sexta-feira, 25 de maio de 2018

A vida tem dessas coisas...

Este é o nome de uma música do Ritchie. Costumo escutá-la frequentemente. Sei lá, gosto. Nos anos em que passei no Rio, eu me encontrei duas vezes com o Ritchie, num mesmo restaurante no Jardim Botânico, mas nunca tive coragem de falar com ele. Sempre estávamos em mesas bem próximas, mas eu ficava com receio de ser invasiva. Tê-lo por perto, porém, me fazia feliz.

Tenho uma amiga brasileira aqui em Münster. Ela vai passar férias na Noruega em julho. Falei que ela deveria começar a ouvir a-ha. Ela, nascida nos anos 1990, não sabia do que eu estava falando. E nem era porque só falamos em alemão.

Maio tem sido um mês calmo. Apesar de ter começado intenso, com viagens e visitas, agora deu uma acalmada. Não estou fazendo curso de alemão, só trabalhando. Os dias têm sido tão quentinhos e agradáveis. Não lembro de ter tido esta mesma sensação no ano passado, quando estava em Stuttgart. Bom, ano passado também minha cabeça estava a mil.

Junho promete ser um mês decisivo para mim. Estou cheia de expectativas. Será meu último mês de curso. Farei novamente um curso preparatório para o teste de alemão e decidi que depois disso aprenderei alemão somente em casa e pelas ruas, no contato com as pessoas ou eventualmente em algum curso que fizer de outra coisa que não alemão. Não é só por isso que estou cheia de expectativas.


segunda-feira, 21 de maio de 2018

Feriadões de maio

Costumava pensar que na Alemanha não havia muitos feriados, mas mudei meu pensamento radicalmente neste mês. Só em maio desde ano, há quatro feriados! Curiosamente um no primeiro e um no último dia do mês. :)

No primeiro, viajei para Gent com amigos cariocas que mora na Holanda. No segundo, fui a Düsseldorf encontrar-me com outro casal de amigos que mora na Holanda. Estava um frio danado, mas deu para ter uma ideia da cidade.

Hoje, segunda de Pentecostes, fiquei o dia em casa, mas ontem dei uma longa caminhada. Decidi ir até duas propriedades aqui perto de casa que pertenceram à família da poetisa alemã Annette von Droste-Hülshoff. A primeira fica a apenas 20 minutos. Chama-se Haus Rüschhaus. A segunda é um pequeno castelo a 5km daqui. Como o dia estava bonito e a temperatura bem agradável, lá fui eu. No final, fiz quase 13km. Foi ótimo. Lá no Burg Hülshoff, que era a casa dos pais da poetisa, há um museu, um jardim e um café. Ontem estava tudo um pouco atípico, pois havia uma feira grande de jardinagem. Tive de pagar para entrar nos jardins. Primeiro, pensei em não entrar, pois 9 euros é um tanto caro. Porém, depois de 6km de caminhada e com fome, achei que era melhor comer algo antes de voltar. Aproveitei para ver a feira. Era legal, no final. A comida do café é bem boa. Provei uma sala deliciosa.

Dia 31 ainda tem Corpus Christi. Haverá um evento bacana no centro de Münster. Estou pensando em viajar um pouco, mas acho que vou me planejar para voltar no sábado e aproveitar a festa no domingo.

sábado, 21 de abril de 2018

Por um futuro melhor

Se por um lado estou cansada de fazer aula de alemão. Por outro, ter esta oportunidade de conhecer pessoas com histórias de vida tão diversas é um privilégio. Já havia sido nas outras oportunidades, mas meus colegas nunca tinham tido histórias de vida tão, digamos, atuais. Muitos da turma são refugiados que vieram para a Alemanha em busca de um futuro melhor. Há ainda os que vêm à Alemanha somente porque os pais estão pagando, mas isso mudou.

Na minha primeira experiência na Alemanha, há 19 anos, o cenário era muito diferente. Claro que influencia o fato de eu ter feito um curso supercaro na época, no Goethe-Institut em Frankfurt. Minhas colegas eram todas esposas de algum estrangeiro que estava no país para fazer algo temporariamente - um jornalista do Le Monde, um militar norte-americano, um inglês metido à besta que nem me lembro mais o que fazia, um funcionário de uma multinacional. O curso de alemão era um passatempo para muitas ali.

Agora, o cenário é outro. Aprender alemão define (ou definirá) o futuro desses colegas. Se eles passerem no teste de proficiência poderão frequentar uma universidade, procurar um bom emprego, poderão sonhar com uma vida digna em um país que respeita seus cidadãos.

segunda-feira, 2 de abril de 2018

A Páscoa

Enquanto cozinho um arroz para complementar meu jantar, resolvi escrever um post. Não tenho um tema específico para tratar hoje. Talvez possa contar que fui mais um vez a Colônia. Desta vez com um casal de amigos e o filho pequeno. Foi bem legal passar um tempo com eles.

Depois de anos pensando ter/ser uma família (no final, foi pegadinha do malandro), voltei a ser a amiga que acompanha a família das amigas. Este tem sido meu papel desde que saí de casa aos 17 anos. Acho que me encaixo com facilidade nas famílias dos outros. Gosto deste meu posto.

Escondi uns coelhos de páscoa ontem de manhã para o pequeno encontrar. Ele achou estranho só ter coelhos nas coisas dele.
T.: - Por que será que só havia coelhos nas minhas coisas?
Mãe: - Porque as outras pessoas aqui são adultos...
T.: - Então por que a tia Rafa não ganhou?

Morremos de rir. E aproveite para dizer:
- Isso mesmo, T. Só a mamãe e o papai são adultos aqui.

sábado, 17 de março de 2018

Minha tia Onira

Hoje morreu a minha tia e madrinha Onira. Estou aqui longe, sem nem saber o que fazer.

Lamento pela minha mãe, que deve estar com o coração partido. Sempre foram muito próximas. Acho que nos últimos anos a tia era a pessoa com quem ela falava diariamente e a quem via várias vezes durante a semana. Além de ser a irmã mais velha. Perder um irmão, imagino, dever ser algo bem doloroso.

Desde que me entendo por gente, a tia sempre esteve presente. Antes mesmo de eu ter alguma lembrança, eu costumava ficar em sua casa enquanto a minha mãe ia para a faculdade. Mais tarde, passava sempre uns dias das férias por lá. A tia sempre teve poucos recursos, mas lembro que quando íamos ao supermercado, ela sempre comprava uma balinha de caramelo para mim. Eu ficava feliz da vida. Era ainda na época pré-sacolinhas de plástico e me lembro que a tia sempre levava a própria sacola, que nas minhas lembranças era feita de napa.

Na adolescência, durante uns três ou quatro anos, eu costumava ir uma vez por semana a Vacaria, pois tinha que fazer a manutenção do aparelho ortodôntico. Depois de passar no dentista, eu ia almoçar na casa da tia. Comidinha boa, especialmente a sua maneira de fazer batata frita. Depois de adulta, lembro-me que uma vez pedi para ela fazer um almoço para mim, como fazia "antigamente". Ela fazia também uma carne com aipim cozido que era maravilhosa. Por muitos anos não comi a carne, mas adorava o molho que ficava no aipim.

Outra lembrança que tenho da tia é que ela fazia simpatias para tirar verrugas. Funcionou na que eu tinha na perna esquerda. Ela tinha esse dom.

A vida da tia nunca foi fácil. As irmãs brincavam que ela era dengosa e frágil. Podia até ser, na visão das irmãs mais novas, mas fato é que, logo no início da vida adulta, tudo passou a ser muito difícil. Divorciar-se nos anos 1970 não era uma coisa fácil. Passar a viver com o estigma de "divorciada", num país machista como o nosso, deve ter sido bem pesado. Ter que criar dois filhos pequenos com poucos recursos, pior ainda.

Eu não sei por que algumas pessoas têm a vida mais fácil e outras uma vida mais complicada. Até agora, faço parte do primeiro grupo. A tia sempre fez parte do segundo, ou pelo menos durante a maior parte de sua vida.

Em quase todas as vezes que eu ia visitar a mãe, dávamos uma passadinha lá para vê-la. Na última vez, em dezembro, ela estava extremamente magra. Havia enfrentado um câncer meses antes. Teoricamente estava tudo bem, mas a magreza e a dificuldade para comer, não eram bons sinais. Minha mãe e as duas tias sempre foram magras (genética que eu queria ter herdado), assim como meus avós, mas eu nunca tinha visto a tia tão magra.

Não chorei, mas estou triste. De forma meio egoísta, estou triste porque não vou mais encontrá-la quando for a Vacaria, porque não vou mais ser mimada com caquis ou pinhões colhidos para mim, porque ela não vai me mostrar como o horta está bonita e quais foram os últimos casaquinhos e sapatinhos de tricô que fez, não vai mais me perguntar se quero comer um doce de pêssego...

Eu não sei para onde a gente vai depois que morre - e se vai para algum lugar -, mas espero que a tia encontre paz e sossego, que de alguma forma saiba que foi muito amada por mim, pela minha mãe.

quinta-feira, 15 de março de 2018

Curtinhas

Os dias de calorzinho foram bons, mas parece que amanhã poderá até nevar... Ainda estamos no inverno. É justo.

Hoje, depois do trabalho, dei uma passadinha na dm. Para quem nunca veio à Alemanha: por aqui existem duas grandes redes de drogaria, a dm e a Rossmann (algo como Wallgreens nos EUA e Shoppers no Canadá), onde se pode encontrar praticamente tudo que uma pessoa precisa para viver. De verdade. Há quem goste mais da dm, há quem prefira a Rossmann. Eu gosto das duas, mas tendo a ir mais à dm.

Sempre que a gente entra na dm/Rossmann, não consegue sair sem comprar alguma coisa. Hoje não foi diferente, mas eu tinha uma lista. Bom, comprei duas coisinhas a mais, mas estava precisando!!!

Nas primeiras semanas aqui, ainda sem acesso à internet, resolvi comprar um rádio. Foi a melhor decisão do ano. É realmente a melhor companhia. Sempre fico pensando como gostaria de ter trabalhado em uma rádio. Quem sabe ainda dá tempo.

As aulas têm sido interessantes. Neste mês, um dos professores resolveu variar um pouco o estilo da aula e estou gostando mais. Sinto que não tenho feito muito a minha parte em casa. Preciso revisar o material mais de uma vez, para ver se o conteúdo fica gravado na minha cabeça.

No primeiro dia na Alemanha, comprei uma bota para enfrentar o frio. Um mês depois, percebi que ela estava com um furo. Reclamei, é claro. Pediram para enviar para avaliação e me mandaram o código para envio. Ontem recebi o reembolso. Agora estou em dúvida se compro outra bota ou se invisto em um sapato de meia estação.

Aqui parece que as pessoas fumam mais do que no Brasil. E cigarros ainda são anunciados em outdoors (coisa mais do passado).

Eu fico muito feliz quando descubro uma música nova para amar - mesmo que nem sempre a música seja exatamente nova, como é o caso de Press, do Sir Paul McCartney.

Estou com o coração partido pela morte de Stephen Hawking, mas ainda mais pelo assassinato de Marielle Franco. O Brasil nunca foi para iniciantes, mas está ficando ainda mais esquisito.

terça-feira, 13 de março de 2018

Equilíbrio

Desde que cheguei à Alemanha, tenho tomado semanalmente um comprimido de vitamina D. Nas primeiras semanas, a dose era cavalar: 50.000ui. A partir da nona semana, 7.000ui. Foi uma estratégia da minha médica para dar uma força nas taxas que andavam meio baixas. Toda terça-feira, às 20h, minha agenda me manda uma mensagem avisando.

Também tenho tomado direitinho a reposição de vitamina B12. Esta, uma vez por dia, ao acordar. A dose também é bem alta, mas como meu corpo não absorve sozinho a quantidade necessária, não tem jeito. A minha deficiência de B12 tem relação direta com o fato de eu ter ficado quase duas décadas sem comer carne vermelha. Não que eu tenha voltado a comer, mas agora consigo comer carne moída de vez em quando e (um pouquinho de) churrasco quando vou na casa do meu padrinho.

As duas vitaminas afetam diretamente o sistema nervoso. Por isso é bom que estejam equilibradas.

Eu cheguei a Münster em uma terça-feira, ou seja, estou aqui há 10 semanas. Minha rotina se alterou um pouco desde que cheguei. No primeiro mês, o curso era à tarde e era meu único compromisso. Desde fevereiro, frequento o curso de manhã e tenho um trabalho à tarde. Talvez por ter mais ocupações, o tempo parece que passou mais rápido.

De agora até maio, creio que não haverá grandes alterações. Talvez eu comece a fazer mais coisas depois do trabalho, pois os dias estão cada dias mais longos e agradáveis. Preciso pensar em atividades interessantes para aproveitar o final da tarde.

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Depois de ver dois amigos mostrando o livro "A sutil arte de ligar o f*da-se", resolvi comprá-lo. Estou gostando bastante e pretendo colocar em prática algumas das coisas sugeridas pelo autor. Para mim, que nem palavrão falo, não é exatamente fácil.

Livro novo e dor de garganta

 Eu não sei explicar bem o porquê, mas tenho uma quedinha por dias nublados. Obviamente, eu adoro os dias de sol, mas sinto uma tranquilidad...