quarta-feira, 30 de agosto de 2023

Diversos

Hoje fui ao dermatologista, minha primeira vez aqui. Bom, a consulta foi relâmpago como a de qualquer outro médico. Eles parecem sempre estar com muita pressa, mesmo que nao haja mais pacientes a serem atendidos. Dois médicos olharam todas as pintas e marcas do meu corpo. Chegaram à conclusao de quem nao há nada de errado na pele. Apesar disso, quiseram fotografar uma mancha no pé. Ela já está ali há pelo menos 20 anos. Daqui a dois anos, quando eu voltar para novo controle, usam a foto para ver se houve modificacao.

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Coloquei recentemente dois lembretes na minha mesa do trabalho: 

    1. Lembre-se de tomar água!

    2. Faça tudo mais devagar, com mais atençao. 

Esse segundo ponto tem sido minha meta nas últimas semanas. Fazer tudo mais devagar. Pra que a pressa?! Eu costumo andar rápido na rua, trabalhar rápido, limpar a casa rápido. Comecei a me questionar para quê? Grande parte das coisas posso fazer mais devagar, olhando ao redor talvez, respirando. 

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Há algumas semanas, o gramado aqui do trabalho parecia ter morrido. Dava para ver a terra preta, como se tivesse sido incendiada. Agora, depois de um mês de chuva, tudo já está verdinho de novo.

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Outros hábitos que gostaria de desenvolver seriam:

- comer uma fruta pelo menos todos os dias

- passar protetor solar no rosto e nas mäos mais de uma vez por dia. Passo pela manhä e acho que deveria passar pelo menos depois do almöco

- aprender algumas palavras novas todos os dias, em qualquer idioma

 

sexta-feira, 11 de agosto de 2023

Com trilha sonora

Eu adoro ouvir rádio. Foi o primeiro objeto que comprei ao me mudar para a Alemanha em 2018. Não sei por que demorei tanto para comprar um para o trabalho. O bibliotecário anterior tinha um. No último dia, ele me disse: vou lhe deixar a chaleira elétrica, mas levarei o rádio. Nos últimos cinco anos, ouço música na internet, com fones. Mês passado, porém, tomei a decisão de comprar um radinho, que não usa pilhas, mas tem uma bateria recarregável via cabo usb. Ah, a modernidade. Agora, posso ouvir música, notícias e comerciais sem precisar de fones. Tao libertador. 

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Uma vizinha do T. fez aniversário nesta semana. 65 anos. E decidiu comemorar com 65 horas de programação. Eu achei a ideia genial. Não são 65 horas ininterruptas, mas 65 horas divididas em vários eventos. Estou feliz por ter chegado a sexta-feira e poder ir a Baden-Baden para comemorar um pouco com o grupo. Hoje, haverá um churrasquinho. Amanha, uma visita a uma emissora de tv e rádio, a SWR, e mais tarde, cinema ao ar livre. O presente planejado pelos vizinhos compreende 12 encontros, cada mês um vizinho fará algo com ela. Em setembro, iremos a um winebar juntos.

Aliás, presentear experiências é uma prática bem comum aqui. Dado que todo mundo tem ou pode comprar praticamente tudo que quer, presentear coisas não faz muito sentido. Ultimamente tentamos dar presentes que nos incluem também, passar um tempo com a pessoa. Ano passado, fomos a um musical com os pais do T. Neste ano, fomos ao cinema com o sobrinho do meio. Todos ficamos bem felizes. 

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Parece que o verão resolveu voltar por mais um pouco. A partir de hoje, depois de quatro semanas de chuva, será um pouco mais quentinho. Ainda bem! Eu terei uma semana de férias no final do mês e estou superanimada. Feliz porque fará calor. 

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Meu cabelo está crescendo... e encaracolando. Estou achando lindo!

segunda-feira, 24 de julho de 2023

Vida de trabalhadora :)

A diferença para uma pessoa “normal” e uma que teve câncer é que a primeira não vai pensar que está tendo uma metástase a cada dor diferente que sentir. 

Eu voltei a trabalhar em tempo integral desde segunda-feira. Nas oito semanas anteriores, fui aumentando meu tempo gradualmente. Comecei com três horas e meia por três dias na primeira semana até chegar a seis horas por cinco dias na oitava semana. Foi bom ter feito assim, pois meu corpo foi se acostumando gradualmente ao ficar sentada, ao olhar o computador por horas, às idas e vindas de bike até o trabalho. Também foi um período necessário para me lembrar quais eram os comandos que usava para realizar algum tipo de tarefa – alguns estavam bem escondidos na minha memória. 

Nesse período, recebemos um ventilador para tentar combater o calorão que estamos vivendo. Confesso que depois de tantos anos no Rio nem acho tão quente assim, mas há dias que são mais difíceis. De qualquer forma, eu adoro o verão. Eu gostaria de fazer comentários/avaliações no Google sobre os lugares que visitei nas últimas semanas, mas não estou conseguindo encontrar o tempo para isso.

Outra novidade é que comprei um rádio. Gosto de ouvir música enquanto trabalho e usar fones acho tão desagradável.  

Desde que voltei a trabalhar em tempo integral e desde que faço ginástica e musculação duas vezes por semana, meus fins de tarde têm ficado meio curtos. Noto que estou indo dormir mais tarde do que gostaria também. 

Eu durmo rápido, para minha sorte, mas nem sempre tenho vontade de sair da cama tão cedo. Tenho acordado sempre às 6h45, mas talvez pudesse dormir até as 7h30 sem problemas. Eu só preciso estar no trabalho às 9h, mas sempre chego às 8h30, porque simplesmente não tenho mais nada para fazer em casa e vou para o trabalho.

Estou planejando três viagens ao mesmo tempo. Isso para mim é a pura felicidade.

segunda-feira, 26 de junho de 2023

Festa de verão

No último domingo, fizemos uma festinha aqui no prédio. Temos um grupo de WhatsApp e por ali trocamos avisos, pedimos ajudas (para alguém esperar por um pacote, receber flores, emprestar algo) e organizamos esses encontros de tempos em tempos.

Uma particularidade do meu prédio* é que nos mudamos todos no mesmo dia. O prédio é de 1890, mas foi comprado por uma instituição ligada à prefeitura e totalmente reformado internamente. A fachada é a mesma, mas dentro renovaram bem. No meu apartamento, ainda há as portas e janelas originais, que dão um ar bonito à construção. 

Quando a reforma ficou pronta, viemos todos juntos. Imagina a quantidade de caixas de papelão que havia no lixo! Levamos semanas para que a lixeira pudesse ser usada de forma regular. 

Já houve umas quatro ou cinco festinhas e mercados de pulgas. Eu participei até agora somente de duas, pois nas outras não estava em casa. Com exceção de quatro moradores, eu incluída, todos têm entre 25 e 30 anos. No ano passado, um casal teve o primeiro bebê. Por enquanto, a única criança por aqui.

Os encontros são bem animados e tranquilos ao mesmo tempo. Eu acho uma ótima oportunidade para conhecer um pouco mais dos vizinhos, falar dos nossos problemas comuns enquanto inquilinos e passar umas horas agradáveis em nosso pátio. 


* Meu prédio não é o único no terreno. Ele fica no pátio interno, mas há também um de frente para a rua e ainda mais dois apartamentos em cima de uma marcenaria que ocupa o térreo. Ao todo, são 14 apartamentos pequenos - ontem, havia pessoas de 10 apartamentos e mais uma funcionária da marcenaria. Do meu prédio, dos seis, estávamos em cinco, mas a sexta moradora nos deu um oi antes de sair com o namorado. 


quarta-feira, 21 de junho de 2023

Ah, o verão

Esperamos tanto tempo pelo verão. Aí ele chega e ficamos esgotados pelo calor, querendo que ele não seja tão forte e longo. Às vezes, fico pensando como aguentei o verão no Rio por tantos anos. Aqui, quando a temperatura chega a 27, 28 graus, já estou no meu limite. Uma amiga brasileira me visitou na última semana e me disse que o calor é diferente. Aqui é seco, o que torna mais difícil. 

Tirando os desconfortos, eu gosto do verão. Fico feliz ao sair de casa de mangas curtas. 

Por sorte, já tenho um ventilador em casa. Lembro que no ano passado, ele foi fundamental. 

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Sinto calafrios só de pensar nos cinco malucos que estão dentro desse submarino que desapareceu ao fazer uma excursão até o Titanic. Entrar em um submarino é algo que não tenho a menor vontade. 

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Depois de Lindau, fizemos mais duas viagens! Isso me mantém viva. Fomos a Basel e fizemos um tour de bike ao longo do Kinzig. Basel foi a primeira cidade suíça que visitei. Gostei bastante da atmosfera da cidade, mas nos sentimos bem pobres. A Suíça é bem cara para quem mora na Alemanha. De qualquer forma, comemos bem, passeamos bastante e até fizemos umas comprinhas. Um dos lugares que visitamos foi a fronteira tríplice - Alemanha, Suíça e Franca.

Duas semanas depois, aproveitando outro feriadão, fizemos nosso primeiro tour de bike depois da doença. Eu estava um pouco insegura e curiosa para saber como meu corpo reagiria. Deu tudo certo! Que viagem gostosa e experiência boa. Passamos por cidades tão bonitas. 

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Ir e vir de bicicleta é uma coisa que me alegra sempre. Eu me sinto livre. Já faz três semanas que tenho usado minha bike para ir à biblioteca.

terça-feira, 16 de maio de 2023

Lindau

Como tinha ainda uma semana livre antes de voltar ao trabalho, resolvi fazer o que mais gosto: viajar. Planejei, reservei e... os funcionários da empresa de trens alemã resolveram fazer uma greve. Lá fui eu cancelar o hotel e ficar frustrada. No final, algum órgão jurídico decidiu que não poderia haver greve. Reservei o hotel novamente, mais caro. 

Com minha passagem de 49 euros (o Deutschland-Ticket), peguei na segunda-feira cedo um trem em direção ao Sul. Fiz duas baldeações e quatro horas depois estava chegando ao Bodensee, o Lago de Constança, que marca a fronteira entre a Alemanha, a Áustria e a Suíça. A cidade escolhida foi Lindau, que se divide em duas partes, sendo uma delas uma ilha. 

Eu estou hospedada nessa parte na ilha. Que lugar bacana! Como é bom estar num lugar à beira d'água. Há tanta que até parece o mar. Isso me faz um bem que nem eu mesma sabia. 

sexta-feira, 5 de maio de 2023

Diário do câncer 19 - Reha

Estou em uma clínica de reabilitação, o que para nós, brasileiros, soa um pouco mais dramático do que realmente é. Aqui na Alemanha ninguém se "assusta" quando alguém fala que está indo para uma Reha, nome popular para essa fase após um longo período de licença médica. Existe um nome mais complicado em alemão: Anschlussheilbehandlung, que é o correto de se usar, mas todos conhecem por Reha. 

Ir para uma Reha, ou uma clínica de reabilitação, é um direito de todos que passaram mais de seis semanas de licença médica. É uma forma que o Estado encontrou para ajudar na reabilitação de pessoas que estiveram doentes por um longo tempo. O objetivo nada mais é do que preparar a pessoa para a volta ao trabalho, oferecendo acesso a diferentes tipos de esporte, fisioterapia, acompanhamento médico e psicológico e por aí vai.

Normalmente, fica-se três semanas na Reha. Pode-se prorrogar, mas tudo depende da disponibilidade. Na clínica em que estou é superdifícil conseguir uma vaga.

Quando estava na metade do tratamento, eu estava muito em dúvida se viria ou não. Para quê? Quero ir logo trabalhar, era meu pensamento. Conversei com algumas colegas alemãs do trabalho, um conhecido que havia ido para uma clínica e aos poucos fui mudando minha opinião. Por que não? Um tempo para mim, em um ambiente diferente, com atividades diversas. 

Foi uma decisão acertada. 

Cheguei no dia 18 de abril, uma semana após ter voltado da viagem ao Brasil.

Como escrevi em outro post, a clínica em que estou é focada em pacientes que tiverem câncer de mama. São 46 mulheres, com idades entre 20 e poucos até 60 anos. Pacientes jovens, segundo uma classificação usada em clínicas de tratamento de tumores. Na cidade vizinha, há outra clínica para pacientes em geral. Sou grata por ter conseguido vir para cá, pois somos todas parecidas. A troca é muito boa. 

Devo dizer que tive um pouco de azar, pois logo depois que cheguei do Brasil, peguei uma gripe. Quando cheguei à clínica, não estava tão mal, mas depois piorei. A segunda semana foi praticamente perdida, infelizmente. 

Apesar disso, considero que está sendo um tempo muito bom para mim. 

Os primeiros dias foram bem lentos, com poucos compromissos. No segundo dia, tive uma consulta com uma médica muito boa. Como eu gostaria que todas as médicas fossem assim. Ali ainda estava razoavelmente bem. Fiz mais dois dias de atividades e meu corpo disse: chega! Foram cinco dias de febre alta, na cama, suando, tossindo, limpando o nariz a cada segundo. 

Desde o final da semana passada, estou melhor. Aos poucos, fui retomando as atividades. Nesta semana, a terceira (já?!), tive dias cheios. Foi bom! 

Todos os dias, às 18h, recebemos a programação do dia seguinte. Ontem, por exemplo, que foi um dia cheio, tive exame de sangue, um atendimento individual na fisioterapia (para aprender a massagear a cicatriz), treino na academia, esporte em grupo (foi step, quase como nos anos '90), Nordic Walking, palestra sobre direitos que temos depois da doença e yoga.

Entre uma atividade e outra, temos tempo para relaxar, dormir, sentar-se ao sol (quando ele aparece), conversar com as outras pacientes. 

Existe também uma sala com computadores, nos quais podemos fazer exercícios de memória, e uma sala para arteterapia com todo tipo de material para desenhar, pintar etc. A clínica é relativamente nova, as instalações são bonitas, tudo é muito bem cuidado. Também há uma pequena estante com livros diversos e muitos quebra-cabeças. 

No período em que estava doente, li dois livros e montei um quebra-cabeças de mil peças. Foi bom para me distrair. 

O tempo durante as três semanas não foi dos melhores. Como eu estava recolhida, nem liguei muito, mas ontem fez um dia lindo e vi o quando é bom quando o sol aparece. Devagarinho, os dias têm ficado mais quentes. Isso me deixa bem mais animada. 

Ah, um ponto negativo foi que a psicóloga também ficou doente. Então, praticamente não tivemos atendimento psicológico, o que todas acharam bem ruim. 
 No centrinho de Bad Überkingen, onde fica a clínica
 Vista da janela do meu quarto, nos primeiros dias
Nos arredores da clínica, durante uma caminhada
 Os brotos nas macieiras
 Na floresta, aqui perto da clínica
 No parque da cidade, no centro, em Bad Überkingen
 Quebra-cabeça coletivo
 Opções de quebra-cabeças
 O quarto
 O outro lado do quarto :-)
 Presentinhos que estavam no cofre, deixados pela paciente que se hospedou aqui antes
 A fachada da clínica
 A vista da janela hoje de manhã

Livro novo e dor de garganta

 Eu não sei explicar bem o porquê, mas tenho uma quedinha por dias nublados. Obviamente, eu adoro os dias de sol, mas sinto uma tranquilidad...