoramos meu aniversário, e terminamos nossa viagem em Wertheim. Desta vez, caprichamos na escolha dos hotéis, pois era uma viagem comemorativa. :-)

No final de outubro, mais uma curta pausa. Fomos a Bad Wildbad, na Floresta Negra. Foram três dias felizes, com visita às águas termais, passeios pelo parque e milhões de fotos outonais, com as árvores pintadas de amarelo. 

Pequenas importantes ações:

Coloquei quadros na parede do apartamento. Ainda há espaço para muito mais, mas os primeiros estão colorindo a sala e o quarto. A casa ficou mais bonita com as lembranças de momentos felizes nas paredes. 

Finalmente fui ao Consulado Italiano em Stuttgart e obtive minha carteira de identidade. Eu havia feito um primeiro pedido em janeiro de 2019, mas alguma razão não havia funcionado. Desta vez, em 10 dias a identidade estava na minha caixa de correios. Isso facilita a vida, pois tem o endereço impresso e não preciso mais estar sempre com meu passaporte. 

Consegui encontrar tempo para ir comprar vasos para minhas janelas. Em um deles, tenho plantinhas de inverno e no outro, temperos que resistem ao frio: alecrim e tomilho. Há planos floridos para a primavera. 

Minha amiga querida Márcia lançou o livro Nove histórias errantes, para o qual escrevi a orelha. Fiquei feliz por conseguir me organizar para enviá-lo para pessoas queridas, amigas antigas, amigas de todas horas, amigas recentes, pessoas que não são tão próximas, mas foram bem importantes nos últimos dois anos. Meu afilhado foi meu assistente para imprimir pequenos cartõezinhos, envelopar e enviar os livros.

Fiz um curso de Primeiros socorros de saúde mental, que me forneceu boas ideias sobre como lidar com pessoas em crise mental.

Fiz 10 meses de curso de inglês. Além de melhorar um pouco em algumas áreas, conheci essa pessoa incrível que é a professora Kelly.

Perdi o medo de andar de bike com chuva.

Ganhei de amigos um curso de natação. Foram dois meses desafiantes. Consigo me movimentar muito melhor na água, quase nadar. Minha relação com a água na piscina mudou. No primeiro dia, eu tinha um medo enorme. Agora, já entro com tranquilidade e sem tanto medo de cair, ficar debaixo d'água. Decidi continuar com as aulas neste novo ano. Eu adorei nosso professor, Nico, que tem toda paciência do mundo. Quem sabe até o verão, eu consiga nadar sem medo de lugares em que não dão pé.

Comecei a montar quebra-cabeças e descobri um passatempo que adoro.

Fiz dois cursos da Rita Lobo, um sobre temperos e especiarias e outro sobre Prato feito. Neste ano, passei a cozinhar muito mais do que em toda a minha vida. T. foi um companheiro maravilhoso neste quesito - e em vários outros -, pois também ficou orgulhoso de nossos pequenos avanços na cozinha. 

Comecei a ajudar regularmente um grupo de voluntários da região do bairro de Irajá no Rio, os Catadores do Bem, após ver uma postagem de uma amiga no instagram. De tanto ler notícias do aumento dos preços do gás no Brasil e também influenciada por meus cursos com a Rita Lobo, que usa panela de pressão pra tudo, tomei a decisão lá pela metade do ano de comprar panelas pra os participantes do projeto. Mensalmente, são distribuídas cestas básicas para 80 famílias de catadores, além de itens de higiene e outras ajudas arrecadadas no decurso do mês.

Passei a comprar regularmente flores.

Tomo diariamente chás, algo que nunca havia imaginado. É claro que o clima juda bastante. 


Diário do câncer de mama 6 - a primeira quimioterapia

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