segunda-feira, 24 de julho de 2023

Vida de trabalhadora :)

A diferença para uma pessoa “normal” e uma que teve câncer é que a primeira não vai pensar que está tendo uma metástase a cada dor diferente que sentir. 

Eu voltei a trabalhar em tempo integral desde segunda-feira. Nas oito semanas anteriores, fui aumentando meu tempo gradualmente. Comecei com três horas e meia por três dias na primeira semana até chegar a seis horas por cinco dias na oitava semana. Foi bom ter feito assim, pois meu corpo foi se acostumando gradualmente ao ficar sentada, ao olhar o computador por horas, às idas e vindas de bike até o trabalho. Também foi um período necessário para me lembrar quais eram os comandos que usava para realizar algum tipo de tarefa – alguns estavam bem escondidos na minha memória. 

Nesse período, recebemos um ventilador para tentar combater o calorão que estamos vivendo. Confesso que depois de tantos anos no Rio nem acho tão quente assim, mas há dias que são mais difíceis. De qualquer forma, eu adoro o verão. Eu gostaria de fazer comentários/avaliações no Google sobre os lugares que visitei nas últimas semanas, mas não estou conseguindo encontrar o tempo para isso.

Outra novidade é que comprei um rádio. Gosto de ouvir música enquanto trabalho e usar fones acho tão desagradável.  

Desde que voltei a trabalhar em tempo integral e desde que faço ginástica e musculação duas vezes por semana, meus fins de tarde têm ficado meio curtos. Noto que estou indo dormir mais tarde do que gostaria também. 

Eu durmo rápido, para minha sorte, mas nem sempre tenho vontade de sair da cama tão cedo. Tenho acordado sempre às 6h45, mas talvez pudesse dormir até as 7h30 sem problemas. Eu só preciso estar no trabalho às 9h, mas sempre chego às 8h30, porque simplesmente não tenho mais nada para fazer em casa e vou para o trabalho.

Estou planejando três viagens ao mesmo tempo. Isso para mim é a pura felicidade.

segunda-feira, 26 de junho de 2023

Festa de verão

No último domingo, fizemos uma festinha aqui no prédio. Temos um grupo de WhatsApp e por ali trocamos avisos, pedimos ajudas (para alguém esperar por um pacote, receber flores, emprestar algo) e organizamos esses encontros de tempos em tempos.

Uma particularidade do meu prédio* é que nos mudamos todos no mesmo dia. O prédio é de 1890, mas foi comprado por uma instituição ligada à prefeitura e totalmente reformado internamente. A fachada é a mesma, mas dentro renovaram bem. No meu apartamento, ainda há as portas e janelas originais, que dão um ar bonito à construção. 

Quando a reforma ficou pronta, viemos todos juntos. Imagina a quantidade de caixas de papelão que havia no lixo! Levamos semanas para que a lixeira pudesse ser usada de forma regular. 

Já houve umas quatro ou cinco festinhas e mercados de pulgas. Eu participei até agora somente de duas, pois nas outras não estava em casa. Com exceção de quatro moradores, eu incluída, todos têm entre 25 e 30 anos. No ano passado, um casal teve o primeiro bebê. Por enquanto, a única criança por aqui.

Os encontros são bem animados e tranquilos ao mesmo tempo. Eu acho uma ótima oportunidade para conhecer um pouco mais dos vizinhos, falar dos nossos problemas comuns enquanto inquilinos e passar umas horas agradáveis em nosso pátio. 


* Meu prédio não é o único no terreno. Ele fica no pátio interno, mas há também um de frente para a rua e ainda mais dois apartamentos em cima de uma marcenaria que ocupa o térreo. Ao todo, são 14 apartamentos pequenos - ontem, havia pessoas de 10 apartamentos e mais uma funcionária da marcenaria. Do meu prédio, dos seis, estávamos em cinco, mas a sexta moradora nos deu um oi antes de sair com o namorado. 


quarta-feira, 21 de junho de 2023

Ah, o verão

Esperamos tanto tempo pelo verão. Aí ele chega e ficamos esgotados pelo calor, querendo que ele não seja tão forte e longo. Às vezes, fico pensando como aguentei o verão no Rio por tantos anos. Aqui, quando a temperatura chega a 27, 28 graus, já estou no meu limite. Uma amiga brasileira me visitou na última semana e me disse que o calor é diferente. Aqui é seco, o que torna mais difícil. 

Tirando os desconfortos, eu gosto do verão. Fico feliz ao sair de casa de mangas curtas. 

Por sorte, já tenho um ventilador em casa. Lembro que no ano passado, ele foi fundamental. 

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Sinto calafrios só de pensar nos cinco malucos que estão dentro desse submarino que desapareceu ao fazer uma excursão até o Titanic. Entrar em um submarino é algo que não tenho a menor vontade. 

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Depois de Lindau, fizemos mais duas viagens! Isso me mantém viva. Fomos a Basel e fizemos um tour de bike ao longo do Kinzig. Basel foi a primeira cidade suíça que visitei. Gostei bastante da atmosfera da cidade, mas nos sentimos bem pobres. A Suíça é bem cara para quem mora na Alemanha. De qualquer forma, comemos bem, passeamos bastante e até fizemos umas comprinhas. Um dos lugares que visitamos foi a fronteira tríplice - Alemanha, Suíça e Franca.

Duas semanas depois, aproveitando outro feriadão, fizemos nosso primeiro tour de bike depois da doença. Eu estava um pouco insegura e curiosa para saber como meu corpo reagiria. Deu tudo certo! Que viagem gostosa e experiência boa. Passamos por cidades tão bonitas. 

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Ir e vir de bicicleta é uma coisa que me alegra sempre. Eu me sinto livre. Já faz três semanas que tenho usado minha bike para ir à biblioteca.

terça-feira, 16 de maio de 2023

Lindau

Como tinha ainda uma semana livre antes de voltar ao trabalho, resolvi fazer o que mais gosto: viajar. Planejei, reservei e... os funcionários da empresa de trens alemã resolveram fazer uma greve. Lá fui eu cancelar o hotel e ficar frustrada. No final, algum órgão jurídico decidiu que não poderia haver greve. Reservei o hotel novamente, mais caro. 

Com minha passagem de 49 euros (o Deutschland-Ticket), peguei na segunda-feira cedo um trem em direção ao Sul. Fiz duas baldeações e quatro horas depois estava chegando ao Bodensee, o Lago de Constança, que marca a fronteira entre a Alemanha, a Áustria e a Suíça. A cidade escolhida foi Lindau, que se divide em duas partes, sendo uma delas uma ilha. 

Eu estou hospedada nessa parte na ilha. Que lugar bacana! Como é bom estar num lugar à beira d'água. Há tanta que até parece o mar. Isso me faz um bem que nem eu mesma sabia. 

sexta-feira, 5 de maio de 2023

Diário do câncer 19 - Reha

Estou em uma clínica de reabilitação, o que para nós, brasileiros, soa um pouco mais dramático do que realmente é. Aqui na Alemanha ninguém se "assusta" quando alguém fala que está indo para uma Reha, nome popular para essa fase após um longo período de licença médica. Existe um nome mais complicado em alemão: Anschlussheilbehandlung, que é o correto de se usar, mas todos conhecem por Reha. 

Ir para uma Reha, ou uma clínica de reabilitação, é um direito de todos que passaram mais de seis semanas de licença médica. É uma forma que o Estado encontrou para ajudar na reabilitação de pessoas que estiveram doentes por um longo tempo. O objetivo nada mais é do que preparar a pessoa para a volta ao trabalho, oferecendo acesso a diferentes tipos de esporte, fisioterapia, acompanhamento médico e psicológico e por aí vai.

Normalmente, fica-se três semanas na Reha. Pode-se prorrogar, mas tudo depende da disponibilidade. Na clínica em que estou é superdifícil conseguir uma vaga.

Quando estava na metade do tratamento, eu estava muito em dúvida se viria ou não. Para quê? Quero ir logo trabalhar, era meu pensamento. Conversei com algumas colegas alemãs do trabalho, um conhecido que havia ido para uma clínica e aos poucos fui mudando minha opinião. Por que não? Um tempo para mim, em um ambiente diferente, com atividades diversas. 

Foi uma decisão acertada. 

Cheguei no dia 18 de abril, uma semana após ter voltado da viagem ao Brasil.

Como escrevi em outro post, a clínica em que estou é focada em pacientes que tiverem câncer de mama. São 46 mulheres, com idades entre 20 e poucos até 60 anos. Pacientes jovens, segundo uma classificação usada em clínicas de tratamento de tumores. Na cidade vizinha, há outra clínica para pacientes em geral. Sou grata por ter conseguido vir para cá, pois somos todas parecidas. A troca é muito boa. 

Devo dizer que tive um pouco de azar, pois logo depois que cheguei do Brasil, peguei uma gripe. Quando cheguei à clínica, não estava tão mal, mas depois piorei. A segunda semana foi praticamente perdida, infelizmente. 

Apesar disso, considero que está sendo um tempo muito bom para mim. 

Os primeiros dias foram bem lentos, com poucos compromissos. No segundo dia, tive uma consulta com uma médica muito boa. Como eu gostaria que todas as médicas fossem assim. Ali ainda estava razoavelmente bem. Fiz mais dois dias de atividades e meu corpo disse: chega! Foram cinco dias de febre alta, na cama, suando, tossindo, limpando o nariz a cada segundo. 

Desde o final da semana passada, estou melhor. Aos poucos, fui retomando as atividades. Nesta semana, a terceira (já?!), tive dias cheios. Foi bom! 

Todos os dias, às 18h, recebemos a programação do dia seguinte. Ontem, por exemplo, que foi um dia cheio, tive exame de sangue, um atendimento individual na fisioterapia (para aprender a massagear a cicatriz), treino na academia, esporte em grupo (foi step, quase como nos anos '90), Nordic Walking, palestra sobre direitos que temos depois da doença e yoga.

Entre uma atividade e outra, temos tempo para relaxar, dormir, sentar-se ao sol (quando ele aparece), conversar com as outras pacientes. 

Existe também uma sala com computadores, nos quais podemos fazer exercícios de memória, e uma sala para arteterapia com todo tipo de material para desenhar, pintar etc. A clínica é relativamente nova, as instalações são bonitas, tudo é muito bem cuidado. Também há uma pequena estante com livros diversos e muitos quebra-cabeças. 

No período em que estava doente, li dois livros e montei um quebra-cabeças de mil peças. Foi bom para me distrair. 

O tempo durante as três semanas não foi dos melhores. Como eu estava recolhida, nem liguei muito, mas ontem fez um dia lindo e vi o quando é bom quando o sol aparece. Devagarinho, os dias têm ficado mais quentes. Isso me deixa bem mais animada. 

Ah, um ponto negativo foi que a psicóloga também ficou doente. Então, praticamente não tivemos atendimento psicológico, o que todas acharam bem ruim. 
 No centrinho de Bad Überkingen, onde fica a clínica
 Vista da janela do meu quarto, nos primeiros dias
Nos arredores da clínica, durante uma caminhada
 Os brotos nas macieiras
 Na floresta, aqui perto da clínica
 No parque da cidade, no centro, em Bad Überkingen
 Quebra-cabeça coletivo
 Opções de quebra-cabeças
 O quarto
 O outro lado do quarto :-)
 Presentinhos que estavam no cofre, deixados pela paciente que se hospedou aqui antes
 A fachada da clínica
 A vista da janela hoje de manhã

quarta-feira, 26 de abril de 2023

Março - abril 2023

1. Parece que meu cabelo nasceu para ser liso mesmo. Eu tinha uma vaga esperança de que ele se inspirasse nos cabelos dos meus irmãos e de parte da família da minha mãe - na qual os cabelos são ondulados. Não, ele prefere seguir liso pela vida. Só que agora em vez de querer ir para a esquerda, ele decidiu que prefere ir para a direita. A cada dia cresce um pouquinho. Voltaram os mesmos fios brancos que já existiam antes. No geral, continua bem escuro. Confesso que estou bem feliz, pois voltou muito melhor do que era há um ano. Ainda é fino, mas está por todos os lados do couro cabeludo.

2. Passamos 16 dias no Brasil. Acabei a radioterapia no dia 20 de março e no dia 23, embarcamos. Deu tudo certinho. Pareceu até planejado. Nem foi. Golpes de sorte acontecem às vezes. Foram duas semanas maravilhosas. Consegui encontrar amigas, parentes, festejar os 80 da mãe, ir a Esmeralda com o T. Ele queria tanto. Eu queria tanto. Revi amigas importantes, o que me deixou feliz. Para ele, coitado, foi uma overdose de pessoas - mais de 40, eu diria. "Ele é tão simpático e sorridente", foi o comentário geral.

3. Faz uma semana que estou na clínica de reabilitação. Estava indo tudo bem, mas peguei, imagino, uma gripe (Corona não é. Resfriado com 39 de febre?). Eu raramente medi minha temperatura na vida. Nesta semana, tirei o atraso. Cinco dias com febre. Sei lá se já tinha vivido isso. Hoje foi o primeiro dia que amanheci melhor. O nariz ainda escorre, um pouco de tosse insistente, mas melhor do que nos últimos dias. O ruim é que nos últimos 5 dias não fiz nada, não pude participar das atividades. O meu lado introvertido agradece não precisar participar das refeições coletivas. Isso pra mim é normalmente uma pequena tortura. Não que as outras pacientes sejam pessoas chatas. 

4. A clínica atende 46 mulheres simultaneamente. Durante pelo menos três semanas, fazemos exercícios, temos diferentes terapias, trocamos experiências. A clínica é praticamente como um hotel. Cada uma tem seu quarto. Há um local para as refeições. Uma sala para os momentos entre as atividades. Diariamente, cada uma recebe sua lista de compromissos para o dia seguinte. Há também uma ampla sala de ginástica, uma "academia", uma sala com bicicletas ergométricas, salas para terapias individuais. É tudo relativamente novo.  

segunda-feira, 6 de março de 2023

Sonhos - 10 anos depois

Estava tentando organizar as etiquetas do blog e acabei caindo num antigo post que continha uma lista de desejos. 

Foi interessante ver, quase 10 anos depois, que consegui realizar alguns dos sonhos. 
  • Viver um novo período fora do Brasil (é o que estou fazendo nos últimos 5 anos)
  • Aprender a nadar (fiz dois cursos. Não sei nadar perfeitamente, mas já consigo me virar na água, pelo menos)
  • Ler todos os livros em papel que tenho em casa e passá-los adiante (neste caso, uma mudança de país me fez me livrar de praticamente todos meus livros, lidos ou não lidos)
  • Terminar o doutorado (ufa!)
  • Encontrar um novo emprego que eu realmente ame (e não é que a mudança de país também me trouxe isso?!)
  • Aprender a falar alemão direito (bom, está melhor do que era há cinco anos)
  • Fazer uma megafesta de 40 anos (não foi mega, não foi como eu esperava, mas foi uma festa bonita, cercada de amigos queridos e com a presença das minhas melhores amigas)
  • Viajar pelo menos uma vez por ano para o exterior (se atravessar a fronteira da França contar, tenho conseguido!)
  • Fazer o curso de Organizadora Profissional (fiz e gostei)
Das coisas que "mais ou menos" fiz ou comecei:
  • Viajar para a Disney com as minhas sobrinhas um dia (fomos para Aracaju e uma delas já veio para a Alemanha e França)
  • Aprender a falar italiano direito (estou num curso e pretendo ir até o fim)
  • Dirigir um Smart (não dirigi, mas andei em um e fiquei feliz)
  • Aprender a fazer receitas gostosas (evoluí bem)
O que ainda permanece na lista de vontades:
  • Aprender a falar inglês direito (já melhorou, já piorou, mas eu nunca estou satisfeita)
  • Aprender a falar espanhol direito 
  • Viajar uma vez na primeira classe 
  • Aprender a costurar 
  • Conhecer Machu Picchu 
  • Passar um aniversário em Nova York 
Coisas que não tenho mais vontade de fazer:
  • Escrever um romance 
  • Aprender a falar francês 
  • Dar um mergulho no mar 

Livro novo e dor de garganta

 Eu não sei explicar bem o porquê, mas tenho uma quedinha por dias nublados. Obviamente, eu adoro os dias de sol, mas sinto uma tranquilidad...